Mortensen e Kareene - Parte III - A Nova Era dos Vampiros
PARA QUEM LEU AS DUAS PRIMEIRAS PARTES DA SAGA, SEGUE O RESTANTE...ESTÁ DIVIDIA EM 8 CAPÍTULOS, ESTE ÚLTIMO, COMO NÃO COUBE, COLOCAREI APÓS ESSA POSTAGEM. PORTANTO, LEIM PRIMEIRAMENTE ESTE DEPOIS O OUTRO..
ESPERO QUE GOSTEM DO DESFECHO!
T.TZEPESCH__________________
A pequena Sarah era uma garotinha de seus dez anos de idade. Meiga, delicada, sensível, linda! Tinha olhos esverdeados, cabelos acastanhados, olhos puxadinhos. Enfim, uma princesinha a qual, na maioria de suas noites, vinha regada a pesadelos, vozes estranhas, sussurros...
Sua mãe, a belíssima e rica Natasha Huston, era viúva há três anos e meio. Dona de uma imensa rede de lojas de roupas femininas, fazia o possível para dar o melhor à sua filha; não só materialmente, mas, principalmente no lado emocional e psicológico. Mesmo com uma grande intensidade de trabalho, em suas horas vagas passava todo o momento com Sarah.
De uns tempos para cá os sonhos da menina eram mais constantes, o que preocupou sua mãe levando-a a uma grande amiga terapeuta, Dra. Manuelle.
As consultas corriam duas vezes por semana em um dos consultórios de Manuelle. A pequena Sarah não apreciava tais consultas, dizia que além de ser muito cansativas eram “chatas”, segundo suas próprias palavras.
Dra. Manuelle tinha muita paciência e carinho com Sarah, afinal, além de ser amiga da família, a doutora era fascinada por crianças.
Capítulo I – O trono
Aos arredores de Sarah, o casal Mortensen e Kareen permanecia zeloso à sua protegida. Eles estavam em um nível de energia mais sutil, o Vale dos Vampiros Remanescentes.
Sarah, reencarnação da filha do casal, agora tinha outra família, mas, corria em sua alma o legado diabólico doado por Alleiswach. Mesmo tendo reencarnado, sua memória de vidas passadas ainda permanecia, através de sonhos e insights.
Não foi à toa que Vladwish lhes deu esse fardo, em continuar suas jornadas, mesmo em outro plano, ao lado de sua herdeira; Sarah!
O Vale dos Vampiros Remanescentes era belíssimo! Uma espécie de ilha paradisíaca além dos planos da matéria. Imensas árvores e colinas verdejantes, um mar de uma tonalidade azulada-transparente; mas, com uma condição, jamais o dia reinava naquele lugar. Somente a escuridão, pois, ainda em outro plano seus olhos ainda eram dotados de fotofobia. Independente disso, o lugar era belo!
Muitos ali, já estavam há séculos zelando pelos seres humanos, outros, já subiram alguns patamares, ajudando a horda em outros afazeres e iniciações. O clã draconiano agora não passava de algo espiritual, a matéria já pertencia a outras eras; mas um dos vampiros ali presentes possuía uma grandiosa audácia: tomar o trono de Vladwish. Malkuth, como era conhecido um dos vampiros soldados do líder, almejava tal poder! Liderar todo o clã e materializar os seres remanescentes em imortais na terra dos humanos.
Malkuth,.ainda era por demais materialista. Mas, Vladwish o todo-poderoso, sabia de seus planos e antes que o pior acontecesse resolveu tomar algumas atitudes no Vale dos Vampiros!
Em um dos intervalos de Mortensen, enquanto Kareene revezava a proteção de Sarah; Vladwish chamou o vampiro para um salão, onde uma imensa távola permanecia ao seu centro.
- A que devo a honra Vladwish?
- Sente-se Mortensen, sente-se!
Valdwish era o extremo superior de todos os vampiros existentes. Nenhum era tão poderoso quanto ele. Mas, depois de séculos, seu legado estava chegando ao seu final e com isso, seu poder não era mais o mesmo. Ele possuía cabelos brancos e longos, olhos azuis-piscina, mãos pontiagudas e corpo ainda esguio.
Com sua voz, já trêmula iniciou a conversa com Mortensen.
- Mortensen meu caro, conheço bem você desde que seu pai adentrou-o à Ordem Draconiana. Acompanhei praticamente sua vida, seus deslizes, sua vitórias, suas angústias, sua vida como mortal; enfim, o conheço com muito afinco, além de conhecer todas as suas qualidades não só como vampiro, mas também como ser humano que algum tempo, o foi. Como você sabe, meu legado está chegando ao seu término. Eu, juntamente com o senado, decidimos colocar no trono da Ordem alguém de extrema confiança e nobreza, alguém com vitalidade, poder mental e psíquico, e acima de tudo; responsável não só por seus atos mas também responsável por todo o clã e a administração deste. Você foi o mais votado a ser o meu futuro promissor. Dentro de alguns dias, você herdará o trono da Ordem Draconiana e zelará para que nenhum ser desse Vale encontre o portal de entrada para a terra, pois, já tivemos problemas demais por séculos, com vampiros os quais nos desobedeceram e as forças do mal.
Mortensen, sem saber o que dizer permaneceu inerte àquela conversa toda. Vladwish era demais sábio. Como o próprio vampiro-mor estava o convocando para aquele diálogo, confiava muito em suas palavras.
- Mas, como farei para administrar todo esse império que por séculos, você teve a cautela e o dom em ser um líder nátuo? Não precisaria eu, de um preparo?
- Mortensen, além de você ser um vampiro especial você terá o senado ao seu lado. Eles são de minha total confiança. Jamais decidirá algo sozinho, nossos amigos o ajudarão. Além disse terá ao seu lado, sua rainha, Kareene.
Mortensen, sorridente, ainda perguntou.
- Mas, e você? Para onde vai?
- Bem, ninguém de vocês jamais souberam aonde um vampiro líder iria após o seu legado. Somente o próximo herdeiro do trono e o senado haveriam em saber. Com isso, lhe direi de uma forma que compreenda e jamais se esqueça, pois um dia, você também irá para tal lugar. – explicou o Vladwish. – Bem, estamos aqui, no Vale dos Vampiros Remanescentes; um lugar menos denso do que a terra, energeticamente falando. Nós, lideres, depois do legado subimos mais um degrau na evolução dos vampiros, assim como os humanos possuem. É um lugar ainda mais sutil, onde apenas nossas almas poderão subir. Isso quer dizer, através de um ritual, serei sacrificado.
- Sacrificado?
- Sim. Na câmara dos sacrifícios, localizado abaixo dessa sala a qual estamos.
- Mas, me diga Vladwish, quem o sacrificará?
- O herdeiro do meu trono – Você!
Pela fresta de uma das portas alguém os observava, era Malkuth. Sua revolta e inveja aos poucos o tomava. Vladwish sabia de suas pretensões, mas, jamais imaginava algo doentio.
Capítulo II – O fardo de Sarah
- Mamãe, é hoje que irei conversar com a Dra. Manuelle?
- Sim querida, estamos indo agorinha mesmo para lá!
- Mamãe, eu não quero ir. – resmungou a pequena.
- Querida, prometo que será por pouco tempo, certo? As consultas já estão chegando ao seu final.
- Tudo bem! - olhou a pequena para a janela do carro, admirando a paisagem da estrada regada a arbustos.
Quando a pequena garota olhava para fora, sentiu a presença de alguém ao seu lado. Totalmente eriçada, disse à sua mãe:
- Mamãe, aquela vampira está aqui do meu lado novamente.
Imediatamente, Natasha parou o carro, virou para trás, onde estava sua filha e a abraçou.
