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A Deusa de Anília (Prólogo)

A ilha de Anília fica ao norte do Mar Insólito e apresenta o formato de uma meia lua composta de uma cobertura vegetal muito densa ao sul e de uma cadeia de montanhas escarpadas por toda a costa. As praias, já foram brancas como pérola, mas devido ao acúmulo de sujeira e do trânsito de pessoas e mercadorias a maoria recebeu um tom cinza esverdeado. Anília possui um único porto, o Porto das Conchas, que  envia matérias-primas para outros portos, em outros continentes, como é o caso de Nermil e as troca por peles, armas e bebidas.
Os anilianos são um povo muito trabalhador e hospitaleiro, desde que não sejam explorados ou que tentem ludibriá-los. Sem dúvida são ótimos construtores, pois na ilha pode-se encontrar casas altas feitas com madeira e pedras, tabernas redondas, quadradas e octogonais, as mais frenquentadas e as tão procuradas lojas comerciais localizada na Vila dos Viajantes.
Houve uma época que em que os anilianos tinham um rei que governava toda a ilha, no entanto ele não conseguiu vencer a barreira da morte. Evelon teve uma única filha e é ela quem governa Anília desde os treze anos de idade. Krisna é considerada pelos anilianos como a Senhora Deusa, e é reverenciada pela maioria das criaturas existentes na ilha. Essa reverência é devida ao poder que emana de Krisna. Um poder que tanto faz com que seja amada como seja temida. Seus olhos são de um azul muito claro, quase transparente e para o total espanto dos estrangeiros que freqüentam a ilha, todo pêlo que cobre seu corpo é azulado. Os cabelos lisos e compridos chegam a ofuscar a vista dos desavisados. Sua beleza é tão etérea, que não há quem resista a seus encantos. Porém em nenhum momento em seus trezentos e trinta anos de vida, Krisna tentou usufruir de seus dotes físicos em benefício próprio.
Em sua morada simples feita de madeira no alto do Penhasco dos Raios, Krisna passa a maior parte de seu tempo atendendo as necessidades de seu povo. Niso seu fiel ajudante é o responsável por enviar as mensagens de Krisna para toda a ilha. Não existe contrabando nem ladroagem desde os tempos imemoriais do reinado de Evelon, seu pai.
Os viajantes são sempre bem-vindos, no entanto são muito bem vigiados. A segurança e bem-estar dos anilianos é uma meta considerada por Krisna como de suma importância. Não é à toa que apesar de os estrangeiros terem livre acesso a ilha, não podem usar de autoridade e violência para com os anilianos. Assim, os cento e trinta mil anilianos espalhados por toda a ilha, podem viver numa comunidade onde reina a justiça, tendo como representante máxima a Senhora Deusa.
A genealogia dos nativos de Anília remonta de um povo denominado Rimerianos. Conta a lenda que os rimerianos depois de viajarem pelo mar durante meses, enfim conseguiram avistar uma grande cobertura rochosa, a uns trezentos metros do navio no qual se encontravam, que mais tarde seria chamada de Montanha Rimeriana. Uma pequena parcela da tripulação aportou com o objetivo de avaliar se aquela terra era segura para ser habitada. Assegurados disso, deram o aviso para o capitão do navio e assim os primeiros rimerianos povoaram a ilha.
No início eram quarenta e oito habitantes entre homens e mulheres, mas quanto mais os rimerianos adentravam o interior da ilha um número maior deles foi se formando. O ambiente natural sofreu grande modificação. Árvores foram derrubadas para a construção de cabanas e móveis, alguns animais foram domesticados enquanto outros foram arrebanhados, iniciou-se um processo de mineração rudimentar e levantou-se as estruturas de uma grande construção que hoje é conhecida como o Castelo Rimeriano.
Muitos reis reinaram desde então e o último descendente dos rimerianos fora Evelon, pai de Krisna. Evelon deixou uma única filha, herdeira do trono e de um poder muito mais antigo que os próprios rimerianos. Esse poder ao mesmo tempo que era uma dádiva também era uma sina que seria passada para a única filha de Krisna. Uma outra parte da lenda conta que Krisna teria de se unir a um estrangeiro dotado de coragem suficiente para entregar sua própria vida nas mãos da Senhora Deusa e enfrentar um inimigo poderoso. Assim contavam-se as estórias que eram passadas de geração a geração entre os rimerianos.
Chellot
Publicado no Recanto das Letras em 04/12/2008
Código do texto: T1318182

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Comentários
26/04/2009 12h00 - Paulo
«Horas mortas… Curvada aos pés do monte A planície é um brasido… e, torturadas, As árvores sangrentas, revoltadas, Gritam a Deus a bênção duma fonte! E quando, manhã alta, o sol posponte A ouro a giesta, a arder, pelas estradas, Esfíngicas, recortam desgrenhadas Os trágicos perfis no horizonte! Árvores! Corações, almas que choram, Almas iguais à minha, almas que imploram Em vão remédio para tanta mágoa! Árvores! Não choreis! Olhai e vede: - Também ando a gritar, morta de sede, Pedindo a Deus a minha gota d´água!» (Flobela Espanca)
17/04/2009 13h42 - Iana!!!
Linda segui correndo pra ler-te adorei... Beijos grandes da rosa amiga e um fim de semana lindo pra você com carinho Iana!!!
02/04/2009 19h52 - Cadinho RoCo
Vontade de conhecer a ilha. Cadinho RoCo

Sobre a autora
Chellot
Nova Iguaçu/RJ - Brasil, 36 anos
303 textos (10950 leituras)
7 e-livros (583 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/11/09 09:33)

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