Mídia sem poder com respeito à sociedade
Já pensei numa sociedade sem mídia, nenhum formato ou modelo para ser seguido, comparado ou competir. Imagino essa mesma sociedade sem o Diário Oficial ou A Voz do Brasil, pra que? Um Estado Midiatico Anarquista? (soa até engraçado). Penso que também não é possível, o tamanho continental deste País com suas inúmeras distinções regionais, impedem qualquer proximidade cultural efetivamente nítida, isto é, que possa nos fornecer uma identidade nacional mínima com quem nos vê e ouve. E desta forma se fazer ouvido e visto com vontades patrióticas que extrapolem o desejo de ver a seleção campeã a cada quatro anos numa copa. Falta-nos a famosa reciprocidade dos urbanos ditos civilizados.
Leitores de papel jornal, ouvintes de rádio, apreciadores de uma boa dose de sadismo televisivo. Habituaram-se com seu padronizado comodismo, daqueles que não possuem olhar sensitivo suficiente para compreender que por trás das câmeras ou de linhas bem escritas, com entrelinhas dificilmente imparciais, existem interesses corporativistas mantidos e decididos em momentos que poucos poderiam descrever com confiança e juízo de valor adequado.
Onde foram parar os jornais sindicais? Esses conseguiam cumprir seu papel de educadores da classe operária, com muita eficiência. Acredito que até o atual presidente já fez consultas nestas mesmas páginas revolucionárias da história. O chão de fábrica servia também para agregar os interesses comuns e apartidários que eram feitos por leitores de jornal mais exigentes, mais participativos e acima de tudo, muito mais informados.
É perfeitamente aceitável que a inquietude do Homem em descobrir soluções para seus problemas e necessidades, poderá nos levar a uma sociedade menos manipulada pelo Governo e pela Imprensa. Inclusive no Brasil. Estou convicto para escrever e pensar que o poder descrito no documentário “Mídia poder e sociedade”, produzido pela TV Senado, analisado recentemente no projeto Repórter do Futuro, criado pela OBORÉ em São Paulo. Testemunha um pensamento exclusivo e pouco pluralista do ponto de vista jornalístico propriamente dito. Faltou dar voz ao povo.
O que realmente esta sociedade virtualizada pelo “doc” pensa a respeito desta mídia brasileira?
A história singular, principalmente da política brasileira e do mundo, está ligada à história do quarto Poder. Termino este artigo com uma belíssima frase do saudoso jornalista e marceneiro Cláudio Abramo, homem que teve sua trajetória profissional muito aquém da maioria dos engomados atuantes na grande imprensa brasileira atual: “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”.
Resta-me saber até quando foi?
José Luís de Freitas
Publicado no Recanto das Letras em 23/04/2006
Código do texto: T144109
Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.