Texto

Repensando o Nada.

Sempre que alguém está estressado, a família e os colegas sugerem férias. O que geralmente mais se ouve é ”saia de férias, descanse um pouco e não pense em nada”.
Acredito que a intenção do “não pense em nada” seja de que o estressado possa sair da rotina e descansar sem precisar se preocupar com os assuntos que o levaram a essa situação.
Mas, nessas palavras há muito mais que isso, pois se o nosso estressado parar pra pensar no nada, ficaria estressado e acabaria internado numa casa de saúde por algum tipo de insanidade.
Não há nada mais original que o nada, pois se “no principio só existia o nada”, então o nada é a origem de tudo. Sendo o que deu origem a tanta diversidade, como poderia ser nada? Seguindo esse raciocínio ou inúmeros outros, realmente não seria possível descansar e certamente o estresse só aumentaria.
Se não tiver o que pensar, tente pensar no que é o nada. Garanto que não haverá nada mais difícil de definir do que o nada.
Como já dizia o filosofo, - “nada é uma faca sem lâmina, da qual se retira o cabo”. Sem pretensão de contrariá-lo, este dito não passa de uma bela definição, já que, o nada continuaria sendo nada. Ai esta um caminho rápido para a loucura, seja com o nada ou com qualquer outra definição.
Seguindo o raciocínio de Lichtenberg, nada é uma palavra na qual se retira as quatro letras, ou será uma palavra sem consoantes no qual se retira o a? Mas aí, o nada não seria duas coisas? Seria o nada uma possibilidade, para o que quisermos? Realmente o nada é muita coisa. Não há nada mais vago que o nada e nada mais improdutivo que aprofundar-se no nada.
Nada poderia ser objeto de um texto muito mais amplo, mas certamente em nada acrescentaria ao próprio nada. Portanto nada mais tenho a escrever.
Pauletto J A
Publicado no Recanto das Letras em 08/01/2007
Código do texto: T340511

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Pauletto J. A.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários
24/02/2007 18h16 - Juli Lima
Boa noite! Profunda composição. Gosto da leitura filosófica q fez do nada. Embora eu pense q "nossos nadas" sejam tão repletos... talvez por isso não nos distanciemos deles... estão nos preenchendo de certa forma. Já se sentiu literalmente esvaziado? Obrigada por me permitir refletir. Bj poesia
15/01/2007 00h20 - tania orsi vargas
Não sei se tens alguma experiência em receber estes conselhos, mas eu tenho, e lembro que, no início de uma séria crise a minha maior dificuldade era justamente sair de casa, viajar, ir a lugares movimentados e, pra meu maior suplício e sensação de impossibilidde, lá vinham os conselhos:"tu precisas sair mais, ir à praia, viajar, ir pra Gramado..." Quanto a não pensar em nada, é lógico que significa nada mais sério, mas hem que dito assim, de forma resumida, favorece uma interpretação como a tua, com senso de humor que é uma saída nada desprezível em qualquer crise. Um abraço !!!
12/01/2007 17h08 - Luciane Derós
Pauletto adorei o "nada" achei ele muito... muito... muito..., nada!

Obras à venda

Sobre o autor
Pauletto J A
Nova Bassano/RS - Brasil
277 textos (86587 leituras)
1 e-livros (554 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/02/10 06:37)

Site do Escritor

Como anunciar aqui?