Texto

21 - pois foi...

Pois foi mais uma crónica sobre uma crônica te fiz :)

Mágoas, ressentimentos e tudo que não presta*
Lê-se depressa e conta-se do mesmo modo, para não alterar a química da solução entre a leitura que corre e o texto que como leito liberta substâncias dissolventes transformando a leitura pura que cai das nuvens, inodora, cristalina e insípida, numa calda de odores, matizada de coloridas e saborosas rosas, dos sabores colhidos.
No porém do título navega a carga, no porão da nau vai acondicionada para as Índias das especiarias da crônica. Talvez não uma nau, um carro de bois é mencionado. Também um túnel, onde se colhe uma luz irresponsável. Para cenário, perfila-se o país Brasil e suas gentes. Sartre seria um anjo mas não é, incapaz de evitar o inferno como destino. Um inferno quotidiano, com cotas de todos na sorte de cada dia.
Ressentimentos e pessoas carentes de amor, Dostoievski é chamado à homília pensando na autora quando ela ainda não sonhava nascer. O que dá, daria, para evitar ser vítima do nascimento, não o fossemos todos nascidos. Havendo, com ou sem avença, fármacos capazes de facilitar a transição para o sono, com o nome à venda nas farmácias.
Colhe colher do penúltimo parágrafo a sentença em forma de máxima: «coisa no mundo pior que ser poeta: morrer de amor»
«Ah, tristeza.»
E ainda há uma outra, última e derradeira frase, abordando da dimensão das mágoas, nu seu tamanho. Não sendo grande, vale a pena.
*
Mais um título de "crônicas do amanhecer", já viaja com com_e_ço
0 
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1 
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2 
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&
acessem 
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Limito-me a ver como os corpos dos textos se abrem na escrita e como bocas profundas recebem as leituras, as fazem vir e ir ao encontro do encontro, onde novos encontros se encontram ou naufragam, como a caravela da crónica que foi um carro de bois?
R

esperei em música
e
em música vieste
e
ao viés do sentido
o
significado foi,
o
prazer, esse, ficou

Inclui uma poesia, surgida como um comentário, alienígena ou coisa parecida.

{Foto: "Singelo..."
Autora: Cainha 
http://www.flickr.com/photos/cainha/249298539/
a narrativa continua nua...
http://www.recantodasletras.com.br/mensagens/278543}
Francisco Coimbra
Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2006
Código do texto: T294214
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Comentários
19/11/2006 23h06 -
Chego aqui e colho lindas flores sempre.Beijos.
18/11/2006 11h08 - Luiz Guerra
Seu trabalho, querido Coimbra, é um dos mais diferenciados entre nós, sempre apostando no descarne implacável dos modos de dizer e no criativo jogo sintático das frases. Um grande abraço.
18/11/2006 00h53 - Maria José Limeira
Prezado Francisco Coimbra. Caríssimo. São comoventes essses seus comentários aos meus textos do livro "Crônicas do amanhecer". Saludos & Obrigada. Maria José Limeira.

Sobre o autor
Francisco Coimbra
Portugal
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