Uma sexta-feira quase perfeita
Tarde de sexta-feira fria, encoberta. nada de chuva, mas pro precaução, saí com o guarda-chuvas, que de tão grande mais parecia um ombrelone, e o casaco nas mãos. Primeira parada Taquara, para imprimir uns textos e o contrato. Enquanto eu estava dentro da lan house, chiveu. Não cheguei a abrir o atefato, pois ao sair, já havia cessado a chuva. Mas antes de ir embora, mandei um a mesnagem para ela. Relutei, sei lá, ela não estava querendo me ver nem pintado de ouro há uns dias. Fiquei com medo de parecer insistente. mas ao mesmo tempo queria que ela soubesse que eu não desisti dela. Que ainda a am e sinto saudade... errei, admito e me arrependo, mas tivemos muito mais momentos para justificar estarmos juntos, nos amando como nos amamos, do que separados e não vivermos a vida que poderia ter sido e não foi (Ê, Manuel Bandeira!!).
Fui atender uma cliente na Vila da Penha,onde rolava uma festa junina caseira. Quer dizer, uma festa caseira com tema de festa junina... todos estavam a caráter. menos o intruso aqui, que marcou quinta e apareceu hoje, em plena sexta-feira. É a cabeça não andou boa nesses dias.
Equívoco desfeito, lá estava eu na cozinha, único lugar em que o som alto não ficava tão alto. Pensei de novo nela, onde e como será que estaria minha amada? Uma coisa é certa, se encontrava longe de uma festa junina: ela detesta. Talvez por ter sido obrigada a organizar arraiás, esses anos todos. É, quando se é obrigado, se perde metade (ou quase todo) o prazer.
Mas eu estava lá, entrevistando uma debutante, cuja festa é em agosto, bem longe dos folguedos juninos (se bem que, atualmente, já existe festa agostina). Mas cedo, Joice havia me chamado para ir a um restaurante em Vargem Grande. Ela trabalha como minha assistente em alguns eventos e está atuando como garçonete neste local para o qual me chamara. Segundo ela, o estabelecimento se encontra sob nova direção e há uma grande possibilidade de negócios por lá. Grande Joice, enxergou um filão e resolveu dividir comigo.
Depois de cumpirir miha missão na Vila da Penha, lá fui eu para Vargem Grande. Cheguei, chovia fino e fazia frio, como na canção do Lobão. Vesti o casaco e abri o guarda-chuvas. E ela na minha mente. Quem dera estar aconchegado naqueles braços fortes agora, enroscado nas belas pernas dela, com o corpo coladinho ao dela sob um edredon!!
Contato feito, negócio praticamente fechado, saios para conversar. Sinda não era hora de comemorar, mas de brindar, pedindo que a coisa vá adiante.
Estou abstêmio, já que em fução dos remédios, estou proibido de beber algo que contenha álcool.
- Mas cerveja sem álcool pode, diz Joice - acompanhada por Claudir, o meu mais novo parceiro de negócios.
Chgamos a um restaurante aconchegante, no meio do mato.O quê, em Vargem Grande, não é no meio do mato? Nome do restaurante Tonamata. Bem criativo. Mal chegamos e a banda - música ao vivo sim - tocou Comfortably Numb, clássico do Pink Floyd, um dos meus grupos preferidos (a guitarria do David Gilmore é tudo).
Falamos de negócios, falamos abobrinhas, contamos piadas, rimos, brincamos e eu com o pensamento nela. Falei, falei, falei, falei muito nela.
Com carinho, com saudade, com um monte de lembranças boas. Ela é meu tudo de bom. Esses dias sem ela, sem um torpedo cedo no celular tem sido terríveis. mas como disse o "Poetinha", "a gente vai levando". E o Pink Floyd tinha tudo a ver. Um dia quase perfeito, não fosse a ausência dela. nada sofrida, pois não sofro mais... porém, com uma saudade que eu não gostaria de estar sentindo. Gostaria de sentir o calor do corpo dela, o cheiro (ah, o cheiro! dela), o gosto do beijo... ela está em todas as coisas, como disse o Vercillo... e queria falar pra ela dessas vitórias, dessas conquistas de uma sexta-feira quase perfeita.
Êta, 4 horas da manhã!! Fui dormir.
Erik Masters
Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2009
Código do texto: T1681577
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