- Tudo irá acabar bem Sarah, lhe prometo. Dra Manuelle conseguirá livrar isso de você, meu amor – acarinhou a mãe.
Kareene jamais faria mal algum à menina, afinal, além de sua protegida Sarah era a reencarnação de sua filha.
Depois de mais algum tempo dentro do carro, chegaram ao consultório de Manuelle.
- Bom dia minha princesinha, como vai você? – abraçou e beijou Manuelle incessante a garotinha.
- Vou bem Manu! – respondeu sorridente a pequena.
- Oi Natasha, como vai você? – abraçou a amiga.
- Caminhando Manu!
- Vamos, entrem.
E assim entraram. O consultório era ornado com muitos vasos de orquídeas, gérberas, dentre outras flores maravilhosas. As paredes em tom verde bem clarinho, dava aquele ar de tranqüilidade.
Mauelle fez com que a garotinha entrasse antes na sala, para conversar com Natasha.
- Natasha, precisamos coversar!
- Diga Manu!
- Bem, você sabe que o tratamento estaria chegando ao seu final, mas, como já lhe disse anteriormente, quero partir para a regressão a partir de hoje. Apenas algumas sessões!
- Ai Manu, você sabe que sou contra.
- Natasha, pense no bem estar de sua filhinha! Pense que com a regressão ela possa ter alta de toda essa gama de tratamento psicológico.
- Okay Manu. Inicie o tratamento, mas por favor, não a force a nada, certo?
- Confie em mim Nat.
E assim ambas entraram na sala enquanto a pequena Sara as aguardava ansiosa.
Manuelle pediu para que a garota se deitasse no divã, e por ali, iniciou o tratamento com uma conversa.
Explicou-lhe que este iria prosseguir por mais algumas sessões e que ela se sentiria mais tranqüila a partir daquele momento.
Manuelle iniciou a conversa perguntando novamente por suas visões e pesadelos.
Sarah disse:
- Em meus sonhos, me vejo fazendo o mal Manu. Em meus sonhos, parece que tenho dois chifres na testa. Pareço um “bambi” Manu. – apontou para a sua testa às gargalhadas.
Manuelle sorriu juntamente com a menina, mas, olhou preocupada para a mãe.
Sabia que tinha algo de muito errado nos sonhos e visões da menina.
- Sarah, tente se lembrar de seus últimos sonhos.
- Não quero falar sobre eles! Agora quero falar sobre ela. – apontou para trás de Manuelle.
A psicóloga, um pouco estupefata, olhou para trás e depois disse à Sara:
- Ela quem Sarah? A vampira de seus sonhos?
- Sim, ela está bem atrás de você.
Sarah via Kareene de uma forma transparente, com seus cabelos negros escorridos pelos seios de sua face e por seus ombros. Parecia realmente uma morta-vida. Aliás, uma belíssima morta-viva.
Natasha, preocupada, olhou atônita para a amiga.
- Sarah! – disse Manuelle – como essa “vampira” apareceu para você?
- Ah desde quando eu era nenen, Manu! – respondeu com ar inocente.
- Certo, vamos fazer o seguinte agora princesinha. Feche seus olhinhos. Isso, assim. Tente relaxar e não pensar em nada certo?
- Tá!
- Vou contar até dez e perguntarei algumas coisas para você.
E assim iniciou a contagem.
Ao seu término, Manuelle começou as perguntas.
- Sarah, me conte seu último sonho. Permaneça com os olhos fechados, certo? O que você vê?
- Ta escuro aqui! – respondeu desconfortada a garotinha.
- Você ouve alguma coisa? Vê algo?
- Tem alguém falando baixinho Manu! Tô com medo.
- Okay, estou aqui honey, estou com você! Sinta minha mão em sua mão.
- Manu, alguém está se aproximando.
- É a vampira?
- Não, não é a vampira!! Ahhhhhhh – gritou estridente e sibilante abrindo os olhos.
- Calma querida, estou aqui. – abraçou Manuelle a garota, que aos prantos a abraçou forte.
Natasha vendo tudo aquilo disse a Manuelle:
- Não vai dar certo Manu!
Manuelle, abraçando a menina, apenas sinalizou à mãe de Sarah que tudo correria bem.
Depois de algum tempo acalmando a pequena, resolveram sair para comer algo.
Natasha, pegou sua filha no colo e rumaram para o outro lado da rua, onde se localizava uma espécie de lanchonete.
Manuelle lhes disse para irem ao local enquanto ela arrumava suas coisas.
E assim fizeram.
Manuelle, era muito organizada. Estava colocando em ordem alguns prontuários, alguns livros os quais estavam em cima da mesa e parou um pouco para refletir sobre a consulta com Sarah. Algo a intrigava.
Fechar os olhos, sentada em sua cadeira, com suas mãos na testa ouviu:
- Shshsshaaassshshshs.... – um ruído sussurrante e caótico.
Olhou à sua volta assustada.
Novamente o ruído se fazia presente e o calafrio intenso percorria sua espinha.
Sentia frio. Raspava suas mãos em seus braços a fim de se esquentar.
Então, viu uma espécie de lodo escorrendo do teto de sua sala.
Manuelle levantou-se imediatamente encarando aquela coisa asquerosa, que sibilava aquele som aterrador e tétrico - Shshsshaaassshshshs....
Manuelle então pegou sua bolsa e saiu correndo do consultório. Sentia que algo a seguia, que alguém a observava. Tentou se conter, mas, um toque frio em seu ombro a deixou estarrecida fazendo com que corresse para fora dali.
Atravessou a rua sem olhar para os lados, correndo afoita quando violentamente um caminhão a atropelara fazendo suas tripas saltarem para fora de seu abdômen, suas pernas se retorcerem, seus olhos saírem de sua face e seu cérebro ficar estampado na caraça do caminhão. Pedaços de Manuelle foram vistos por Natasha e Sarah de uma das cadeiras de dentro da lanchonete. Natasha vendava os olhos da filha com suas mãos.
As pessoas afoitas corriam em direção do acidente e presenciavam a cena mais nefanda de suas vidas. O motorista desceu, mas nada pôde fazer, apenas acompanhar os restos mortais de Manuelle.
Dentro de poucos minutos o resgate, a polícia apareceram. Para a limpeza do local.
Sem mais pensar, Natasha e Sarah correram na direção do carro, a fim de sair daquele local pesado. Natasha não se conformava. Chorava aos cântaros.
Sarah permaneceu estática, quando do outro lado da rua presenciava um espectro negro levando a alma de Manuelle.
Manuelle olhava meio que desforme para Sarah, chorando e pedindo ajuda, estendendo uma de suas mãos. Sarah estendeu a sua também como forma de tentar ajudá-la. Aos poucos a figura tétrica ia consumindo Manuelle até essa desaparecer por completo. Sarah,fechou seus olhos e entrou com a mãe dentro do carro com seu coraçãozinho batendo a mil por hora.
O que ou quem haveria feito algo de tão terrível à Manuelle? Por que isso aconteceu?
Capítulo III – A ajuda de Kate
Enquanto isso em outro plano, Kareene se perguntava rebelada:
- Por que não me deixaram ajudar aquela moça? – chorava revoltada a vampira.
Um ser então, ao seu lado a acalmava dizendo-lhe.
- Mantenha a calma Kareene.
Era uma vampira, mais velha e com mais tempo ali no Vale dos Vampiros.
Kareene olhou para ela e perguntou?
- Me diga, por quê?
- Kareene, sua protegia é a garotinha e não aquela moça. Você não pode controlar o destino das outras pessoas. Por algum propósito chegou o momento dela.
- Não era a hora dela, eu presenciei.
- O que presenciou querida? – Perguntou a vampira Kate.
