Aroldo Trindade - A Procura do Chupa-Cabra - Parte 1
Parte 1
Uma aventura espacial pra lá de maluca. Nossos herois deparam-se com criaturas estranhas e tecnologias muito mais estranhas ainda.
Embarcam em uma viagem muito louca pelo espaço.
Em algum lugar do espaço sideral, uma espaçonave Unapoueriana seguia seu destino para o planeta Chifron. Transportava um prisioneiro da raça Sarneyriana. Os Sarneyrianos são perigosos, acham que são deuses e que tudo podem, de tão longevos, parecem imortais. Todos têm bigodes. O bigode é como uma marca de soberania. Suas naves são em formato de bigode, suas casas, seus carros etc. Seus vizinhos do norte, os Gobals também usam bigodes, mas não tem nada a ver com os Sarneyrianos. Os Sarneyrianos não procriam apenas nomeiam outros de sua espécie para ocuparem cargos na sociedade, de preferência cargos importantes. Eles se reúnem em local secreto e sempre de forma secreta nomeiam alguém para algum cargo e da forma que acharem melhor. Vivem em um planeta côncavo em perfeita harmonia com os Suplicyterianos. Esta outra raça é mais calma e lenta, mas também são longevos, quase que imortais também. Gostam de usar cartões vermelhos, para ofender os outros, e, cantar em outra língua. Seus filhos nascem com cabelos sempre espetados e de cores estranhas. Quando nascem com cabelos cor de rosa são descartados. Um belo dia houve discórdia e desconfiança entre os Sarneyrianos e os Suplicyterianos. Então um Suplicyteriano mostrou a um Sarneyriano um cartão vermelho e este, então, foi levado pelos Unapouerianos para o planeta Chifron. O planeta Chifron é um planeta de descarte. Sempre que nascem filhos de Suplicyterianos com cabelos espetados e cor de rosa, e, Sarneyrianos que recebem cartões vermelhos, são descartados nesse planeta. Mas no meio do caminho ouve uma pane elétrica que deixou a espaçonave à deriva nas proximidades da órbita da terra.
Os Unapouerianos tem um vasto conhecimento do universo e as forças que o regem. Conseguem manipular qualquer DNA, clonar qualquer forma de vida. Comunicam-se por telepatia e conseguem assimilar qualquer língua falada, pensada ou escrita. Tem uma cabeça grande para pensarem melhor, olhos grandes para enxergarem melhor, orelhas grandes para ouvirem melhor e boca diminuta para não falarem quase nada. O sexo entre eles é praticado também por telepatia. Outras formas de vida que experimentaram sexo por telepatia, e que sobreviveram, relatam que não existe prazer igual. Eles te levam a décima quinta dimensão. É uma loucura.
Suas espaçonaves são imensas, parecem cidades voadoras que desbravam o universo. Tem o formato de um fresnoc. Fresnoc é como uma rosquinha, só que ovalada. Quem come um fresnoc recheado com blascow nunca esquece, blascow é bem parecido com o chocolate da terra, dizem que é tão bom quanto uma noite de sexo telepático na décima quinta dimensão com um Unapoueriano. Suas espaçonaves são capazes de voar a uma velocidade de até dez putzz. Um putzz é equivalente à velocidade da luz ao cubo dividida pelo número de cabeças draps. Draps são cabeças pensantes que refrigeram o propulsor cíclico de prolixidade ou redundância dependendo do modelo da nave, com pensamentos suaves e líricos. Algo Inimaginável para um ser humano. Um ponto muito importante é que os Unapouerianos nunca conseguiram resolver os problemas com panes elétricas. É uma frustração para eles.
O prisioneiro Sarneyriano aproveitou a situação da pane elétrica e fugiu dentro de uma cápsula, que caiu no planeta terra em meados de 1938, em Sergipe, mais precisamente em Poço Redondo. Um grupo com quatro Unapouerianos foi designado para caçar o Sarneyriano fujão e desceram até a terra enquanto os mecânicos consertavam a espaçonave. Acontece que o tempo para os Unapouerianos é diferente do tempo terrestre e o conserto de uma espaçonave Fresnoc pode durar em média cem anos terrestre, isso, se não precisar importar peças.
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Poço Redondo – Sergipe
1938
Um dia antes da emboscada que tirou a vida de Lampião
— Que trem cheio de luz é esse, não se pode nem cagar sossegado. — reclamou Lampião que pegou seu fuzil e foi verificar o que eram aquelas luzes.
