Dominó
Dominó
Erguem-se as pedras anotadas,
Pintas poucas e pintas pardas,
Encaixes que se prometem,
E a vida que ora acerta, e se comprometem,
Ora dá impar e desacertam.
Num lance de génio ou pura sorte,
A pedra órfã ganhou par e se encostou a norte,
Vai desenhando o ziguezague na mesa,
E o dominó ganha força e mantêm a esperança acesa,
Saltam as pedras e rola o inusitado,
E o jogo vai finando no tablado,
Conta-se as pintas e pontos,
Pego em mais pedras para singrar neste jogo de tontos,
Os pares vão rareando,
E eu ora rio ou me calo, e fico pensando…
Três daqui mais dois dali,
E aquela que já foi , e nem a vi,
Dá pouco para a jogada final,
E a jogada não vai bem, para não dizer que está mal,
Fecho o jogo ou vou até ao fim,
Será que isto vai ser sempre assim?
Nenúfar 5/9/2008
Nenúfar
Publicado no Recanto das Letras em 05/09/2008
Código do texto: T1163375
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