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REI MOMO - O dono do carnaval 

          A mitologia grega trata Momo, filho do Sono e da Noite, como o deus da zombaria, do sarcasmo, da galhofa, do delírio, da irreverência e do achincalhe. Diante do seu costume de criticar e ridicularizar os outros deuses, a divindade maior do Olimpo perdeu a paciência com ele e o despachou para a Terra, onde o divino deportado passou a ser representado por um jovem tirando a máscara e mostrando o rosto zombeteiro, ao mesmo tempo em que sacudia guizos e apresentava o estandarte da folia que era a razão da sua existência. 

          A coroação de um rei Momo na Terra vem de longa data, pois houve tempo em que na Roma antiga, durante a realização de determinadas festas, o soldado escolhido como o mais belo de todos era quem recebia a coroa de monarca brincalhão, o que lhe dava o direito de comer, beber e brincar até esgotar totalmente suas forças, sem que ninguém o impedisse de fazer coisa alguma. Depois de finda a farra, e ao contrário do que acontece hoje em dia, ele era solenemente levado ao altar do deus Saturno e ali sacrificado com todas as honras que merecia. 

          A figura de Momo no carnaval brasileiro surgiu em 1933, no Rio de Janeiro, graças a um cronista esportivo do jornal “A Noite” que apresentou aos carnavalescos um boneco feito em papelão e sugeriu sua indicação como comandante da folia. Esse boneco desfilou no centro da cidade, sendo depois colocado em seu trono para presidir de forma simbólica as comemorações daquele ano. Mas como os proprietários do jornal não se contentaram com o resultado conseguido, foi então iniciada uma campanha para escolher um rei de carne e osso, que acabou sendo o muito gordo Moraes Cardoso, responsável pela seção de turfe da empresa jornalística. Após ser vestido como rei e saudado com um “Vive le Roi” pelos seus colegas de redação, o jornalista desfilou pelas ruas da cidade, onde foi saudado com muita serpentina, confete e lança-perfume. Estava criada, assim, a figura do rei Momo, primeiro e único. 

          Moraes Cardoso reinou absoluto no carnaval carioca até 1948, quando faleceu. Depois, até 1967, seu substituto passou a ser escolhido por entidades carnavalescas e jornalistas, mas em 1968 sua eleição foi oficializada por lei estadual, e em 1988, por lei municipal. O concurso para a escolha do rei Momo, no Rio de Janeiro, tornou-se oficial em 1950, e desde essa época sua realização corresponde a um verdadeiro espetáculo popular.


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FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Publicado no Recanto das Letras em 25/01/2006
Código do texto: T103837

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Comentários
18/10/2009 21h49 - Luiz Eduardo Pinhjeiro
Incrivel como há certo tipo de gente que adora provocar os outros!!! Há tres ou quatro comnetarios que são puro preconceito. O Brasil está como está por causa da imbecilidade dessa gente que não admite a diversidade cultural nem respeita a liberdade religiosa. Que bom que há pessoas que se importam com a cultura de nossa gente, cultura essa que não é feita de pobreza de espirito. Parabens pelo artigo . Evoé, Momo.
24/06/2009 19h15 - Susana Amaral
Adorei este artigo..Me inspirou para um tema de aula sobre a mitologia grega.( não sabia que Momo fazia parte dela)...pintei um quadro cheio de cores como a alegria do carnaval...obrigada.
02/06/2009 17h23 - ANTONIO PAULO
Fala sério meu amigo! Temos o prazer de diversão, Deus está em nossos corações todas as horas e em todos os minutos. Não é um gordo no carnaval, que irá alterar meus pensamentos...

Sobre o autor
FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Patos de Minas/MG - Brasil, 77 anos
1415 textos (2400073 leituras)
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