- Um espectro negro fazendo com que a moça se assustasse e não prestasse atenção no momento em que atravessara a rua. Então, aquele fatídico acidente aconteceu.
Kate, um pouco pensativa, lhe disse:
- Venha Kareene, vamos andar um pouco para você se distrair. Sua protegida nessa momento não precisa de você, ela precisa de descanso. Mas, o emocional dela está fraco, portanto, quando Sarah for dormir esteja preparada
- Preparada para quê?
- Lembre-se de uma coisa Kareene: nem tudo o que vemos é real, mas tudo que fazemos se impressa na realidade.
Kareene um pouco confusa guardou as palavras daquela sábia vampira.
- Me desculpe, eu estava tão atordoada que ao menos perguntei seu nome.
- Kate. – sorriu a vampira.
- O que você faz aqui? – indagou curiosa Kareene.
Kate apenas sorriu e permaneceu em silêncio por alguns momentos.
- Sou a rainha, mulher de Vladwish!
- Perdão minha alteza, por estar pensando somente em mim e nem lhe ter perguntado anteriormente.
- Fique tranqüila Kareene, estou aqui somente para lhe ajudar. A partir de agora seu marido não estará mais com você na proteção de Sarah.
- Não? Mas, por quê?
- Vladwish o preparará para o trono do Vale dos Vampiros. Você será sua rainha sim, mas terá de cumprir a missão de proteger sua filha.
- Você quer dizer, a reencarnação de minha filha, não?
- Não! Ela continua sendo sua filha. Ela é parte de sua essência.
- Mas, por que então ela sente medo ao sentir-me ou me ver protegendo-a?
- Crianças. Mesmo inconscientemente sabendo que você é uma boa vampira, elas ainda temem, como todos os seres humanos, o desconhecido. Apesar de você não ser uma desconhecida para ela. Entenda, ela está tendo insights de sua última vida, portanto, não está nada fácil para ela digerir toda essa gama de maldade que a acompanhou através desses tempos. Sua filha precisa muito de você, de sua proteção. Alleiswach deixou impresso na alma de Sarah, uma centelha de maldade, quando a garota esteve naquela bolsa d´água. Onde crescera rapidamente e fora tirada de sua barriga, Kareene. Zele por ela, porque o mal está chegando em suas variadas formas e anseios, não a abandone, principalmente em seus sonhos. Os pesadelos de Sarah são o portal para a entrada do mal nela e na terra. Sua filha é a chave de tudo e cabe você colocar essa chave no lugar correto. Abrir a caixa de Pandora pode ser algo extremamente desastroso para a terra e para toda nossa horda.
Kareene, atenta a cada palavra de Kate, inspirou profundamente e prosseguiu a caminhar ao lado de sua nova mestra.
- Mas, e Mortensen, não poderá mais me ajudar a proteger Sarah?
- Os assuntos de marido agora são totalmente políticos e éticos. Ele ajudará sim, você, com seus conselhos e amor. Amor este que vocês herdaram de suas vidas como mortais. Nenhum vampiro havia sentido o que vocês sentem um pelo outro. Nem ao menos eu e Vladwiish o sentimos. Temos uma cumplicidade, uma espécie de irmandade; maravilhosa, sim; mas, não chega a proporção do amor que vocês dois tem um pelo outro. O amor vence tudo querida, tudo!
Kareene prestava atenção em cada passo, em cada palavra de Kate.
- Kate, me explique algo que está me deixando com dúvidas? – perguntou-lhe em frente ao belíssimo e transparente lago ornado em suas margens com plantas e flores das mais variadas espécies.
- Pergunte minha querida.
- Quando Mortensen e eu assumirmos o trono, para onde você e Vladwish irão?
- É uma pergunta, segundo nossas tradições, pertinente somente aos homens. Aos que comandaram ou comandarão o Vale dos Vampiros. Só lhe digo eu e Vladwish, iremos para um lugar suntuoso, belíssimo, mais sutil e mais pacífico.
Kareene, alegre pela felicidade espontânea que Kate denotava, sorriu ao lado da vampira mestra.
Capítulo IV – Traição
Mortensen, passou o dia todo ao lado de seu, futuro antecessor. Aprendendo algumas técnicas psíquicas e poderes físicos.
Iniciaram a trajetória do vampiro com a arte de mover objetos com a mente.
Pegaram alguns objetos e Vladwish fazia com que Mortensen, através de sua mente, manipulasse algum objeto específico que ele apontava.
No início, Mortensen, meio que confuso, manipulava todos ao mesmo tempo. Fazendo com que estes percorressem os limites do ar e fossem em sua direção.
Vladwish com muita calma explicara como deveria ser e as táticas em uma batalha.
Como derrotar o inimigo usando essa técnica com perfeição. Pois, qualquer erro poderia ser fatal.
Depois de algum tempo treinando, do lado de fora da fortaleza de Vladwish. Alguns soldados, dentre eles Malkuth, iriam participar do treinamento com espadas.
Alguns vampiros pertencentes ao senado, também estavam por lá.
Há alguns metros dali, Kareene disse a Kate;
- Veja Mortensen!! – disse alegremente.
- Sim Kareene, tudo aquilo faz parte do treinamento que Vladwish passará a ele.
- Podemos acompanhar o treinamento Kate?
- Certamente, venha!
E andaram na direção da arena a qual os treinos estavam prestes a acontecer.
Vladwish, com uma roupa prateada, deu a Mortensen uma espada toda ornada com palavras na língua do clã, desenhos maravilhosamente vampíricos e lâmina afiadíssima.
Mortensen permaneceu absorto diante de tanta beleza e perfeição.
Vladwish então, chamou o chefe dos soldados, Malkuth para que esse iniciasse o treino de Mortensen.
Malkuth tinha uma franja comprida toda despontada, cabelos curtos e negros, pele pálida, boca rubra e carnuda. Olhos acinzentados quase que brancos, um tanto quanto exóticos e medonhos.
Brandiram suas espadas, cumprimentaram-se seguindo as tradições do clã e iniciaram o treino com uma aparente luta.
O som choroso do toque das lâminas soava como uma sinfonia aos ouvidos de Vladwish, que viu seu sucessor se sair muitíssimo bem, diante da perfeita técnica de luta de Malkuth. Ele se esquivava de forma rápida e intrépida, a cada movimento mais brusco de Malkuth.
Muitos vampiros ali, presenciavam também o treino. Somente o senado, os soldados, os líderes (Vladwish e Kate), Kareene e Mortensen; eram providos de poderes. O restante dos vampiros que viviam ali, apenas lhes eram oferecidos uma vida mais digna e mais tranqüila, longe de batalhas e sangue.
Malkuth, percebendo o dinamismo de luta que Mortensen apresentava, percebeu o quanto o vampiro poderia ser uma pedra em seu caminho. E assim, começou a se irritar.
A cada golpe de Mortensen, Malkuth respondia com mais violência preocupando Vladwish.
Kate olhou com um olhar de reprovação para o marido, mas esse apenas gesticulou, dando sentido de que gostaria que a luta continuasse.
Mortensen, percebendo a ira do até então treinador, começou a responder com golpes mais fortes e precisos, até que em um dos toques entre as lâminas, Mortensen feriu Malkuth em seu ombro, rasgando-lhe a roupa.
Mortensen se desculpou, mas Malkuth não o ouviu, dando-lhe um chute, fazendo voar sua espada e esse cair ao chão. Aproveitando da fragilidade que seu oponente permanecia, Malkuth em um gesto preciso, lançou sua espada contra o coração de Vladwish, depois, em um só pulo arrancou a espada do peito do líder e decepou a cabeça deste. O pior havia acontecido.
Quando os soldados mais fiéis de Vladwish e parte do senado se voltaram contra Makuth, eis que surgiu a surpresa. A maior parte dos outros soldados havia se aliado a ele, e antes que houvesse reação, estes já se precaveram apontando suas espadas e presas aos inimigos.
