Texto

A Maldição.

Em algum lugar na Europa, por volta do século XVII um homem abriu a janela do seu quarto, ele exibia músculos bem definidos, aparentava passar dos 20, mas era jovem, era alto, e tinha cabelos curtos e castanhos, seus olhos da mesma cor refletiam o brilho da lua, mas, transpareciam raiva e ódio. Ele fechou a janela antes que esse sentimento o consumisse por inteiro, seu corpo já começava a vibrar diante da lua cheia.

David vestia roupa de dormir e andava de um lado para o outro do quarto a espera de sua encomenda, ele estava alojado no quarto de uma taberna encontrada no subúrbio da grande cidade, ninguém o encontraria ali, principalmente por que fazia duas semanas que estava ali, duas semanas quem não saia do quarto.
Uma bandeja contendo resto de comida indicava que ele fazia as refeições no quarto, o dono da taberna entregava a comida em seu quarto com prazer, recebia muitas moedas para isso, e para nem mencionar quem estava hospedado ali, ele não era conhecido por aquela área, mas não queria que soubessem de sua permanência.
Ele se deitou na cama, depois se sentou ansioso, pegou um embrulho em baixo da cama, ali enrolados tinha algumas folhas velhas e uma carta, carta de uma pessoa misteriosa que agora era o motivo dele estar ali. David era um fugitivo, mesmo que não saibam que ele roubou algo, ele tinha que fugir, o que ele roubou atraia todo tipo de criatura, e estava atraindo “ele”. A Carta dizia:

Caro amigo.

Os papeis não são a resposta em si, eles levam a resposta, juntos podemos ir atrás de quem possa ajudá-lo a descobri a verdade, e assim procurar um jeito de te livrar dessa terrível maldição. Tome cuidado, porque a partir de agora você estará sendo perseguido.  Os papeis são muito valiosos, eles levam a resposta de todas as coisas, e o imortal esta atrás dele há muito tempo.

Assinado M.

David dobrou a carta e a colocou no envelope, todos deviam achar que só um louco ouviria um mendigo, e largaria um trabalho de braço direito de um grande senhor, para roubar alguns papeis e fugir para sempre.
Mas ele tinha que acreditar que era verdade, estava começando achar que podia viver normalmente, ate quase matar sua amada, aquela pelo qual permaneceu tanto tempo em um único lugar. Ele balançou a cabeça espantando, sabia o que fazer e para onde ir, tinha conseguido muito dinheiro do senhor, anos de trabalho lhe renderam uma pequena fortuna, ele tinha ricos trajes na mala, e um belo cavalo no estábulo da taberna, sairia de viajem pela manha, estava tudo planejado, só faltava à encomenda.
Bateram na porta, suas narinas dilataram, ele então foi abrir a porta já sabendo quem era que batia.
-Entre. – Disse.
Um homem baixo devido a sua corcunda entrou desconfiado no quarto, David bateu a porta, ele afastou o prato de comida da mesa para que o homem pudesse depositar os objetos.
-Aqui estão senhor, os artefatos feitos de prata pura, e a munição da pistola banhada em água benta e com a cruz entalhada nela.
-Muito bem. - Disse David analisando o grande Jian* e fazendo movimento no ar.
-Por mal pergunte senhor, não é do meu interesse, mas porque prata pura. –Perguntou o homem com medo.
-Você acredita em monstros? – Perguntou David sem nem olhar para ele, agora analisava uma pequena faca curva de prata.
-A senhor... Eu sou um homem vivido, já vi muitas coisas nessa vida, sei que há monstros lá fora, e sei que tem um solto agora.
-Solto? O que você ouviu? – David guardou no pano de seda a pistola e o punhal, colocara a espada na bainha e a pousou sobre a mesa, se virando para ouvir o homem, ele parecia interessado, o homem porem estava nervoso.
-Todos estão comentando, os corpos achados sem sangue, é um vampiro com certeza, um homem o viu, e contou em uma taberna, mais foi encontrado morto dias depois, falou que ele se veste como um assassino, e prefere matar as vitimas em um bom duelo de armas brancas. - Ele tomou fôlego e prosseguiu. – Por isso os corpos são encontrados retalhados mais sem uma gota de sangue, dizem que ele tem uma velocidade assombrosa.
-Um vampiro é um ser assombroso, já li muito sobre eles. – O homem fez uma careta de medo.
-Mas também, ouvi falar de um lobisomem, a casa que foi roubada, aquela do estrangeiro misterioso, os guardas falaram que um grande lobo entrou na casa, mais ninguém diz o que ele roubou, mais todo mundo sabe que ele roubou algo, a cidade esta cheia de policiais ainda. – O homem parecia ter medo. – Isso e os monstros dos mares me deixam com muito medo, nunca atravessarei o mar, vivo bem aqui.
David sorriu e jogou um saco de moedas para ele, o homem pareceu surpreso com tanto dinheiro, sorriu e agradeceu milhares de vezes antes de sair porta a fora.