Era madrugada e lampião só viu quatro vultos cabeçudos. Achou que era um grupo de cearenses, mas quando chegou perto viu que não eram. Tentou atirar com seu fuzil, mas uma força não o deixava apertar o gatilho, um dos Unapouerianos fez contato telepático com lampião que se assustou.
— Oxe! Como o cabra fala sem mexer a boca. É coisa do demo!
— Calma não precisa ter medo. Não vamos lhe fazer mal algum. Estamos procurando um prisioneiro que fugiu de nossa espaçonave.
Neste exato momento o fugitivo Sarneyriano saltou sobre um dos Unapoueriano, mordeu seu pescoço e começo a sugá-lo. Os outros se assustaram e esqueceram-se de lampião, que apertou o gatilho do seu fuzil acertando o braço do Sarneyriano que saiu em disparada pelo mato. Os Unapouerianos para mostrar gratidão deram ao Lampião um clone seu para fazer o que quisesse com ele e foram embora deixando para trás o Sarneyriano, que ficou conhecido como Chupa Cabras, e, um aparelho caído no mato que acabou sendo encontrado mais tarde por Lampião e entregue a Zaqueu antes de sua morte. (para entender esta passagem leia Aroldo Trindade o Caçador de Entidades e a Mula-sem-cabeça parte 1 e 2)
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Glicério – São Paulo
Dias de hoje
Alzheimer analisava o artefato possivelmente extraterrestre que Aroldo e Zaqueu trouxeram da última missão, quando de repente suas luzes começaram a piscar e emitir um som estranho. Uma forte dor de cabeça começou a incomodá-lo caindo desmaiado logo em seguida. Ficou desmaiado por umas duas horas.
— Al. Conseguiu alguma... Al! — gritou Aroldo vendo o amigo desmaiado no chão com o artefato ao seu lado.
Aroldo levantou o amigo e colocou-o sentado em uma cadeira. Alzheimer sacudiu a cabeça e agradeceu.
— Obrigado senhor Aroldo, não sei o que aconteceu este treco começou a piscar e emitir um som que me deixou zonzo... Incrível estes símbolos eu estou entendendo, mas...
— Como você está entendendo? O que são?
— Estes símbolos... é algum tipo de coordenada, não sei... uma localização! Longitude, latitude... Dorinha! Dorinha!
Alzheimer saiu da sala correndo atrás de um mapa e um GPS para verificar as coordenadas. Aroldo estranhou o amigo, pois ele nunca lembrava do seu próprio nome e agora estava conseguindo ler os símbolos no artefato extraterrestre.
— Zaqueu vem comigo! Al descobriu alguma coisa.
— Al descobriu alguma coisa? Tem certeza chefe? Ele nunca lembra de nada.
Al folheava alguns mapas e jogava as coordenadas no computador, mais alguns minutos e pronto.
— É isso! Este é o lugar. — apontava na tela do computador um local em um mapa virtual. — É aqui!
— O que é aqui? — perguntou Aroldo.
— É aqui neste ponto que faremos contato com eles! Os donos disto aqui! — balançou o artefato e desmaiou novamente.
Na tela e no mapa em cima da mesa estava marcado o ponto de encontro, São Thomé das Letras, Minas Gerais.
— Arrume as tralhas Zaqueu vamos passear até São Thomé das Letras em Minas Gerais e o Al vai com a gente desta vez.
A dupla estava pronta, tudo estava na vam, inclusive Al já recomposto do desmaio. Agora o trio rumava para São Thomé das Letras. Cidade do sul de Minas Gerais muito interessante. Conhecida pelo seu esoterismo, aparições de discos voadores, misticismo e lendas. Chegaram perto da hora do almoço. Acharam um restaurante o dono, Senhor Akira, um japonês muito cordial. Gostava de contar histórias. A comida era deliciosa. Conversa vem, conversa vai Aroldo perguntou ao Senhor Akira sobre aparições de Ovnis na região. Akira começou a contar que em janeiro de 1996 uma espaçonave que teve problemas ficou parada sobre a Igreja do Rosário, bem próxima de seu restaurante, ficou lá por uma semana com problemas técnicos, provavelmente uma pane elétrica, e que a espaçonave foi cair na cidade de Varginha. Foi quando surgiram relatos sobre o ET de Varginha...
— Senhor esta banana flambada com sorvete de creme está divina. — interrompeu Al.
— Deixe o Senhor Akira contar a história! — retrucou Zaqueu.
