Uma manhã chuvosa
Acordei para esperar o beijo no rosto e o abraço da manhã na alma. Ao abrir a porta para o horizonte, consternado e decepcionado, a manhã chorava. Um choro fino e frio caía sobre a terra. Onde dormiu a minha linda manhã para acordar desse jeito? O que a noite te fez minha querida manhã de sol? Porém, olhando com mais vagar, deixando o coração calar, e os olhos perceberem o que realmente acontecia, entendi melhor o que a natureza me trazia. O céu fechado com as núvens cinzentas mostrava-me que o dia acordara triste. Algo na noite à cometeu. Veio buscar em mim aconchego. Chorou-me em mim suas lágrimas. Ontem eram as minhas que ela curava, hoje são as dela que me pedem acolhimento:
Vem manhã triste da noite em que as sombras sem luz fugiram de medo. Acolhe-te em meu peito a tua tristeza. Fica tranquila, pois seu sol brilhará amanhã como brilhou ontem. Tranquiliza o teu coração, manhã que a natureza me trouxe, que teu choro triste por ela será ouvido e te dará novamente a tua luz. Erga-te soberba de teu horizonte infinito, enxuga-te as lágrimas sofridas e respire profundo soprando a brisa em teu peito. Revivas tua glória. A natureza te devolverá a alegria para em nossos corações tua beleza encantar. Até amanhã para poderes me beijar as faces e os ombros abraçar com tua luz.
Gilberto G
Publicado no Recanto das Letras em 19/03/2008
Código do texto: T907456
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