Texto

Soneto do Fingimento

Fui escondido, e escondido permaneço,
Almejo ser o mar, e ir ao começo,
Mas se escondido estou, com qual adereço,
Me visto, e encubro meu apreço,

Pelo incerto e pelo avesso.
O que tenho é este branco gesso;
Que engessa meu desejo intenso,
De abrir o mar imenso,

Que separa o sonho que tenho
E a realidade que contenho.
O mar de mim tem um senho:

Franzido, tingido e perdido
Mistério que contido,
Nos meus olhos é fingido!






RABE
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T991205

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Sobre o autor
RABE
Guarujá/SP - Brasil, 44 anos, Escritor Amador
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