— Como eu estava dizendo. Uma noite quando sai aqui do restaurante no caminho para casa ouvi um barulho atrás de umas árvores, como sempre tive contato com os gnomos neste local, fui verificar. Não era um gnomo. Achei que era o Severino pelo tamanho da cabeça, mas quando cheguei perto vi outro ser, tinha estatura mediana com uma cabeça grande, olhos grandes, orelhas grandes e uma boca muito pequena, sua cor era um verde acinzentado. Começou a falar comigo por telepatia. Explicou-me sobre a espaçonave e que estavam procurando um outro ser fugitivo, de outra raça, que não a deles e nem dos humanos, mas que era muito perigoso. Escutei um barulho estranho e vi luzes em um aparelho na mão do Uma, — era assim que ele chamava os Unapouerianos —, que sumiu de repente. — Neste momento o aparelho na mochila de Zaqueu emitiu o mesmo barulho. Zaqueu tirou da mochila o aparelho e Akira se assustou.
— Como você tem um desses? Você é um Una? — perguntou Akira assustado.
— Não! Não sou. O que é Una?
— O que é não! E sim quem! Una é como eu os chamo. Na verdade eles são os Unapouerianos. São os ETs que vieram na tal espaçonave.
Al tomou o aparelho das mãos de Zaqueu, abriu seu laptop e inseriu os dados que apareciam no aparelho, que para os outros era incompreensível.
— Como você sabe traduzir isso? — perguntou Aroldo.
— Não sei... Apenas sei... Precisamos ir. — falou Al.
— Esperem ainda não acabei. — falou Akira.
— A espaçonave saiu daqui de São Thomé e logo depois ouvi rumores de que uma espaçonave havia caído em varginha, que o exército havia capturado um deles vivo e que tinha sido levado para a Escola de Sargentos das Armas em Três Corações.
— Senhor Akira. O Senhor conhece este local? — Al mostrou na tela de seu laptop um mapa do Google onde aparecia um local chamado de pirâmide.
— Sim. É um ponto turístico aqui da cidade. Levo vocês até lá.
— Mas precisa ser agora!
— Ok! Minha mulher assume aqui.
Chegando na tal pirâmide encontraram uns garotos fumando um baseado. Não faziam nada, só ficavam dando risadas quando viram o pequeno Zaqueu. Acharam que ele era um gnomo. O sinal no aparelho aumentou de intensidade e quando Al chegou no centro da pirâmide o aparelho emitiu uma luz vermelha muito intensa e formou uma imagem holográfica deixando todos boquiabertos, menos os malucos que fumavam o baseado, eles sempre viam coisas estanhas quando fumavam. Para eles era normal. A imagem formava um triangulo com um mapa.
— Vejam! É um triangulo isósceles com um mapa! — falou Zaqueu.
— Não! É um escaleno. — falou Akira.
— Vocês são péssimos em geometria. É um eqüilátero. — falou Aroldo.
— Não importa o tipo do triangulo. O que importa é o que ele quer dizer. — falou Al.
Al olhou o mapa no seu laptop. Ele mostrava as cidades de São Thomé das Letras, Varginha e Três Corações. As três cidades formavam um triangulo. No centro da imagem holográfica apareceu um circulo azul que aumentava e diminuía de tamanho e no local onde seria a cidade de Três Corações pulsava um ponto laranja. O ponto laranja mostrava onde estava aprisionado o Unapoueriano. O círculo azul não era nada, possivelmente uma anomalia no aparelho. Al anotou todos os números que apareciam. Quando a polícia chegou procurando os malucos, um deles correu e ficou atrás de Al que não percebeu que o garoto escondera em sua mochila um maço de baseados. Logo em seguida o policial prendeu o garoto e mandou Al desligar o vídeo game dizendo que ele já era bem grandinho para brincar com aquilo.
— É melhor irmos. Temos que ir até Três Corações. — falou Al.
— Por que? — perguntou Aroldo.
— Porque o alienígena capturado está vivo!
— E como você sabe?
— Apenas sei. — e Al desmaiou novamente.
O grupo saiu da Pirâmide e Akira que ajudava a carregar Alzheimer acabou indo junto na vam.
EsSA
Escola de Sargentos das Armas
Três Corações – MG
Estacionaram a vam próximo do quartel e aguardaram até de madrugada para poderem entrar.
— Qual o plano para vocês entrarem sem serem vistos? — perguntou Akira.
— É chefe como vamos entrar? — perguntou Zaqueu.
— Estou pensando em alguma coisa. — respondeu Aroldo.
