Capítulo 2 - O fim é um novo começo, o início de uma nova jornada.
Capítulo 2 - O fim é um novo começo, o início de uma nova jornada.
Nos EUA reinavam as trevas. Pedaços de corpos em chamas, grandes cidades como Nova York totalmente destruídas. Foi criado naquele momento um vazio demográfico. Com a queda daquele importante país, o resto do planeta entrava em crise.
A guerra foi rápida e cruel. O homem evoluiu muito, o que nesse contexto é algo paradoxal. O homem evolui a fim de aumentar as facilidades do seu dia-a-dia, e também evolui a ponto de destruir tudo o que criou, inclusive o que ele não criou, que é sua própria vida.
Ignorância? Fim dos resquícios de humanidade? Não. Isso tudo é culpa da imposição de uma sociedade, o que aconteceu no início dos tempos. Durante toda a história da humanidade, os não alienados foram condenados e sofreram por isso.
Na Europa acontecia, basicamente, o caos. A Rússia e os países do leste europeu estavam massacrados. Pelos EUA não foram utilizadas somente armas de fogo, mas também armas biológicas, muitas ainda nem testadas.
- Filha eu já te disse, e volto a repetir, não é uma boa hora para você ficar abusando de sair de casa.
- Mas o problema é que precisamos de lenha pra cozinhar! As reservas de gás foram todas destruídas!
- O mais importante agora é que você evite contato com o vento de radiação, ou com algum dos vírus que estão por aí. - Disse a mãe em um calmo tom, com a sequidão característica dos alemães.
- Mãe, Isaac saiu faz mais de duas horas e até agora não voltou! Estou morta de cansada! Você tem que começar a usar a vara com aquele menino. - Hannah estava vermelha de tanto nervosismo. Na verdade, ela queria sair. Não aguentava mais ficar trancada naquele escuro e fétido porão de casa. O penetrante cheiro de urina e fezes rapidamente chegava às suas narinas. Aquele lugar pequeno e escuro, a estranha e atormentadora calmaria de sua mãe, tudo aquilo se juntava e lhe causava um imenso desespero. Porém, durante sua criação lhe foi ensinado que era falta de educação a demonstração de emoções.
- Nesse caso, eu acho melhor você sair. - Helena proferiu sem demonstrar nenhuma sentimentalização.
- Ah obrigada mamãe! Juro que volto antes do anoitecer...- Disse Hannah já pegando seu casaco.
- Aliás, ele é seu filho. Faça o que quiser com ele.
Aquilo que a mãe disse lhe causou um arrepio na espinha como nunca tinha sentido antes. Helena era seca como o período de estiagem, não sabia que Hannah estava grávida novamente e muito menos que ela não voltaria nunca mais.
Raphael Miranda
Publicado no Recanto das Letras em 28/06/2008
Código do texto: T1055593
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