INCONSTÂNCIA
Tudo em mim
paira
suspenso, indefinido
Sou a teia
de fios diáfanos
inconsistentes
Nada me enleia!
Odeio o fixo
o programado
sou a mudança
a inconstância
o improviso
Sou a gaivota
que voa solta!
Preciso espaço
pra espairecer
o meu cansaço
E se o amor
busco e atraio
que seja um raio
que caia ao lado
que me estremeça
me enlouqueça
sem me atingir!
Sou o múltiplo
que não contém a unidade
só peço abraços
não quero laços
Sou o sonho
que não consente a realidade
Sou um faminto
que engole anseios
mas... sem rodeios
Prefiro a fome
à saciedade!
(In "Geometrias Intemporais")
Carmo Vasconcelos
Publicado no Recanto das Letras em 12/05/2005
Código do texto: T16452
17/11/2009 23h49 - Layrlla Moura
nunca me identifiquei tanto com um texto como me identifiquei com este, um dos melhores que ja li parabéns!
16/09/2009 20h53 - Ingrid
escreve muito bem, parabéns
11/08/2009 18h19 - Jannayna
Penso... Como lidar com este ser que escapa como um líquido entre as mãos
Penso... Como tocar esse ser que é e não é, quer e não quer...]
Penso
Penso nesta gaivota e como acompanhar seu voo, sem machucar-me, sem permitir devorar-me...
Penso
O amor onde fica no meio de tanto e de tão pouco...