Al acordou de repente. Estava desacordado desde a Pirâmide. Deu um pulo e falou:
— Não vamos ter problemas para entrar. Venham comigo.
— Akira, já que veio junto você fica na vam. Fique com este Ok Talk e pronto para qualquer eventualidade. — ordenou Aroldo.
— Mas...
Os três saíram e foram em direção ao portão de entrada. Um soldado que fazia a guarda os abordou.
— Parados! Quem são vocês?
— Nós somos da manutenção e viemos desentupir os banheiros. — Falou Al para o soldado.
Zaqueu e Aroldo se olharam não entendendo nada que Al estava fazendo. Tudo estava perdido. O soldado olhou na prancheta e não viu nenhuma autorização para manutenção de banheiros. Já ia chamando no rádio e apontando o fuzil quando Al estendeu a mão e falou novamente:
— Nós somos da manutenção e viemos desentupir os banheiros. Olhe novamente na sua prancheta.
— Desculpem! É verdade vocês estão autorizados.
— O Senhor não nos viu entrar.
— Eu não os vi entrar. — repetiu o soldado abrindo a cancela e virou-se na direção da rua ignorando-os.
— Você é um... Jedi? — perguntou Aroldo com cara de espanto e depois olhou para Zaqueu que também estava perplexo.
— Sigam-me! — foi a única palavra de Al.
— Ele não está normal. — falou Zaqueu.
— E desde quando ele foi normal? — perguntou Aroldo.
O trio seguiu até um prédio que ficava no fundo do quartel, a porta estava trancada e Al apenas estendeu a mão e a porta se abriu, deixando Aroldo e Zaqueu intrigados novamente, ao entrarem depararam-se com um salão vazio.
— Fim da linha! — resmungou Zaqueu.
Al não deu atenção a Zaqueu e foi até o meio do salão pegou o aparelho alienígena e apertou uma seqüência de símbolos. Um alçapão se abriu e uma escada apareceu.
— Venham estamos seguros.
Desceram a escada três andares. Dois soldados que faziam a guarda do local se assustaram e apontaram as armas na direção do grupo.
— Vocês vão abaixar as armas, sair e procurar prostitutas. — Al falou estendendo uma das mãos na direção dos soldados que atenderam a sua ordem.
Uma porta de vidro embaçado separava uma ante-sala. Um dispositivo de segurança na porta impedia a entrada só abria com senha. Al encostou a palma da mão no teclado e como um passe de mágicas a porta se abriu, revelando um enorme aparato eletrônico e vários computadores interligados. Em um dos cantos um cilindro de vidro com uns dois metros de altura, cheio de um liquido verde-transparente e luminoso, guardava no seu interior o ser extraterrestre. Al encostou a mão novamente em outro painel e o cilindro começou a se esvaziar. Aroldo e Zaqueu não acreditavam no que viam. Era realmente um ser extraterrestre. Tinha uma cabeça grande, talvez para pensar melhor. Tinha um olho enorme, talvez para ver melhor. Tinha uma orelha também enorme, talvez para escutar melhor. Mas a boca era bem pequena. Como eles se comunicava por telepatia à boca só serviria para se alimentar. Al abriu o cilindro colocou sua mão direita na direção de seu coração e a sua mão esquerda na virilha do ser que arregalou seus enormes olhos por um momento com um ar de medo, depois de conforto e sorriu com sua pequena boca. Aroldo e Zaqueu se olharam novamente.
— Por que você colocou sua mão no... na... Ah! Sei lá. Aí nele? — perguntou Aroldo.
— Porque é ali que fica o coração deles. — respondeu Al. — Vamos, precisamos levá-lo.
Definitivamente Alzheimer tinha alguma ligação com esses ETs.
Conseguiram levar o Una para a vam. Akira os aguardava com as portas abertas e o carro ligado. Quando passaram com a vam pelo segundo quarteirão o alarme do quartel disparou.
— Senhores! Este ser precisa de cuidados médicos que não possuímos aqui. Mas não podemos levá-lo a nenhum hospital. — falou Al.
— É... Humm! Eu sei quem pode ajudar, mas teremos que voltar para São Thomé das Letras. Temos que encontrar o Chico Taquara. Ele pode ajudar.
“Chico Taquara é um velho curandeiro com poderes mágicos e que vive em uma gruta perto da cidade Ficou muito conhecido pelas curas milagrosas que fazia, os antigos moradores que tiveram a oportunidade de conhecer essa estranha criatura juram que o viram conversando com animais”.
