A Chuva
Caminhando na rua escura e chuvosa de Paris com seus prédios altos que lembram cenas de filmes antigos. Em meio toda a minha pressa, me sinto estranha, como se eu nunca tivesse me valorizado, como se eu fosse um lixo, como se ninguém me reconhece-se, parece que as minhas forças estão acabando diante de tudo, parece que tudo e todos estão me pressionando de tal forma que me sufoque. Quero gritar para o mundo para espantar todos os males que estou carregando comigo, quero sair correndo nessa chuva e poder brincar na água.
Para com todo esse pensamento e continuo a caminhar na rua escura e chuvosa, quando paro na frente de um prédio que tem uma cobertura na porta, me abaixo, coloco num canto todas as pastas e minha bolsa que carrego. Pego o guarda-chuva e saio correndo pela rua vazia a brincar na chuva, faço a cena do Cantando na Chuva, grito alto, brinco, chuto a água, olho pelas janelas dos prédios e avisto gente me olhando achando que sou louca. Mas não sou só estou colocando pra fora o que faz mal. Fico ali mais algum tempo correndo e brincando na chuva.
Quando me sinto melhor, volto à frente do prédio pego as minhas pastas e minha bolsa, arrumo meu guarda-chuva, coloco um sorriso em meu rosto e volto a caminhar na rua escura e chuvosa.
Agora estou me sentindo uma nova pessoa com muitos valores.
Caroline Farias
Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2009
Código do texto: T1901857
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