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José Nordestino: um homem de bem






Seu José Nordestino viveu seus 48 anos achando que para ser um homem de bem nunca devesse se meter com política. Sempre em época de eleição no horário político, enquanto o candidato tentava vender seu peixe, seu José ouvia seu pai, já falecido, dizer em seu pensamento: “todo político é ladrão”.

Nada o fazia se embrenhar nesse mundo de poder. Por sempre ser honesto, criativo em suas decisões e ações e de uma bondade imensurável, seu José sempre recebeu convites para subir ao poder de sua cidade.

Mas, aliado ao que ele assiste na Televisão temia entrar no poder e se corromper, via nas novelas os personagens honestos que entravam e tinham como resultado a corrupção ou a morte. E como resposta seu José sempre dizia: não.

Certo dia, seu José resolveu ler livros do assunto, e percebeu que não eram todos que se corrompiam, e nem todos que não se corrompiam morriam. Apesar das dificuldades de leitura causada por anos e anos distantes das idéias prensadas, seu José terminou a leitura. E, enfim decidiu, vou me candidatar, mas não a político, e sim a fiscal de político.

Tudo bem que seu José não se candidatou e mudou o rumo de nossos impostos. Mas, como todo cidadão de bem seu José pelo menos fiscaliza aqueles que um dia, através do voto, ele colocou no poder.




João Áquila
Publicado no Recanto das Letras em 17/03/2007
Código do texto: T416351
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Comentários
20/03/2007 18h48 - Paulo Araújo de Lima
Salve seu José (porreta ou arretado)! Que tenhamos tantos outros a fiscalizar. Grande abraço
19/03/2007 17h43 - Jacques Levin
E viva seu José, um brasileiro como nós. Abraço.
17/03/2007 21h45 - Nádia Mello
É isso aí, bom seria se todos nós fizéssemos como seu José, com certeza teríamos um país um pouco melhor. Um abraço, Nádia

Sobre o autor
João Áquila
Aracaju/SE - Brasil, 26 anos
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