Texto

Escravidão: O que não cai no vestibular



A escravidão é a prática legal ou ilegal onde um ser humano tem os direitos de propriedade sobre uma outra pessoa, denominando-se escravo. Essa ação é imposta a tal condição mediante a força. A Escravidão no Brasil contemporânea é algo real, infelizmente. Mais de 18 mil trabalhadores já foram libertados desde 1995 até hoje. Isso mesmo, não é uma forma de expressar a forma de expressar os descumprimentos dos direitos trabalhistas é escravidão mesmo. O Governo Federal estima a existência de um número de 25 mil trabalhadores escravos no país.

A diferença entre a escravidão de hoje para a de antes do dia 13 de maio de 1888 é que agora não se é observado mais a etnia da pessoa, como sabemos antes era os negros que sofriam com a escravatura. A escravidão aqui citada não são somente os abusos que ferem os direitos trabalhistas, mas que ferem a liberdade das pessoas.

O capitalismo é cruel e o escravismo continua em muitas partes do Brasil, principalmente em fazendas do Pará e do Mato Grosso onde há pessoas que trabalham dia e noite e o que "recebem" não dá nem mesmo para sustentar as suas necessidades básicas.

O sistema adotado é realmente escravista, pois não há como sair da fazenda, a liberdade é inexistente. Os donos dessas fazendas não são seres ignorantes, muito pelo contrário, são pessoas muito bem informadas com conhecimento até mesmo de negociação de exportação de produtos, sobre novas tecnologias e até mesmo possuem jatinhos particulares em suas fazendas.

Qual é o motivo dessas pessoas não aparecerem nos meios de comunicação de massa? A resposta é fácil. São ricos e poderosos, alguns até mesmo políticos. Os meios de comunicação de massa são liberados os usos por meio de concessões políticas, como por exemplo, o rádio e a televisão aberta, limitando assim o público que terá a acesso a esse conhecimento.

A fome, a falta de saúde, as condições degradantes de alojamento, falta de saneamento, os maus tratos e a violências continuam da mesma forma que acontecia a mais de duzentos anos atrás, mas hoje vedamos os nossos olhos e dizemos que não existe mais, que isso hoje só é encontrado nos livros de história.

A história deve ser estudada hoje nas escolas e sempre comparando com os acontecimentos contemporâneos, mas o que acontece é que os professores do ensino médio e fundamental passam apenas aquilo que está nos livros, manda o aluno decorar tudo e aplica uma prova.

Para os professores essa atitude é muito mais cômoda, pois é isso que vai cair no vestibular e o pior que é para o vestibular que estudamos no colégio, essa forma burra de observar e constatar os seus conhecimentos dos vestibulandos. Qual é o objetivo de decorar “Quem foi o décimo terceiro presidente do Brasil e o tempo de mandato dele?” ou “Qual foi o ano do termino da escravatura no Brasil?”.

O sentido da história não é só vestibular e para colocar nomes de ruas e avenidas é nos passar o conhecimento do que aconteceu anos atrás e dar base para mudarmos tudo que fizemos de errado. Não é isso que está acontecendo.
Felipe Mesquita
Publicado no Recanto das Letras em 25/09/2007
Código do texto: T667764

Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários
27/09/2007 02h06 - capiberibe
Parabéns grande amigo, é um texto cuja qualidade é impar, eu etou atras de algumas coisas que escrevi, para que possamos trabalhar que tambpem tem essa temática social, os comnetários do Cabelo, acima também sintetizam a riqueza deste texto!
25/09/2007 17h09 - CABELINHO
Muito bom artigo! Eu gostaria de tecer pequenos comentários no que diz respeito a mídia: a meu pensar, o nível de poder e a tendência assustadora dessa categoria tem que ser discutida e repensada. As informações atualmente fedem a ideologia e isso é muito ruim, na medida em que os princípios fundamentais de uma democracia estão exatamente na argumentação e contra-argumentação - diga-se o que não vem sendo respeitado. Logo, as falácias devido a idéias preconebidas, os sofismas devido a ideologia e um oligopólio questionável são ingredientes perfeitos para um domínio sobre grande parte da populção que infelizmente não tem estrutura suficiente para avaliar as circunstâncias, além do efeito devastador de silenciar movimentos sociais importantes - exemplo do MST -, cujo principal objetivo é transformar o modelo que rege as relações rurais desde Brasil colônia, qual seja: agricultura patronal, latifúnido. Nesse sentido, cabe fazer uma breve observação sobre a adoção da política de biocombustíveis. Ressalte-se não quero fazer um crítica sem fundamento ao governo, quero sim apontar uma contradição para refletirmos. No início da atual gestão, Lula pregou uma campanha contra fome, lembra-se? o que isso tem a ver com os biocombustíveis? o argumento do governo reza que tal política vai amainar a truculência contra o ecocosmo - tema em voga na sociedade e também muito pertinente.
25/09/2007 17h08 - CABELINHO
Mas não diz que tal política pode produzir um profundo impacto ambiental na medida em que a monocultura - processo pelo qual se produz a matéria-prima do biocombustível - inevitavelmente infertilizará o solo. Assim, será necessário fazer o alqueive, significa que o solo "descansará" ou não produzirá por um tempo para recuperar sua força produtiva. você acha que as pessoas que se beneficiam com o agronegócio se preocuparão com isso? a meu pensar, não! Logo, os latifundiários precisarão expandir sua produção. Nesse exato momento, causar-se-á um grande impacto no ecossistema, biodiversidade etc. Portanto, o argumento de que o biocombustível favorecerá ao meio ambiente é facilmente neutralizável. No entanto, o mais perigoso será o fato de que as matérias-primas usadas nessa podução, sobretudo as de gênero alimentício, tornar-se-ão absurdamente mais custosas gerando, dessa forma, um impacto social. Lembra-se do programa do governo na luta contra a fome? Para finalizar, quero te dizer que acredito antes de tudo que a simpatia por essa política, a meu pensar, está diretamente vinculada a pressões feitas pelas oligarquias latifundiárias com a ajuda de grandes veículos midiáticos, devido a uma série coisas. Óbvio que para o Lula fazer alguma coisa pro povo ele "tem que fazer rir". A mensagem que eu deixo é que precisamos urgentemente nos organizar, mobilizar para conter o agigantamento de poder que as oligarquias latifundiárias e a mídia parcial e irresponsável ganha dia a dia!

Sobre o autor
Felipe Mesquita
Campo Grande/MS - Brasil, 22 anos
86 textos (5649 leituras)
1 e-livros (21 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/11/09 04:41)

Como anunciar aqui?