Chegaram em São Thomé quando já estava amanhecendo e foram direto procurar a gruta onde morava Chico Taquara.
Em Três Corações o exercito procurava informações e pistas de quem havia levado o extraterrestre. A única pista que tinham até o momento era de um mendigo que dormia perto do local e que jurava ter visto um disco voador descer do céu, e que quando a porta do disco se abriu ele viu a Xuxa, o Presidente Lula, a Ministra Dilma e o Paulo Maluf fazendo um bacanal regado a muita cachaça, mas que ele mesmo não confiava no que tinha visto, pois havia bebido muita cachaça inclusive da mesma marca que era servida no bacanal.
Para chegar até a gruta tiveram que fazer vários desvios para não encontrar com ninguém nas trilhas. Zaqueu estava com vontade de fazer xixi e foi para trás de uma moita, não se deu conta que do outro lado passava uma trilha onde um guia levava uma família de turistas até uma cachoeira próxima e que pelo fato de ser bem dotado não percebeu que seu membro transpassou a moita deixando-o à amostra. Uma garotinha, que estava junto, viu a movimentação no arbusto e foi verificar. Voltou gritando para junto do grupo dizendo que tinha visto o saci-pererê, ele era negro e tinha um capuz vermelho na cabeça. Zaqueu também se assustou com o grito da garota vestiu as calças e voltou correndo para junto do seu grupo. Este fato causou uma grande confusão porque o guia turístico falou que na região não existia saci, somente gnomos. O pai da garota se ofendeu dizendo que a filha dele não era mentirosa e um empurra, empurra começou. Nesse empurra pra lá e puxa pra cá o filho mais novo da família escorregou e caiu dentro da cachoeira sendo levado pelas águas. Aconteceu que todos foram parar na delegacia e até a hora do almoço nenhum vestígio do menino havia sido encontrado.
Chegando na gruta Akira chamou por Chico Taquara. Al e Aroldo colocaram o Unapoueriano desacordado, deitado no chão. No fundo da gruta uma luz brilhava em meio a uma nevoa densa. A luz sumia e aparecia, foi chegando mais perto. O efeito que a luz proporcionava para quem estava olhando era lindo. Todos estavam maravilhados, realmente o homem era especial. Ouviu-se uma voz, e em meio a nevoa um homem apareceu.
— Saco! Filho da puta de camelô! Estas pilhas que ele me vendeu devem ser do Paraguai. — o homem batia no fundo da lanterna como se isso fosse fazer a lanterna acender. — Oi! Desculpem! A lanterna está com defeito... — falou o homem.
— Olá! — cumprimentou Akira.
— Olá! — respondeu o homem.
— Mas... o Senhor não é o Ney ...? — perguntou Aroldo assustado com a aparência do homem.
— Não! Não sou o Ney Latorraca não! Se é isso que você vai me perguntar. Sou Chico Taquara. — respondeu o homem furioso por que toda vez que alguém olhava para ele perguntava a mesma coisa.
Era impressionante a semelhança com o Ator Ney Latorraca, até a voz era igual. Ele já não sabia mais se as pessoas procuravam por ele, Chico Taquara ou se era o Ney Latorraca. Até autógrafo pediam a ele.
— O que vocês querem aqui?
— Ele está mal. — falou Akira apontando para o Una.
O homem olhou o ser deitado no chão e achou impressionante o tamanho da cabeça, olhos e orelhas como eram grandes. E a boca então, era muito pequena. Ser discreto era uma peculiaridade de Chico Taquara. Nunca perguntava por que, de onde, quem foi e outras coisas. Ajudava porque gostava e foi examiná-lo. Passou a mão pelo corpo do ser, mas sem encostá-las. Parou na região da virilha e ai então encostou a mão. Falou algumas palavras que ninguém entendeu. Fez uma reza que ninguém entendeu também. Pegou um vidrinho com um óleo avermelhado, esfregou nas mãos e passou em suas próprias axilas. Continuou a reza que só ele entendia. Às vezes nem ele.
— O que tem neste vidro Senhor? — perguntou Zaqueu.
— Isso aqui? — chacoalhou o vidrinho. — É porquê eu saí de casa sem passar desodorante... O amigo de vocês está mal. Só tenho um remédio para ele. Vamos virá-lo de bruços... Por favor, o senhor pode me passar aquele toco ali?
— Este aqui? — perguntou Zaqueu intrigado.
— Não o maior!
— Este aqui?
— Não! Aquele ali que é mais grosso.
