INDAGAÇÕES
Quero a felicidade sábia dos ignorantes.
Que apenas os ignorantes são sábios verdadeiros.
Os ignorantes são sábios por se permitirem ser ignorantes.
Encontra na estupidez – que é mesmo o próprio it da vida – o caminho fácil, deslumbrante!
Peço que me ensinem, porque não sei como.
Sou tolo de tanto ser tolo com a busca da minha autoeficiência.
Erro sem parar, sem alegria que é ainda pior.
Ah, quero ser tão tosco e tardio como de verdade sempre fui vadio.
Para que ciência se o mundo estiver entre paredes da intendência?
Visto-me.
Dispo-me da falsa roupa da sabedoria.
Falsa alegoria de uma forjada alegria.
Sou qualquer um na agonia do dia a dia.
Não sei nada que outro não possa saber.
Só não sei por quê.
Para que.
Eu mesmo cadê?
De um vazio viver que ventos fazem folhas correr...
Dar-me licença, vou viver.Pode até acontecer!
PERGUNTA
Entre as noites se cortam as luzes.
Cortam-se as luzes no cortinado escuro.
Havia tanto tempo, doía perceber esta ausência.
Olhava para os cantos: nada, nada.Nada eram paredes.
Nada sempre fez seu papel num obscuro mundo invisível.
Nada, nada e mais nada dentro de um relógio vazio.
Espera ai, e aquele tempo que tive...
Tive um tempo que aproveitei tanto que me fugiu.
Acudiu...
Roupas que pariu, e o cartão de crédito sumiu...
A loja nem o dinheiro viu.
E as paredes, que não se toca, cercam-me de ausência.
Ausência sem saudade.
Eu não sei porque tanta infelicidade.
Rodney Dos Santos Aragão
Publicado no Recanto das Letras em 13/05/2008
Código do texto: T988025
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