Malkuth ainda retornou, apontou a espada ao pescoço de Mortensn e pediu para que ele se levantasse imediatamente.
Kareene, atordoada tentou correr para abster Malkuth, mas, Kate a segurou pelo braço balançando negativamente a cabeça, dizendo-lhe:
- Onde você pensa que vai mocinha? – ordenou em um maléfico.
- O que está havendo com você Kate? – respondeu surpresa.
- Comigo nada, mas, acontecerá com vocês!! – esbugalhou seus olhos avermelhados a vampira.
Mortensen olhava para Kareene como que se quisesse compreender o que estava acontecendo naquele fatídico momento.
- Venha, vamos dar uma voltinha Kareene.
E assim, Kate a puxou Kareene para um lugar menos tumuntuado, protegida por quatro soldados.
- Por que de tudo isso Kate? Por que você mentiu para mim?
- Ora ora, minha cara, você é a chave para nosso futuro promissor. Você e aquela garotinha insolente.
- Não fale assim de Sarah!! – gritou com os dentes já crescidos e o olhar iracundo.
- Cale a boca! – esbofeteou o rosto de Kareene, a velha vampira – Na condição em que você encontra não pode sequer abrir sua boca para me afrontar. Maldita hora que Vladwish quis trazê-los para cá. Seria tão mais fácil se tivesse deixado vocês se auto-destruírem.
Kareene ainda não compreendendo muito bem a situação, novamente perguntou:
- O quer de nós?
- Apenas a abertura do portal para a terra. Estou farta desse mundinho calmo que Vladwish nos colocou. Quero sangue, quero vingança, quero proliferar nossa espécie pelo mundo.
- Mas, como abrir tal portal?
- Lembra o que eu lhe disse sobre sua “filha”? Através dos sonhos dela você irá intui-la a matar a mãe dela dessa encarnação, abrindo seu ventre e retirando o útero de Natasha. Somente você poderá entrar em seus sonhos. Por que no inconsciente da menina ela confia em sua presença, mesmo a temendo.
- O que a mãe dela tem a ver com a abertura do portal? Por que sacrificá-la? – perguntou enfurecida e estarrecida.
- Simplesmente por que Natasha gerou Sarah nessa vida!
- E...?
- Oras, pense Kareene, pense! O que é o útero de uma mulher?
- É onde a concepção acontece!
- Não, é mais do que isso! É o canal vívido entre o mundo da matéria e o mundo espiritual. É a conexão dos vivos para os não-vivos. Ou, para conosco. Mas, então você me pergunta, por que Natasha? Oras, por que ela foi quem gerou Sarah nessa vida. Uma garota ainda com poderes vampíricos ou diabólicos adormecidos. Somente ela poderá matar a mãe para abrir o portal. Ela tem esse poder, e você deverá intui-lá sobre esse poder, em seus sonhos.
- E depois que tudo isso acontecer, o que farão com Sarah?
- Nós a eliminaremos sem piedade! Mais uma vez sua vida na terra será curta, e novamente graças a você.
- Não, é um fardo demais para mim, não faça isso, por favor! – pela primeira vez, Kareene se demonstrou fragilizada. – O que acontecerá com Mortensen?
- Ou ele se unirá a Malkuth ou será eliminado.
- Você e Malkuth estão juntos nessa desde quando?
- Desde quando Vladwish quis deixar o trono. Eu e Malkuth somos cúmplices. E aqui, nesse Vale dos Vampiros, os poderes psíquicos de Vladwish e de todos nós, não estão afiados, portanto, ele jamais nos descobriria através da telepatia. Malkuth passou a cobiçar o trono desde então, pois, assim como eu, jamais aceitou viver nesse mundo “menos denso”, como Vladwish batizou. Foi então que o estúpido de Draco, desobedeceu a Ordem e foi ajudar vocês em sua batalha final. Foi o estopim para o início do ódio e revolta por parte de Malkuth e de alguns soldados; além de mim, é claro.
- Então você mentiu a todo o momento para mim, com aqueles papos de “boa mestra” e frases simbólicas?
- Apenas vesti minha máscara, Kareene. E você, tola, ingênua, mesmo com poucos poderes não conseguiu me enxergar verdadeiramente. Seu olhar interno ou seus poderes psíquicos, como queira chamar, não notou a presença de meu coração frio e negrume perante seus olhos.
- O que devo fazer agora? – perguntou irônica Kareene, enquanto dois dos soldados a prendiam.
- Vamos para a câmara dos sonhos, lá você entrará na mente da pequena Sarah.
- Me diga uma coisa, quem era aquele espectro que matou a pobre Manuelle.
- Era eu! Aquela vagabunda só iria atrapalhar nossos planos. Aos poucos ela descobriria nossa presença e através de sua psicologia fecharia o portal para sempre. Não percamos mais tempo, vamos para a câmara dos sonhos agora. – ordenou puxando-a para um dos braços. – Anseio sangue, estou faminta!
*
Enquanto isso Malkuth ordenou que prendessem Mortensen e o levasse ao calabouço onde vampiro algum escapara até hoje.
- O que fará comigo, Malkuth?
- Você tem duas opções: ou se junta ao meu clã ou será exterminado!
- Jamais me unirei a você! Havia prometido a Vladwish comandar todo o clã e fazer de meu reinado, um reinado de paz.
- Tolo! Vladwish era um fraco egocêntrico. Só queria ascender aos mais altos patamares das hierarquias vampíricas, para que? Para evolui e ser um vampiro “menos denso”. Mortensen, realize comigo, estamos caminhando para a Nova Era dos Vampiros. Seremos os mais poderosos seres de todo o universo. A raça humana se ajoelhará perante nós, perante mim. Faremos deles nossos escravos, escolheremos quem será nosso alimento e ninguém mais mandará em nós a não ser nós mesmos.
- Por que sente tanta raiva dos mortais?
- Porque eles são as escórias do mundo. Estão nos baixos degraus da escala evolutiva, são primitivos, ignorantes e promíscuos. Temos que eliminar a praga pela raiz. E você diz que nós somos maus! E eles, que matam apenas por prazer, que torturam inocentes, que passam pragas e doenças ao seu próximo. Nós, vampiros, matamos para nos alimentarmos, temos a volúpia pelo sangue e se matamos alguém, é por justa causa.
- Você não acha que matando você estaria se igualando aos mortais?
- Jamais nos igualaríamos a eles, jamais! Agora, chega de conversas que tem outros assuntos a serem resolvidos, enquanto isso, ficará preso nesse calabouço até ordenar sua execução. Durante esse tempo, pense bem meu caro, pense no poder que seríamos nós dois e todo o nosso exército juntos.
E assim, Malkuth e seus soldados trancafiaram Mortensen na Cela da Iluminação, cela essa que era muito iluminada, deixando o vampiro mais fraco e vulnerável.
Malkuth, que havia trancafiado todo o senado no salão de reuniões de Vladwish, seguiu adiante com seu plano.
- Bem, amigos do senado – sibilou o vampiro encarando um a um dos doze vampiros participantes. – Como sabem, após a trágica morte de Vladwish, eu agora tomei o seu trono e vocês apenas cumprirão as minhas ordens.
- Você sabe que está errado Malkuth, o sucessor de Vladwish é Mortensen, você é apenas um soldado, conhece as regras e....
- Calado! Quer morrer, quer? – interrompeu bruscamente apertando seu pescoço com sua mão de unhas afiadas. Não quer morrer, não é mesmo? Portanto apenas me ouçam!
Nesse momento o silêncio se fez presente.
- Que se pronuncie agora mesmo qual de vocês não seguirá as minhas ordens!
