LASCÍVIA
Eu o laço num delirante jogo de sensualidade
Um jogo intimamente compartilhado e velado
Sei que faço aflorar em ti as fantasias mais ocultas
Vindas dos porões do mais profundo subconsciente
O proibido me torna insuportavelmente desafiadora
Deseja-me com urgência e submete-se ao desvario
Percebe a insana devassa que habita meu íntimo
Conhece minha imaginação, sente meus desejos
Mulher deliciosamente libidinosa, exala sexo no ar
Não pode tocar-me, apenas olhar, sentir e cobiçar
O brilho molhado diz tudo o que as palavras não podem dizer
A gota que escorre na fronte entrega seu estado de lascívia
Involuntariamente lubrifico tua glande como se o tocasse
Irrigo tuas veias do sangue do delicioso e profano pecado
Tenho plena consciência de que provoco em ti o instinto mais primitivo
O animal selvagem e irracional que sente o cheiro de sua fêmea
Que é capaz de desbravar matas e enfrentar leões para possuí-la
Que sente a dor física nos órgãos sexuais que latejam de desejo
E também a dor moral e intelectual da impotência do homem racional
Luazul
Publicado no Recanto das Letras em 11/03/2008
Código do texto: T896755
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