Reminiscências
Há um tempo, existiam dois grandes amigos, possivelmente ambos ainda existam; a amizade, contudo, se desfez. Não por obra de alguma ação por parte de um deles, mas sim devido a um comum distanciamento que a própria vida se encarrega de gerar. Um deles dispunha de um vídeo game, do qual ambos usufruíam com afinco e alegria. Houve uma promoção em um grande mercado da cidade onde viviam, esta consistia em dar um exemplar daquele moderno aparelho que abrilhantava as tardes dos dois garotos a quem acertasse o futuro campeão mundial de futebol (pelo menos foi essa a interpretação feita por um deles), ganhava-se uma cautela comprando acima de uns tantos reais e ali se assinalava o nome do time o qual se acreditava que seria o novo campeão. O garoto, no auge da esperteza infantil, obteve duas cautelas e assinalou em cada uma delas o nome de um dos times concorrentes, e na parte concernente aos dados pessoais pôs os do amigo, deste modo jurando que este acabaria por ganhar o tão cobiçado aparelho, pois não haveria como errar o campeão tendo apostado em ambos. Doce ilusão, melhor defini-la como amarga. Logo, seus pais lhe explicaram que o prêmio seria concedido mediante um sorteio para um daqueles que marcaram a opção correta, acabando assim com parte da inocência a qual cingia o garoto. Incrível seria se as coisas sucedessem assim como as imaginávamos quando éramos criança, deste modo pensa um deles, quiçá ambos, impossível de se saber.
24/10/08
Michel Domenech
Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2009
Código do texto: T1900232