David foi se deitar sabia muito bem quem estava atrás dele, um vampiro. Há alguns anos atrás David nunca acreditaria nessas historias, mais hoje vivia uma delas, ele tinha uma maldição correndo em suas veias, e queria arrancá-la de qualquer maneira.
Ele foi filho de um ferreiro, por isso sabia lutar tão bem, seu pai o ensinara a manusear uma espada desde criança, ele ficou tão bom que vencera em um duelo o filho de um grande senhor, dono de varias terras e foi convidado a trabalhar para ele. David o ajudou em muitos negócios e virou seu braço direito, ate um dia, perto de um cemitério ser atacado por um...

Os pensamentos de David foram atrapalhados por um barulho, ele saltou da cama e pegou a espada, a narina dilata, um barulho de garganta degolada soou no corredor, ele puxou a espada da bainha, e a porta se escancarou.



O escuro do corredor tampava seu rosto que já era coberto por um capuz, seus grandes olhos vermelhos brilhavam por baixo do capuz, e ele deu um grande sorriso exibindo seus dentes muito brancos.
-Finalmente te encontrei. - Disse ele com uma voz fria.
-Você não é humano. – Disse David analisando o cheiro dele.
-Nem você. – Disse ele, dando um passo para frente, colocando a capa de lado deixando a mostra o punhal de um sabre.
-Então você é o imortal, porque veio atrás de mim?
-Você sabe me entregue os papeis para eu entregar ao meu senhor, e talvez o deixe viver. – Ele soltou outro sorriso maldoso.
-Então você trabalha para alguém. – David olhava a porta, era a única fuga.
-É. Ser imortal às vezes é chato, eu sirvo por diversão.
-Muito divertido. – Disse David com desdém.
Ele sorriu e puxando o sabre com a velocidade de um raio partiu para cima de David, que defendeu por agilidade, dando um salto para o lado. David atacava e esquiva tentando chegar à porta, só que ele não deixava isso acontecer.
-Não vai sair por ai.
Ele defendeu um golpe de David e o chutou na barriga, David conheceu a força descomunal de um vampiro quando foi arremessado pela janela e caiu no telhado do prédio vizinho. O vampiro deu um salto e caiu como pluma no telhado.
-Vamos levantasse, lute como um homem, ou não. - Ele sorriu.
David se levantou atacando o vampiro que começou a esquivar dos seus golpes, ele deu uma rasteira que fez o vampiro dar um salto, eles voltaram a duelar, lutando por cima dos telhados, quando o vampiro passou um golpe de espada baixo, David deu um pulo para desviar e com um rodopio acertou a cara do vampiro que cambaleou para trás.
-Vejo que você tem muita força, será divertido. Ele partiu para cima.
David conseguiu aproveita a precipitação do vampiro para enfiar a espada em sua mão, que a atravessou como manteiga.
Ele soltou um grande urro de dor, e depois sorriu.
-Isso não me mata.
-Mas fere, e deixa aberto por algumas semanas vazando o seu sangue. – Mostrou a mão sangrando do vampiro com um olhar vitorioso.
-Seu desgra... – Mais antes que levantasse a espada David cortou seu braço fora, o deixando com o toco de um braço e a mão ferida.
Com um grito de dor, David viu grandes asas surgirem das costas do vampiro e sofrer uma transformação para algo que lembrava um demônio, ele partiu para cima de David, o jogando a algumas casas de distancia, bate contra a parede de uma casa, David caiu e sua espada rolou pelo chão. O vampiro posou em sua frente.
-Vamos mostre o monstro que você é. – A sua voz era demoníaca.
-Tudo bem. Já estou com raiva de você mesmo.
O osso do ombro de David com um barulho de deslocamento cresceu alargando em duas vezes seu ombro, quase rasgando a pele, e foi assim com todo corpo sendo esticado. Seus dentes cresceram junto com as unhas, a pele de seu braço rasgou deixando a mostra um braço coberto de pelos, logo sua pele caia, e diante do vampiro estava um grande lobo, duas vezes o tamanho de David, que depois de transformado ficou em pé e uivou para a noite anunciando a batalha.

*Espada asiática de dois gumes, também chamada espada Tai Chi e Taijijian, usada por piratas orientais a mais de dois mil anos na China e Singapura. A jian tem lâmina afiada em formato de diamante, mais espessa no centro indo afinando até os gumes da espada, que, curiosamente, possue dois gumes, ao contrário de todas as outras espadas orientais.
Jonasdeth Santos Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2009
Código do texto: T1897001

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Comentários
02/11/2009 12h53 - Nay
AMEEEEI *-* Suas histórias como sempre muito boas (:
31/10/2009 19h32 - Vinicius Fuscaldy
Massa cara, parabéns!!!

Sobre o autor
Jonasdeth Santos Oliveira
Xique-Xique/BA - Brasil, 17 anos
44 textos (2002 leituras)
1 e-livros (26 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/11/09 10:53)

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