Áudio
ESPELHO DA CONSCIÊNCIA
Publicado por: Wagner Lima Santos
Data: 08/04/2008
Créditos:
Texto: Wagner Lima Santos
Voz: Wagner
Edição de som e mixagem: Wagner
Trilha sonora: Aleatória
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Texto

ESPELHO DA CONSCIÊNCIA

- Mentira... Mentira! A alma já combalida pela persistência de tua sedução, aventurou-se num longo mergulho ao condicionamento magnético – O medo absurdo da verdade já asenhorava minha mente de forma tenebrosa. As confissões, que instantes a instantes, saltavam dos teus lábios com escárnio, tinham um efeito d´um vulcão devorador, prestes a lançar sua ardente ofensiva, contra uma cidade desprotegida e arrasa-la completamente – Assim era o rigor de tuas palavras, controlando todas as minhas faculdades sensoriais. Um apelo de m´alma já em pânico, suplicava para que tudo, não passasse de um efêmero sonho e, bradava alto defronte da consciência: - Mentira... Mentira!
- Impávida, incorrigível, ali estava a minha algoz – aprisionando-me aos grilhões da carne. Debalde lutei com os desejos instintivos de sobrevivência, porém todo o meu espírito se encontrava em interno conflito sentimental, mas, ela convicta de que é a sustentação e arrimo de m´alma, prossegue firme em suas declarações sulfurosas... Cada palavra parecia uma flecha incandescente atingindo o meu corpo que já agonizante profligava em desespero. Momentaneamente, fiquei padecendo, por deixar-me dominar pelos três verdugos da infelicidade e da ausência de Deus: A amargura, ódio e vingança – Quando a escuridão já ameaçava o meu espírito, uma lufada magnética soprou a minha consciência e assim, com a alma sublimada aceitei com gratidão o orvalho canforado da bondade Divina.
Após uma demorada reflexão, ali, sentado no Fórum da Consciência, me vi retratando com o passado e, a necessidade tornou-se conselheira mãe aos ditames que me guiariam – As novas leis gravadas e encravada no meu espírito: Reforma íntima, sintonia mental com o futuro, afeição, autocontrole, compreensão e abnegação. 
Permaneci por um longo período imóvel, agarrado ao corrimão do passado. Aos poucos, porém com cautela, busquei no Fórum Íntimo da Consciência, um ato de nobreza que me agasalhasse na difícil jornada de rebuscar no passado um guia seguro nos caminhos espinhosos que se estendiam a minha frente – Como é difícil mirar-se no Espelho da Consciência e admitir uma porção de coisinhas que por tanto tempo acobertamos como algo inteiramente sagrados e intocáveis; como algo que julgávamos mortos e sepultados, mas, porém, que tanto nos incomodava e a cada instante nos tirava o sossego e o verdadeiro gozo da vida... Que ilusão, acharmos que podemos fazer ou desfazer de um momento a nosso bel-prazer, em seguida descarta-lo e, só. A vida continuaria como assim desejasse, mas, buscando então desculpas, ou quem sabe, o perdão como panacéia para todos os nossos erros, e a vida prosseguia incólume como se nada tivesse acontecido – Que engano; que terrível erro nos nossos cálculos na difícil conquista do futuro.
Homem algum, por mais astucioso que possa parecer, consegue fugir do peso das leis físicas que regem o universo imutável e, o que somos nós de fato, neste constante mundo em expansão, senão matéria densa e pura energia radiante condensada em constante mutação pela ação cósmica dos raios da consciência? Que besteira todo este ostensivo poder de fogo e das riquezas materiais, que desvirtua por completo o mundo espiritual do homem terrano, o atirando a falsos prazeres e, negando a si mesmo o verdadeiro deleite da vida – O homem com mentalidade estelar, é um ser de inteligência refinada pelos poderes cósmicos que adquiriu na consciente caminhada evolutiva da alma, não se deixando atear nas rédeas do acaso. 
O homem que se mira no Espelho da Consciência com determinação e com esmero, não deixa mais o momento acontecer; ele, já em pleno crescimento evolutivo, faz o momento acontecer e não mais entretece no mágico painel da saudade. Afinal, a vida com todos os seus erros e acertos, tem que prosseguir e, por que não nos deleites que os próprios momentos nos proporcionam?
A propósito: O que somos de fato e o que estamos fazendo aqui? Colhendo um fruto que não plantamos? – A que propósito voltamos? – A ti coube o insulto, a mim o castigo? – Isso tudo é inevitável quando temos a audácia e coragem de refletir com sinceridade e honestidade no Espelho da Consciência.
Wagner Lima Santos
Publicado no Recanto das Letras em 24/07/2006
Código do texto: T200579

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Sobre o autor
Wagner Lima Santos
Brumado/BA - Brasil, 52 anos, Escritor Amador
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