Texto

"Uma Perda"

Como ter medo de perder uma coisa se ainda não a tem? Essa intrigante afirmativa, e agora transformada em pergunta vem sendo alvo dos meus pensamentos. Confesso que venho tentando entender o seu real significado, pois para perdermos algo se faz necessário que ele seja nosso. Inteiramente nosso. Mas como na vida tudo é relativo e fugaz, decidi então não ficar ou buscar entender essa questão.

Mas como nós, seres humanos, nunca estamos satisfeitos e como nunca nos sentimos satisfeitos com o que nos dizem ou com o quais nos tentam persuadir. Confesso ser ainda cético aos que me dizem isso, busco não obter maiores respostas, um tanto meio irônico, pois nessa tentativa  se ouvisse e/ou falasse alguma(s) coisa(s) depois poderia causar remorso ou o pior que machucar o outro. Silencio. Abro diálogo com os meus próprios pensamentos que a essa altura já não sabe se continua a pensar nesse argumento ou volta a se preocupar com a crise mundial, a violência, o desastre climático, enfim no social coletivo.

Hoje é tão comum correr riscos que não mais me aflige o simples fato da perda, pois talvez não seja eu que perca algo, mas talvez o inverso, ou será ainda que você não pensou nessa possibilidade? Correr o risco e ainda perder faz parte da vida de qualquer homem ou mulher, resta-nos saber que perda será essa e mudará sua vida. Basta saber que o perder e o ganhar são antagônicos entre e si e complementares no lidar com o ser humano. Pensemos:  toda vez que ganhamos algo alguém tem que perder, um eterno jogo.

Será que somos incapazes de fazer alguém feliz? Ou melhor, será que somos capazes sermos felizes? Talvez perguntas desnecessárias, mas que nos definem com pessoas que é preenchida de qualidades e defeitos. Por isso que se busca a perfeição, mas alegrai-vos com as vossas imperfeições, pois são elas que nos fazem aprender a ganhar e a perder. Mas minha angústia não está nessa sensação de uma perda aparente, mas de como fazer entender que o outro também pode perder. Pois o ganho e perda andam pelos dois lados, tanto um como o outro podem ser alvos desses dois monstros.

Enfim já não acho palavras que caberiam aqui... Vem a ânsia das lágrimas... A garganta trava e as palavras não acompanham os pensamentos...
Rogevanio Alves Santana
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2009
Código do texto: T1910927
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Sobre o autor
Rogevanio Alves Santana
Aracaju/SE - Brasil, 30 anos
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