Ninguém se pronunciou. Apenas um olhava para o outro. Até que:
- Eu, vossa majestade! – levantou-se Markken, exclamando em tom irônico.
- E quem é você, criatura patética?
- Meu nome é Markken, primo de Vladwish e se for para seguir os seus passos, prefiro a morte, ao menos morrei com glória e orgulho.
- Se realmente quer isso, assim o será! Guardas, levem-no para o poço da luz eterna e verifiquem se ele terá uma morte lenta e dolorosa. Alguém mais se prontifica em ir contra as minhas ordens? – ninguém se pronunciou – Ótimo, então, vamos aos negócios!
O poço da luz eterna era um lugar onde o vampiro ficava na escuridão deitado e preso. Mas, somente na direção de seus olhos uma luz rútila penetrava lenta e dolorosamente até que o vampiro se cegasse e a luz o consumisse aos poucos, fazendo-o sentir uma dor imensurável.
A Cela da Iluminação, onde Mortensen estava preso, tinha esse nome não só pela luz que por ali permanecia, mas também para que o preso se redimisse de seus pecados e aos poucos atingisse seu estado de iluminação através da percepção de seus atos errôneos.
Capítulo V – Os sonhos de Sarah
- Vamos logo com isso Kareene, deite-se aí agora! Guardas, prendam-na fortemente para que nada sai de errado.
Kareene ficaria presa em uma espécie de maca para iniciar sua telepatia interceptando os sonhos da pequena Sarah, lá na terra.
A sala era escura ornada com algumas partes em néon, para facilitar o transe. Se Kareene estivesse com 100% de seus poderes, poderia facilmente entrar na mente da garota. Poder esse que só teria no planeta terra.
Kareene então, não mais ao lado de Sarah entrou facilmente em transe...
- Mamãe, onde estou mamãe? Onde está você, por que está tudo escuro?
-S a-raaaaahhhhh – uma voz sussurrante chamava pela garota.
- Mamãe, é você mamãe?
- Shshshshsshhhhh....
- Que barulho é esse? Onde estou, quem está aí?
O calafrio intenso percorria a espinha da menina. Seu suor gélido escorria de sua testa, passando por sua face, gelando a sua boca. Seu rosto estava pálido, suas mãos geladas. O frio era intenso. Parecia estar em uma gruta onde gotas d´água a assustavam a cada beijo ao chão. Criaturas habitantes daquele mundo esquálido, sibilavam estridente gritos de pavor. A pequena Sarah, sozinha andava de um lado a outro sem sucesso. Não encontrava a saída. Até que uma abertura em uma das paredes de pedra da gruta se abriu e do outro lado viu uma suntuosa sala ornada com tochas, velas, sofás na cor vinho, esculturas macabras, quadros subjetivos pintados em sangue. Não entendia onde estava e o por que estava naquele lugar tão desconhecido.
- S a-raaaaahhhh, venha até aqui, venha
- Quem é você, apareça por favor, apareça. – chorava a menina já em desespero.
- S a-raaaaahhhh... – até que um vulto negro e disforme voou em sua direção assustando-a completamente. Os ruídos ensurdecedores se faziam deixavam a garota ainda mais pálida e chorosa.
Ela correu, gritou e tentou se esconder debaixo de uma mesa, até que Kareene apareceu, o anjo da guarda de Sarah, e num só pulo fez aquela sombra se esvaecer dali.
Kareene ainda pensou: - Como naquele dia da morte de Manuelle, Kate disse que a criatura presente era ela? Se essa, com as mesmas características do espectro daquela noite não era Kate, quem é então esse ser?
A vampira então lentamente seguiu em direção de Sarah para não assustá-la.
- Venha Kareene, dê-me a sua mão, não tenha medo, estou aqui para lhe proteger.
Aos poucos Kareene foi pegando a confiança da garota, dando-lhe um abraço efusivo e seguro.
Sarah estava demais assustada, esses pesadelos a consumiam incessante.
- Você é a vampira que sempre vejo!!
- Sim, sou eu mesmo minha querida.
- Por que você está aqui comigo?
- Para lhe proteger meu anjo, jamais quis o seu mal.
- Mas, eu sempre me assusto quando você aparece para mim.
- Eu sei Sarah, mas, jamais quis lhe assustar. Pense que sou uma espécie de seu anjinho da guarda.
- Qual o seu nome?
- Kareene!
- Kareene! Que nome lindo!
- Obrigado querida.
- Kareene, você promete que não vai me abandonar?
Kareene, derramando uma gota translúcida de lágrimas de um de seus olhos, a abraçou fortemente e disse:
- Jamais lhe abandonarei minha filha, jamais!
- Gosto tanto de seu abraço Kareene!
Kareene estava alucinada com aquela emocionante cena. Conseguira, através do sonho, finalmente a confiança de Sarah. Seus cabelos se emaranhavam um ao outro diante de seus abraços fraternais. A vampira, sentia que jamais devia a abandonar e jamais seguir o plano de Kate. Mas, como burlaria a vampira-mestra? É certo que Kate não conseguia ver o que estava acontecendo durante o sonho de Kareene, apenas a monitorava por uma espécie de pêndulo. Mas, nada que a fizesse desconfiar de algo.
- Sarah, preciso muito que você me prometa uma coisa.
- Sim Kareene.
- Cuide bem de sua mamãe, não deixe que nada a perturbe, certo?
- Claro, eu amo mamãe, sempre cuido dela.
Sorriu Kareene olhando para Sarah.
- Bem, do dia está amanhecendo e você tem que acordar, pela noite, em seus sonhos aparecerei novamente para você, certo?
- Certo!
- Agora dá um beijo bem gostoso na “tia Kareene”, dá?
E Sarah, carinhosamente beijou a face de Kareene se despedindo da vampira.
Mal abriu suavemente seus olhos, e Kate já aparecera com ar de arrogância.
- E então Kareene, conseguiu alguma informação? Algo de suma importância para que meus planos prossigam corretamente?
- Bem, a garota ainda está muito assustada, está um pouco complicado ganhar a confiança dela, mas olha, aos poucos ela sucumbirá.
- Seja rápida Kareene, não tenho mais tempo para isso, ordeno que no próximo sonho você me traga boas notícias, para o seu próprio bem.
- Me diga uma coisa, o que era aquele ser negro no pesadelo de Sarah? Você me disse que tal espectro era você, como aconteceu naquele dia com Manuelle.
- Hum, você então descobriu meu segredinho! – sorriu ironicamente Kate. – aquela sombra na verdade era minha irmã e não eu. Alleiswach, lhe lembra alguma coisa?
Kareene arregalou seus brilhantes olhos verdes e disse:
- Não, não pode ser! Aquele demônio havia morrido, como ela voltou?
- Sua forma física havia morrido meu bem, mas, sua alma não! Ela é minha aliada e Sarah, ainda pertence a ela!
- Jamais deixarei que ela ou que criatura alguma faça mal a Sarah! – se revoltou tentando ir para cima de Kate. Antes, alguns soldados a pegaram não deixando que ela machucasse a vampira-mestra.
- Hahaha....na situação em que você se encontra não pode sequer querer alguma coisa, minha cara. Sarah eternamente pertencerá a Alleiswach, é o destino dela e você nada poderá fazer contra isso. Mas, o que está em jogo aí é a abertura do portal. O que minha irmã almeja ou não, é problema dela. Sarah, para mim, só será um veículo para a abertura do portal, ela estando viva ou morta, não me importo.
- Bruxa, vadia! Eu lhe matarei Kate, eu juro pelo sangue que há em correr dentro de mim!
- Hahahaha.... não me venha com suas idiotices! Sabe que não me derrotará.
- É o que veremos Kate, é o que veremos!
