Ensaios I - Roteiro Teatral - Um conto da vida real - (c/ uma pitada de humor) -
* Quando um texto não é comentado, fico "curiosa" pra saber dos motivos. Será que "toquei"...causei emudecimento...? Não fiquem constrangidos. Seres humanos são assim...
Eu disse que engoli um papagaio...pena que meu tempo está tão reduzido...rsrsrs
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Ensaios – I
O palco se fez presença!
- Aplausos!
- Ah, Meu Deus! Cadê a coerência desse silêncio?
- Contratou o macaco de auditório?
- Ele adoeceu, não pode vir!
- Amanhã quem sabe melhore...
- Mas quem disse que isso é aquilo?
- Isso não faz parte do roteiro.
- Eis o que pediste e eis o que te dei.
- Mas os aplausos? O bonequinho vai sair sentadinho nas páginas do jornal de amanhã.
- Vamos então pedir o público pra aplaudir!
- Senhoras e senhores, o espetáculo deu início. Vamos aplaudir! Em cena: Ensaios!
- Corta!
- Como corta? Aqui não dá! É teatro de Arena...
- Ai é?! Desculpe! – Senhores! Vamos continuar. Aplausos!
- Que houve, ninguém aplaudiu?
- Está vazio ou houve fuga por aqui?
- Você está maluco! Você escreveu a peça como Ensaios e ninguém comprou ingresso!
- Então vamos ensaiar o roteiro e amanhã mudamos o nome da peça.
- Vamos!
- Um dia quem sabe perceberás, perceberás que tudo isso é tão pouco, mas eis aí o dia da verdade, escondida noutras máscaras.
- Não está feliz?! Corpo e espírito a separação das partes.
- Isso! Boa idéia. “Corpo e espírito” , põe este nome na peça! “A separação das partes”, como subtítulo.
- Que cor faremos os ingresso?
- Lilás, amarelo, negro... ah, não quero saber da cor. Atenção! Luz, câmera, ação!
- Tirem os refletores! A viagem marcada nas páginas de uma máscara. Futuro, presente.
- Presente! Onde?
- Aí no seu roteiro, não ensaiou o espetáculo?
- Vou começar de novo. Vou descer e subir no palco. Pode deixar que não vou mais errar.
- Respeitável público, no palco: Saltimbanco...
- Como é mesmo o nome?
- Esqueci, depois veremos isso! Isso aqui é só um ensaio. Vamos continuar.
- No palco da vida, a verdade fica atrás das cortinas, saltimbanco em tinta fria, pastel, anilina, lenço de papel.
- E quando o espetáculo acabar?
- Quando este acabar desceremos do palco e escreveremos outro roteiro. Vamos escrever monólogos do dia verdadeiro, em alto mar, seremos fantasma, de um só seremos infinitos, o que a vida ditar, faremos bem bonito e colorido.
- Cuidado!
- Pow!
- Eu falei, cuidado! Você estava andando de costas enquanto falava. Não percebeu?
Silêncio total.
- Chamem o médico! Ele está delirado. Acorda! Acorda!
- Ele caiu de 3 metros enquanto ensaiava, agora fala o dia todo sozinho. Não está delirando e o normal dele.
- Mas quando ele tirará o gesso e as faixas da cabeça?
- Faremos uma tomografia brevemente...
SIMONE CONDE
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1905447
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