Texto

POETAS LATINOS: LUCRÉCIO

------------------------------------------------

 

Titus Lucretius Carus (ou simplesmente Lucrécio), poeta e filósofo latino, provavelmente, nasceu em Roma em 95 a.C., onde foi educado e morreu no ano de 53 a.C. As datas exatas de seu nascimento e morte não são conhecidas, mas, geralmente são situadas entre esses anos.

Segundo São Jerônimo, o poeta se suicidou durante um acesso de loucura, motivado por uma droga que uma mulher lhe ministrara, como uma espécie de filtro amoroso. O filtro é conhecido também como “amavio”; era um meio de sedução através de drogas e feitiços. Sua mais famosa obra foi escrita nos intervalos de lucidez que a loucura lhe concedia. Esse fato é causa de muita polêmica, mas para muitos estudiosos, há alguns aspectos coincidentes: os filtros eram realmente usados em Roma; percebe-se certa desordem no poema; furor poético com passagens de atmosfera exaltada.

Lucrécio escreveu o poema De Rerum Natura (Sobre A Natureza Das Coisas), que é um tratado de filosofia epicurista revestido de forma altamente poética. Para Lucrécio, o epicurismo era a chave que poderia desvendar os segredos do universo e garantir a felicidade humana. Tão entusiasmado ficou que se propôs a tarefa de libertar os romanos do domínio religioso através do conhecimento da filosofia epicurista. Além de Epicuro, Empédocles é seu grande orientador espiritual, e a este deve Lucrécio muito de suas concepções. Quanto à linguagem o seu grande mestre foi Ênio.

O Poema

De Rerum Natura é composto em seis cânticos. O primeiro é a Invocação de Venus; princípio de toda a vida:

Mimosa Venus, mãe de eneide Roma,

Prazer dos homens e numes! Tu alentas

Os astros, que dos céus no âmbito giram,

as férteis terras, o naval oceano.

Por ti, todo o animal recebe a vida!

Logo ao nascer, na luz do sol atenta...

Em seguida, expõe as leis de Demócrito e de Epicuro a respeito do Universo e termina mostrando, segundo seu conceito, quais as etapas que o homem e a civilização devem percorrer antes de alcançar a sabedoria, fim supremo da existência. Lucrécio descreve todos os fenômenos da natureza explicando-os por causas naturais.

Além de fonte preciosa para o conhecimento do epicurismo – comenta-se que, modernamente, é muito mais estudado do que o próprio Epicuro - o poema de Lucrécio tem grande importância literária. Seus versos consagram o autor como um dos maiores poetas latino e sua obra como o maior poema filosófico de todos os tempos.

Alguns Pensamentos de Lucrécio

A ninguém foi dada a posse da vida, a todos foi dado o usufruto.

Na verdade, aqueles suplícios que dizem existir

No profundo Inferno, estão todos aqui, nas nossas vidas.

Assim como as crianças, que no escuro tremem de medo e temem

[tudo,

Nós, na claridade, às vezes temos receio de certas coisas

Que não são mais terríveis do que aquelas que as crianças temem

No escuro e pensam que acontecerão a elas.

É preciso afugentar com ímpeto esse medo do Inferno

Que perturba profundamente a vida do homem,

Estendendo sobre tudo a lúgubre sombra de morte

E não deixando existir nenhuma alegria serena e inteira.

Para quem vive segundo os verdadeiros princípios,

A grande riqueza seria viver com pouco,

Serenamente: o que é pouco nunca é escasso.

Nada pode nascer

Do nada.

____________________

Bibliografia:

Antologia da Poesia Universal, seleção de Ari de Mesquita, Tecnoprint S.A., 1988.

Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.

Se você encontrar erros (inclusive de português), por favor, me informe.        

Ricardo Sérgio
Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2008
Código do texto: T989768
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo



Comentários
17/05/2008 18h32 - Alexandre Tambelli
"o que é pouco nunca é escasso" profundo demais este pensar de Lucrécio, Ricardo! Bonito demais... Bom lê-lo amigo, abraço, Alexandre!

Sobre o autor
Ricardo Sérgio
Campo Grande/MS - Brasil, 60 anos, Escritor Amador
362 textos (206176 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/07/08 19:12)

Como anunciar aqui?




Ajude-nos a divulgar o Recanto das Letras.
Saiba como: clique aqui
Indique

Capa | Cadastro | Textos | Áudios | Autores | Mural | Fórum | Escrivaninha | Regras de Uso | Links | Anuncie | Ajuda | Contate-nos