*
Sarah, finalmente acordara, saiu de sua cama e foi procurar sua mãezinha querida. A empregada havia dito que ela já fora para o trabalho.
A menina gostaria de dar um imenso abraço na mãe, depois da longa conversa com Kareene, durante o sonho da noite anterior. Ela então foi ao quarto, pegou umas bonequinhas e começou a brincar. A cortina e a janela ainda estavam fechadas, portanto, a penumbra ainda encobria o ambiente. Sarah, pegou uma de suas antigas bonequinhas e fez de conta que ela era Kareene, fazendo-a beijar a outra bonequinha em uma de suas mãos. Assustou-se ao olhar para esta e ver que havia piscado um de seus olhos para ela. Sarah então jogou a boneca ao chão e ficou olhando para ela. Novamente a bonequinha havia piscado. A porta então de seu quarto se fechara com tudo, deixando-a em desespero.
Ela tentava abrir a porta e gritava por socorro, de repente, aquele ruído novamente:
- Shshshshshshhhhhhhhhh......
Terrivelmente hórrido e ensurdecedor. Qual foi sua surpresa ao ver saindo da boneca uma fumaça negra com olhos rasgados em vermelhos dizendo-lhe:
- S a- raaah! Venha para mim, volte para sua mãe. Venha para a luz oculta!!
A menina tomada por um medo infernal berrava e batia seus pés.
Do outro lado da matéria, Kareene sentia o ocorrido. Ouvia os gritos de socorro da garotinha.
- Kareeeeeeeeeeeeene! Me ajude, Kareeeeeeeeeeeeeene!
Alleiswach cerrou pela metade seus olhos e correu para cima de Sarah
Momentos antes, para a sua sorte, Kate a deixara só na sala dos sonhos, presa na maca de ferro.
Aproveitou, fechou seus olhos e caminhou para a proteção de sua “filha”.
Chegando ao quarto da pequena presenciou a figura dantesca de Alleiswach, em sua forma de fumaça negra a assustar a criança. Quando a sombra ia de encontro com Saraha, Kareene voou intrépida no pescoço daquele ser. A fumaça ora se solidificava ora permanecia apenas aquela sombra. Pois, depois de destruída pelo mago Allá, jamais teria sua forma física novamente.
Kareene então aproveitava e mordia incessante aquele ser. Até Alleiswach por algum tempo desistir e sair de cena.
- Você está bem querida? – perguntou Kareene à pequena Sarah.
- Sim, sim Kareene. Estou com tanto medo!
Surpreendentemente Kareene aos poucos foi deixando de ser transparente.
- O que está havendo com você Kareene? Você está virando uma pessoa e não mais um anjinho?
Sim, a vampira inacreditavelmente estava se materializando.
Eis então que a resposta de tudo chegara.
- Sarah, Sarah? – bateu à porta desesperadamente a empregada da casa.
Kareene, se escondera por de trás da cortina cor de noite.
‘ Sarah então, abriu a porta e empregada a abraçava sem parar.
- Sarah, você tem que ser forte minha querida, muito forte.
- O que foi Andretta, o que foi?
- Sua mãezinha, minha querida, ela se foi!
- Ãh? Mamãe? O que aconteceu com ela? Onde está mamãe? – indagou aos prantos a menina.
- Sua mãe Sarah, ela morreu!
Sarah então a abraçou e as duas aos cântaros choravam a morte de Natasha.
Kareene, na penumbra, nada estava entendendo. Precisava de respostas para toda essa confusão. Muito triste, lágrimas de sangue escorreram de seus olhos verdes.
Enquanto isso no vale dos vampiros, o corpo astral de Kareene se esvaia, agora, ela estava presa no mundo da matéria!
Kate, já sabendo do acontecido, correu para a Câmara dos Sonhos e viu que Kareene não mais pertencia àquele mundo.
- Maldição!! Eu deveria ter me precavido! Aquela doente da Natasha se suicidou. Como não pensei nisso antes? Após a morte traumática da amiga ela entrou em profunda depressão e não me dei conta que deveria ter feito algo para que isso não acontecesse! Maaaaaldiçãããããooooooo!! – gritou levantando suas duas mãos para o alto.- Agora Kareene está entre os mortais e com poder, o que é o pior. Como ela foi a mãe de Sarah na outra encarnação e Natasha a mãe da garota nessa vida; seu corpo astral deixou de existir aqui para cuidar da “filha” na terra. E agora? O que farei? Preciso avisar Malkuth, antes que seja tarde.
Capítulo VI – A ira de Malkuth
- Malkuth, Malkuth, precisamos conversar seriamente! – disse-lhe Kate invadindo a sala de reuniões juntamente com o senado e outros vampiros.
- Não percebe que estou tratando dos assuntos do clã?
Kate então cochichou ao pé do ouvido do novo líder:
- Algo saiu errado em nossos planos!
- O que? Jamais!! – puxou-a para fora da sala para tratar do assunto. – O que houve Kate, vamos, diga! – gritou Malkuth.
- Natasha morreu e Kareene se materializou!
- Maldição! – esbugalhou seus olhos enfurecidamente. – Me diga, o que faremos agora bruxa, o que?
Passou alguns minutos, Malkuth pensou e ordenou a alguns de seus soldados:
- Guardas, tragam Mortensen aqui, agora!
- O que você está pensando em fazer Malkuth?
- Você já ouviu falar em “Plano B”? – sorriu sarcasticamente o vampiro – Me aguarde minha cara, me aguarde!
Kate sabia que coisa boa não podia partir da mente insana do vampiro. E agora, qual seria o funéreo plano de Malkuth?
Mortensen, muito fraco devido à luz de sua cela, chegara caindo aos pés do vampiro. Malkuth então chutou seu queixo dizendo-lhe:
- Levante-se Mortensen! E olhe para o seu mestre!
Mortensen, meio desajeitado, cuspiu aos pés do líder.
- Seu tolo! – e deu-lhe mais um chute em sua face.
Mortensen caiu com a barriga para cima e os braços abertos.
- Ele precisa recuperar suas energias, levem-no para os aposentos da ala C e cuidem para que ele não escape de lá. Vão! Agora! – gritou com seus guardas – E você Kate, trate nesse momento de saber tudo sobre Kareene. Ela precisa ser eliminada. Vá, e tome todas as devidas providências para que Kareene jamais encontre Mortensen novamente!
Kate, encarando o vampiro, mas, obedecendo tratou de colocar algum plano em prática para acabar de vez com Kareene.
Não conseguia imaginar uma maneira plausível de eliminar Kareene, portanto, só lhe restava algo ou alguém a chamar: Alleiswach, inimiga número um de Kareene.
Então, em um lugar mais distante do Vale dos Vampiros, perto de uma floresta imensa, Kate tratou de invocar sua irmã, como sempre fazia escondida, para receber sua ajuda.
Alleiswach, renegada pelo inferno, é um ser que agora vive perambulando pela terra para fazer o mal às pessoas. Nos rituais de magia negra, é uma das peças para infernizar a vida dos enfeitiçados.
Kate, em seu tom imperativo soava suas palavras de invocação à demônia.
Poucos minutos depois, eis que surge a fumaça enegrecida, sussurrando seus chiados incompreensíveis. Era ela, a rainha do submundo, Alleiswach.
- O que queres de mim, minha irmã? Sshshshshshhhhhh.....
- Eliminar com o ser que invadiu o sonho de sua filha!
- Oh, claro, Kareene! Já esperava por esse momento, eliminá-la por completo. Mas, para isso preciso voltar à minha forma física, pois o poder dela está além de minha força psíquica ou espiritual. Eu, na forma física poderei vencâ-la.
- E como fará isso?
- Você sabe como irmã, aquele ritual o qual um dia me falara.
