Última Carta
Se eu ganhasse um momento contigo,talvez não fizesse nada de novo, nem proferisse uma só palavra, porque só de imaginar meu coração disparou e, um nó fechou como punho cerrado minha garganta.
Nem sei se o abraçaria, acho que me deitaria aos teus pés e alisaria a barra da tua calça até adormecer,fiz isso a minha infância inteira, me acalmava...Me enchia de paz.
Olha vô, não existe mais vovós como antes,aquelas vovózinhas rechunchudas que se banhavam com sabonete Alma de Flores e, passavam pó de arroz no rosto antes de abrir a porta do quarto.
Vó como a que tive,que fazia uma comidinha gostosa e cortava minha franja com tesoura de corte e costura, não tem não vô.
Perder minha avó, me doeu muito, eu realmente a amava; depois dela, acreditei ter aprendido a perder; já perdir tanto né vô...
Mas ainda não tinha perdido nada tão valioso quanto você, tua ida me deixou vazia, sozinha, sem porto...Foi você meu avôzinho quem mais me deu amor nessa vida.
Pensei que Deus havia colhido pra Sí a rosa mais linda que já brotou na terra, quando na verdade,Ele a tirou de um vaso antes que as pétalas caíssem e, a replantou no Seu jardim secreto.
Deus o deixou conosco pra nos ensinar que o amor se dá sem esperar que ele retorne, a sermos leais, a termos mansidão pois, nunca o ouvi gritar. Nos mostrou que a frágil aparência não límita os sonhos de um grande homem.
No azul dos teus olhos me refulgiei tantas vezes e, se hoje tenho lindas histórias da minha infância pra contar aos meus filhos, eu as devo à você.
Hoje entendo que o amor verdadeiro nunca finda, pode se transformar com o tempo, mas findar,nunca.
E o meu, se transformou na esperânça de me tornar uma pessoa melhor e receber de Deus o presente de te reencontrar.
Meu avô...Eterna saudade!
Lee Rodrigues
Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2008
Código do texto: T991290