— Este aqui?
— Não! Aquele grosso e bifurcado.
— O que o senhor vai fazer com este toco?
— Vocês vão ver. Amiguinho? Relaxa!
O ET deu um pulo ao ver o toco grosso e bifurcado e recostou-se na parede, assustado e com a respiração ofegante.
— Estão vendo! Este é o melhor remédio. Todo mundo quando vê o tamanho e a grossura deste toco aqui melhora. Só uma vez que não deu certo, mesmo depois que enfiei o toco no sujeito ele não acordou. Sei lá. Acho que ele já estava morto.
Aroldo olhava para o homem e pensava. Como era impressionante a semelhança com Ney Latorraca. Não era possível. A voz! Era o Ney. Tinha que ser.
O ET logo reconheceu Akira. Foi com ele que tinha se encontrado antes do acidente com a espaçonave em Varginha. Viu o aparelho na mão de Al. Tentou falar alguma coisa, mas ninguém entendeu. O som que saia de sua boca diminuta era estranho. Soava como se uma pessoa fanha tentasse falar de dentro de um barril de aço azul, cheio de petróleo do tipo Brent Crude, extraído do Mar do Norte. Era muito, muito estranho. Ele estava desnorteando e não conseguia usar sua telepatia. Pegou o aparelho das mãos de Al e digitou alguma coisa nele. Algumas palavras de baixo calão, em várias línguas, foram projetadas no teto da gruta, inclusive, em guartendalzanes um dialeto falado em uma das 17.535 províncias de Zakzonzéba III.*.
* Zakzonzéba III – "Terceiro dos três planetas situado no quadrante norte do aglomerado de galáxias 7, fica a 3.585.738 anos luz da terra. Planeta muito medíocre. Seu povo é medíocre, sua fauna é medíocre, sua flora é medíocre. Tudo lá é tão medíocre que chega a ponto da mediocridade total e plena imperar por lá".
Talvez o alienígena estivesse furioso com o método de cura utilizado pelo velho Chico Taquara.
O grupo agradeceu Chico Taquara e foram embora. Aroldo ainda não convencido de que o homem não era Ney Latorraca, pediu para que ele imitasse o personagem Barbosa. Irritado Chico taquara arremessou a lanterna em Aroldo, mas acertou a parede e a lanterna caiu acesa no chão.No caminho de volta o ET já estava melhor e se comunicou com Alzheimer.
— Pessoal! Temos que chegar no ponto de encontro. O Una está se comunicando comigo por telepatia, temos pouco tempo uma espaçonave está vindo buscá-lo. O local é este aqui. — apontou um local no mapa. — Vai levar uma hora e meia para chegarmos lá.
O grupo chegou na vam e saíram em disparada para o tal ponto de encontro, Passaram em frente à delegacia onde um senhor revoltado espancava um guia turístico e os policiais tentavam separar. Zaqueu se encolheu no banco da vam assustado. Ao entrarem na estrada principal um comando do exército que estava logo à frente parou a vam. Al estava no banco da frente estendeu a mão na direção do soldado e falou:
— Olá! O senhor não tem nenhum interesse neste veículo ou em seus passageiros. Volte e dê um beijo em seu comandante. Podemos prosseguir.
— Olá! Eu não tenho interesse em vocês. Vou voltar e dar um beijo no meu comandante. Podem prosseguir.
Aroldo saiu com a vam o mais rápido possível, ficou olhando pelo retrovisor e começou a rir quando viu o soldado beijando o comandante, mas ficou sério e assustado quando o comandante sacou a arma e deu três tiros no peito do pobre soldado. Olhou para Al com medo.
Chegaram ao local sendo perseguidos por três jeeps e dois helicópteros do exercito.
— É aqui! Pare! — gritou Al.
Aroldo de uma freada brusca e um cavalo de pau. Desceram todos da vam e se afastaram alguns metros. O Una digitava alguns símbolos no aparelho que emitiu um sinal sonoro e um facho de luz verde em direção ao céu. Viu uma joaninha no chão quase sendo esmagada por Aroldo. Tão singelo, se abaixou pegou a joaninha com muito cuidado, fez uma caricia e a mandou embora sã e salva. O exercito chegou e cercou o grupo. Um atirador de elite estava com a cabeça do ET na mira. — Nossa! — pensou o atirador. — Como a cabeça dele é grande! — e apertou o gatilho...
Continua
Gerson Balione
Publicado no Recanto das Letras em 14/10/2009
Código do texto: T1865742
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