- Já disse que não, é muito perigoso, minha alma poderia ser exterminada de vez! Seria uma tolice.
- Então, nada feito Kate! Tudo tem uma troca, você sabe muito bem do que estou falando. – sussurrou aquela voz tétrica e rouca ao ouvido de Kate.
- O que quer dizer com isso?
- Hum! Se me der novamente um corpo, cuidarei para que você se materialize novamente.
- Como faria tal proeza?
- Confie em mim Kate! As portas do inferno estão além de sua compreensão, elas vivem em minha mente. Você sabe muito bem o que o mal é capaz de realizar.
- Faremos então tal pacto, primeiro, preciso de um tempo para me preparar, então; lhe invocarei novamente e trocaremos nossas dívidas.
- Sábia decisão irmãzinha! – e como que num passe de mágica, aquela figura negra desapareceu perante os olhos de Kate.
A vampira, um pouco desconfiada, permaneceu por ali mais alguns minutos, refletindo em seu próximo passo.
*
Preso na ala C, sem poder se mover, Mortensen aguardava a sua sentença. Não sabia mais de seu futuro, apenas, o sôfrego momento o qual estava vivenciando.
Com os olhos um pouco cerrados, viu uma luz prateada aparecer em sua frente, chamando-o:
- Mortensen, Mortensen! Não esmoreça meu rapaz!
O vampiro, sem saber ao certo o que estava acontecendo, reconheceu aquela voz.
¬- Estou ao seu lado, meu caro, fui designado como seu protetor.
O vampiro então, cautelosamente, um pouco trôpego; levantou-se para conversar com o ser ali presente.
- Vladwish? É você? – perguntou um pouco trêmulo pela fraqueza nele presente.
- Sim Mortensen, sou eu mesmo!
- Me explique o que aconteceu depois que Malkuth lhe matou aqui no Vale?
- Bem, a espada que Malkuth me matou, não é a mesma que doei a você! A lâmina daquela espada, jamais poderia exterminar com minha alma. Apenas aconteceu o que deveria ter acontecido, mudei de plano. Logicamente que não fui para o plano o qual iria se você estivesse no trono. Mas, foi me concebido o lugar de lhe proteger e lhe preparar para a batalha final contra Malkuth e sua legião de soldados.
- Como fará isso se estou exausto, sem forças, sem poder algum, um vegetal praticamente. – respondeu tossindo.
- Confie em mim Mortensen! Deite-se, cerre seus olhos e permaneça receptivo para a energia a qual nesse momento lhe enviarei.
Então, Vladwish colocou suas duas mãos sobre a cabeça de Mortensen e iniciou sua doação de energia para o vampiro.
A luz aos poucos tomava conta da cela, chamando do lado de fora, a atenção dos soldados que faziam a guarda. Estes, céleres, trataram de abrirem a cela.
Quando abriram, olharam para os lados e não avistaram o vampiro. Repentinamente do teto, eis que Mortensen os pegou de surpresa batendo a cabeça de um contra o outro, caindo ao chão. Mortensen, agachou-se e torceu o pescoço dos dois.
Vladwish nesse momento havia ido embora.
Mortensen, à espreita, correu silenciosamente pelos corredores da ala C, até chegar à ala B. Notara a presença de alguém, então, escondeu-se em um laboratório.
Qual foi sua surpresa quando viu sua espada presa em uma espécie de gaiola envolta de raios ultravioletas, dentro desse laboratório. Precisava pensar em algo urgente para recuperá-la. Foi então, que através de sua mente, conforme seu mestre Valdwish lhe ensinara, apontou uma de suas mãos na direção da espada e aos poucos fê-la mover-se; como se estivesse levitando. Concentrou-se tanto, que no ápice desta, estourou as luzes ultravioletas jogando seu corpo para traz. Antes que a espada caísse, se levantou pulando em sua direção, até pegá-la!! Urgiu em se apressar e cauteloso, saiu do laboratório.
O que precisava nesse instante era de um plano para encontrar Malkuth e tomar novamente seu trono. A figura então de Vladwish surgia em sua frente, dizendo:
- Vá até a cúpula da ala A, Mortensen! Malkuth está à sua espera. Mas, tenha cautela, pois os poderes dele estão aos poucos aumentando, devido a ele ainda estar no trono.
- Obrigado Vladwish! Ele é quem terá de ter cautela comigo, pois, não serei piedoso.
Vladwish então se esvaiu na luz.
Mortensen tinha de agir rápido, porque o poder de seu inimigo, gradativamente estava aumentando e o tempo de Mortensen, diminuindo.
Mortensen estava achando tudo muito estranho, pois o silêncio pairava no ar. Sabia que Malkuth tinha algum plano para si. Toda cautela era pouca. O vampiro então, nas proximidades das escadarias que levava à cúpula da torre, se deparou com uma horda de soldados de Malkuth. Novamente, a batalha estava para ter o seu início.
O grito da lâmina de Mortensen mostrava a sua posição de ataque. Com uma de suas mãos fez um sinal, chamando os soldados para a luta. O primeiro deles veio a toda velocidade e ferocidade. Mortensen apenas desviou e por trás desse fincou sua espada em sua cabeça, fazendo-o queimar nas chamas sagradas.
Cinco deles então o cercaram. Mortensen, atento a cada movimento dos soldados, apenas acompanhava seus olhares. Dois soldados então, voaram com suas espadas brandidas sobre Mortensen. O vampiro, mostrou suas presas, soou um ruído e partiu para cima de ambos. Cortando a cabeça do mais alto e ferindo o outro na barriga. Este, tentando se levantar, apenas sentiu a lâmina afiada da espada de Mortensen penetrando em seu pescoço. Quando outros partiram para cima de Mortensen, Malkuth apareceu:
- Parem agora!
Todos olharam atônitos ao mestre.
- Deixem Mortensen comigo, saiam daqui imediatamente. Ele é todo meu! – sorriu sarcástico e com ar de vitória.
Seus soldados aos poucos deixavam o lugar.
Malkuth, vestido em uma capa negra, botas até os joelhos, rosto pálido, olhos profundos; encarava seu inimigo.
- E então Mortensen? Preparado para ser eliminado completamente de todos os planos?
- Isso é o que veremos Malkuth! Estou preparado para tomar o que é meu novamente!
- Oh, meu caro, você e suas pilhérias. Me diga, o que é seu aqui nesse vale?
- O trono, o que foi deixado por Vladwish.
- Hahahaha! Vladwish não está mais entre nós, Mortensen, portanto todo o império é meu. E em breve a terra será minha. – gargalhou o vampiro impiedosamente. – Sua Kareene contribuirá para que meu trono seja transferido ao planeta terra.
- Jamais deixarei isso acontecer. Jamais.
Ambos, brandiram suas espadas e iniciaram o duelo pairando ao ar.
Seus cabelos esvoaçavam a cada golpe, seus olhos cintilavam de ira.
Ambos precisavam vencer a luta, cada qual com o seu propósito.
Ouvia-se ao longe suas espadas gritarem a cada toque que cada uma dava na outra.
Em um desses golpes, ambas as espadas voam metros a distância. Pelo alto, inicia-se uma luta rígida. Mortensen dá um soco potente ao estômago do Malkuth que esse bate em uma das paredes destruindo-a quase que por completo. Este, se levanta meio trôpego e avança no vampiro. Começa a dar uma seqüência de socos na face de Mortensen. Ele se defende, corre para a parede, dá um mortal e cai do outro lado de Malkuth, dando-lhe um poderoso soco no queixo, fazendo Malkuth voar e dar mortais até cair no chão. Malkuth se levantou em uma voadora no peito de Mortensen, o fez abrir um imenso buraco na parede de uma das salas do corredor.
