sacerdócio
não se preocupe, ela sabe que vim lhe encontrar. tenho visto você e até filmado/fotografado, há três anos, desde que você sumiu. fiquei arrasada, perdendo tempo com ódio bestabobalhado, quando a vida pulsava crescendo, bem diante do meu nariz. não, não foi nenhuma tortura, acredite. nos divertíamos a valer, com as fotos/filmes. cheguei a esbarrar, de propósito em você: lembra do lançamento da revista eita!? você todo assanhado, galinha como sempre, atrás de um autógrafo da m.m., falando o divagações sobre o mesmo medo e eu disse o nome do autor, bem atrás de você. sua cara de asco, quase, quando virou e me encarou, não esqueço. que é que há, tá com medo? não somos assassinas, somos mulheres, suas mulheres. mesmo assim, se eu fosse você, pegava o zippo e ia se queimando daqui até o inferno: ensinei, sim, sua filha a odiá-lo.
samuca santos
Publicado no Recanto das Letras em 07/08/2009
Código do texto: T1741349
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