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JOGO DE DAMAS

 

            O jogo de damas se faz sobre um tabuleiro regularmente dividido em 64 ou 100 pequenos quadrados com duas cores alternadas, onde cada jogador possui doze ou vinte peças denominadas tabulas, ou pedras, de cor diferente das do seu adversário, e as movimenta de modo a inutilizar ou comer todas as pedras do oponente (na ilustração, tela Jogo de Damas, de 1927, exposta no Museu do Chiado, em Portugal).

 

A origem do divertimento é desconhecida, embora digam que ele nasceu no Egito cerca de dois mil anos antes de Cristo com o nome de alquerque, que são pedrinhas usadas em mosaicos embutidos e com as quais se praticava um jogo semelhante ao atual. Naquela época, eram muitos os sábios, conselheiros, curandeiros e videntes que usavam determinados tipos de jogos como “instrumentos de adivinhação”, transformando-os em veículos de um alegado poder que diziam possuir e que lhes permitia prever acontecimentos futuros, impressionando com isso as pessoas crédulas da sociedade em que viviam. E o jogo de damas era um deles. Não existem, porém, indícios seguros de que essas informações possam elucidar onde e quando ele surgiu.

 

            De lá ele se espalhou por todo o mundo mantendo certa semelhança na designação: “damespiel” em alemão; “dammen” em francês; ou “damm” em islandês e holandês. A explicação para o nome “damas” é a de que antigamente os homens preferiam o jogo de xadrez porque este lembrava uma batalha cujo objetivo era a capitulação ou morte do rei adversário, restando às mulheres uma diversão mais amena, o “jogo das damas”, como ficou sendo conhecido. Aos que consideram tal versão como demasiadamente machista, é necessário lembrar que há quatro mil anos a condição de vida da parcela feminina da sociedade era diferente da atual, pois nesse tempo a brincadeira preferida da parcela masculina era a guerra.

           

No início, as peças tinham valor e movimentos iguais, mas no século 13 criou-se a regra de que uma pedra poderia transformar-se em “dama”. Passado algum tempo, já no século 16, surgiu a obrigatoriedade da captura da pedra toda vez que fosse possível fazê-la. Também nesse mesmo período da história foram editados na Espanha os primeiros livros contendo elementos teóricos já bastante desenvolvidos, e muito embora nenhum exemplar desse trabalho tenha chegado aos dias de hoje, ele se tornou conhecido graças às citações feitas por outros autores. Esse manual renascentista sobre a técnica do jogo de damas deve ter sido o "El ingénio ó juego de marro, de punto ó damas", de Anton Torquemada, 1547, Espanha, mas hoje se acredita que os títulos ora publicados sobre esse mesmo assunto, em todo o mundo, alcançam números altos, de difícil estimativa.

 

Na sua forma tradicional o jogo é praticado em tabuleiros com 64 casas, cada jogador com doze pedras ocupando as casas escuras das três primeiras fileiras do seu lado, prontas para iniciar uma partida que apesar da aparência de simplicidade, obriga o praticante a um grande exercício de imaginação, para não perdê-la. Vence aquele que tomar todas as pedras do adversário. No tabuleiro de 100 casas, utilizado em jogos

oficiais, cada jogador tem vinte peças que ocupam as quatro primeiras fileiras do tabuleiro.

 

Em www.xadrezregional.com.br, voltado para a divulgação de informações sobre jogos de tabuleiro, publica-se que o jogo de damas, como esporte, teve seu início no Brasil nos idos de 1935 a 1940, pelas mãos de Geraldino Izidoro, que em parceria com J. Cardoso registrou no livro “Ciência e Técnica do Jogo de Damas”, grande número das provas realizadas naquela época. A mesma fonte ainda esclarece que o primeiro livro editado no Brasil  sobre esse tipo de esporte, foi "40 Golpes Clássicos", de autor desconhecido, lançado no Rio de Janeiro, em 1940. Porém, a partir dessa época não mais existem registros sobre a prática do jogo de damas de forma organizada, situação que se modificou em 1954 com a chegada ao país do mestre russo W. Bakumenko.

 

Sobre esse cidadão, o site do endereço acima fornece alguns esclarecimentos interessantes. Diz ele que:

 

“Radicado em São Paulo, W. Bakumenko, egresso de uma escola damística evoluída, campeão da URSS em 1927, deu início à criação de um núcleo damístico. Por sua vez, Geraldino Izidoro, que sempre manteve seu interesse pelo jogo de damas, ao saber da presença de Bakumenko, o procurou. Isto gerou um encontro famoso entre as equipes de São Paulo e Rio de Janeiro, que praticamente marcou o reinício das atividades damísticas no país. Esta prova foi realizada no Rio de Janeiro, no dia 02 de maio de 1954. Com Bakumenko em São Paulo, e Izidoro no Rio, o jogo de damas tomou um impulso fabuloso. Bakumenko, alicerçado em sólidos conhecimentos técnicos, incentivou a prática do jogo, principalmente pela publicação semanal de uma coluna damística no jornal "A Gazeta Esportiva". Manteve também outras colunas e estimulou a criação de outras (L. Engels, famoso jogador de xadrez, convencido pelo mestre, manteve uma seção no jornal "O Estado de São Paulo"). Também criou grupos damísticos, e foi a centelha da criação de muitos outros. Editou dois livros: "Jóias do Jogo de Damas" e "Curso das Damas Brasileiras". Bakumenko faleceu em 13 de maio de 1969”.

FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Publicado no Recanto das Letras em 25/02/2008
Código do texto: T875762

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Sobre o autor
FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
Patos de Minas/MG - Brasil, 76 anos
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