FARSA
Ah! Basta!
O destino me pregou uma peça!
Fez-me servo da emoção
Iludido da própria ilusão
Encerrou-me em sua farsa!
(Há uma quimera
sobre minha cama
E um presságio na janela)
Não fosse uma, duas, três
Quisera mil!
Tantas vezes já marcada
E amargada
Tal qual a água
Pós vinho tinto.
Escrevi cartas que não foram
Nunca abri as que chegaram
Dei-las, por mérito,
Ao fogo
Um calor verdadeiro
E agora, carrego no peito
A marca que a passagem me deixou
Não a dor
Do nunca amado
Mas o vil sentimento
De quem nunca amou!
(Trecho da Peça - Um Monólogo, duas Reflexões, do mesmo autor.)
(PS: Escute também o audio desse texto)
João Neto
Publicado no Recanto das Letras em 30/04/2008
Código do texto: T969140
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Boa Tarde! APLAUSO!Bela composição. Tua declmação é primorosa! Voz de locutor. Bj poesia
Super reflexivo o texto. Quantas vezes o fogo se alimenta de nossas ilusões, nossos medos, frustrações. Sentimentos que por hora verdadeiros, tornam-se passageiros...A vida é um coquetel de lembranças, uma caixinha de surpresas. Quisera eu retirar das cinzas somente o amor e sepultar toda a dor...
Muita profundidade nestas palavras.
Um grande abraço e ótima semana! Lu
Belíssimo texto, João!! De fato, escrevemos e encenamos a história de nossas vidas diariamente... e todos corremos o risco de que, depois, possamos relê-la e nos deparar com um drama, uma comédia, uma tragédia ou uma farsa... Abraços!