As luzes bruxuleavam devido aos imensos golpes dos vampiros.
Malkuth correu então para pegar sua espada, mas Mortensen, chegou chutando para longe a arma do até então, rei do Vale dos Vampiros. Mortensen pegou-o pelo pescoço, o levantou e jogou-o contra a parede de vidro do laboratório, fazendo-a espatifar.
Malkuth então pegou uma lança a qual estava nesse laboratório e atirou contra Mortensen, perfurando seu peito. Mortensen aos poucos caía, lança possuía um material poderosíssimo, não tão poderoso quanto sua espada, mas, se não tratasse o ferimento, Mortensen poderia acabar ali toda sua existência. Malkuth então, começa uma seqüência de chutes na face de Mortensen.
- E então Mortensen, pensou que iria ganhar facilmente de mim? – disse-lhe acalcando a lança no peito do vampiro.
Ele se contorcia de dor. Os espasmos eram profundos.
- Saiba que você não tem a mínima chance para comigo e para com a horda. Meus poderes estão aos poucos aumentando e, quando conseguir me materializar novamente serei o ser mais poderoso da terra.
Mortensen, resfolegando, respondia:
- Não vencerá tão facilmente Malkuth.
- Me diga, como você acha que me vencerá? Assim, ferido, sem forças?
Malkuth então, pegou sua espada que estava a pouca distância, pisou no peito de Mortensens, a apontou na direção de seu pescoço e disse:
- Agora, será o seu fim Mortensen. Faça boa companhia para Vladwish, no inferno!!
Quando este ia decepar a cabeça de Mortensen, o vampiro usou da arte da movimentação de objetos ensinado por Vladwish. Com a força de sua mente, fez com que sua espada viesse em sua mão, e em um só golpe, antes que Malkuth o matasse, enfiou no estômago do vampiro. Malkuth, olhando atônito a Mortensen, se afastava olhando seu ferimento, até cair sentado.
Mortensen se aproximou trôpego, devido também ao seu ferimento, e disse:
- E agora Malkuth, me diga, como você dominará o mundo?
Ele então olhou sorrindo para Mortensen e disse:
- Kareene tratará disso, Mortensen. Nesse momento, Kate já está tomando as devidas providências.
Mortensen, antes que Malkuth lhe praguejasse algo mais, decepou a cabeça do inimigo, até este ser consumido pela energia do fogo sagrado.
O vampiro então, com muita dor, tirou a lança de seu peito e viu surgindo da luz, novamente Vladwish.
- Mortensen, rápido, você tem que encontrar Kate, ela a prestes de se materializar e promover o caos e a destruição para a terra! Vá! Você não tem muito tempo! Encontre-a na floresta do Vale. – esvaiu-se novamente Vladwish.
Mortensen, perdendo sua energia, caminhou trôpego pelos corredores da ala A. Urgia em impedir que Kate iniciasse seu ritual.
Capítulo VII – Em busca da materialização
Era o momento de Kate.
Já preparada para o grande ritual, se alojou na floresta e iniciou a invocação de Alleiswach. Não poderia perder mais tempo, mesmo não sabendo da morte de Malkuth se apressou para que nada desse de errado e para que seu espírito se materializasse no planeta terra.
Um de seus planos era de acabar com Kareene, no planeta terra!
A invocação então, teve seu início, os raios começavam a bruxulear pelos céus enegrecidos do vale. O uivo dos ventos sibilava nas folhas das árvores, que dançavam de um lado a outro naquela floresta negrume.
Na escuridão, bem ao fundo do vale, na boca de um precipício; surgia Alleiswach, sussurrando:
- E então, minha irmã, decidiu o que fazer?
- Certamente! Seremos duas em uma, Alleiswach! Kareene não terá a mínima chance contra nosso poder.
Então, Kate levantou-se, soôu mais algumas palavras mágicas e iniciou a dantesca troca de energias.
Alleiswach apoderava-se do corpo da vampira. Seria a fusão entre as duas, formando um ser poderosíssimo o qual iria colocar em risco toda a vida na terra.
Kareene certamente corria um grande perigo.
*
Não muito distante dali, Mortensen caía ao chão. Os soldados então, percebendo que ele vencera a batalha, se prostraram diante do novo rei. Mortensen, fraco, foi ajudado por dois soldados que o levaram para uma sala a fim de tratar dos ferimentos. Antes de mais nada, Mortensen ordenou para que soltassem todos os prisioneiros e a cúpula do senado. E assim foi feito.
Por mais algumas horas, Mortensen não agüentaria seus ferimentos e feneceria ali mesmo. Para isso, sabendo do mal que o rei estava passando, um dos antigos prisioneiros se apresentou, dizendo que havia ervas poderosíssimas na floresta do vale. E que ele, era conhecedor desses remédios que poderiam salvar Mortensen.
Ele então permitiu que o rapaz, com mais dois soldados, fossem em busca das ervas na floresta do vale.
O senado, novamente reunido e ao lado de Mortensen, felicitava-se com a tomada do trono. E preparavam-se para tudo o que viesse a partir de então.
*
Chegando na floresta em busca das ervas, presenciaram uma luz vinda nas proximidades do precipício. Os dois soldados e o rapaz, seguiam os rastros e por trás de uma das árvores presenciaram o diabólico plano de Kate.
Ela já estava possuída, aos poucos, seu corpo se fundia à energia tétrica de Alleiswach. Luzes avermelhadas e fumaças negras envolviam-na de maneira a possuir seu corpo. Sua feição aos poucos mudava, seu corpo se contorcia, seus olhos cintilavam. O poder da vampira aumentava rapidamente. Suas garras nefandas cresciam.
De repente, um silêncio tomou conta. Suas asas com gárgulas afiadas a envolvia. Repentinamente, as abriu, olhou aos céus e gritou mostrando suas presas imensas e seu olhar soturno.
Pulou então precipício abaixo onde o portal se abriu, engolindo-a para o plano terreno.
Os três, na espreita, assustados, trataram de pegar as ervas avermelhadas e correram na direção da fortaleza, para assim, avisar o seu rei do ocorrido.
Mortensen estava quase sem reação, seu rosto ainda mais pálido denotava toda a sua vulnerabilidade.
Foi então que os dois soldados e o “curandeiro”, chegaram com as ervas.
Esse último, espremeu um pouco na ferida do vampiro e o restante deu-lhe para mastigar. Precisava de um pouco de repouso.
Os soldados avisaram-no do ocorrido na floresta e Mortensen, tratou de conversar com o senado para ver que atitudes poderiam ser tomadas.
Até então, nada se podia fazer, pois não havia como se materializarem, até que Vladwish novamente ressurgiu como uma figura espiritual.
- Meus amigos! – saudou a todos ali presentes – Estou muito feliz em revê-los.
O mesmo notava-se na face alegre de todos eles.
- Mortensen, a única opção que você tem é agir como protetor de Kareene. Por que materializar, não há meios. Essa é a sua única esperança.
- Mas, Vladwish, como a ajudarei se apenas serei um espectro?
- Além de sua sabedoria você levará consigo alguns poucos poderes psíquicos, capaz de manipular mentes ou mover objetos. Mas, tenha cautela ao usá-los, para não ser consumido por sua própria energia. Vá para a câmara dos sonhos e concentre-se. Boa sorte a todos vocês.
- E quanto a nós? – perguntou um dos vampiros do senado.
- Monitorem-no! E se caso algum portal se abrir para esse mundo, não deixem que ninguém passe para o lado de cá e vice-versa.
E assim, Mortensen e o senado caminharam rumo à câmara dos sonhos Alguns soldados também os acompanhavam.
Chegando lá, o vampiro deitou-se na maca, fechou seus olhos e iniciou sua viagem à terra, a fim de proteger Kareene e intui-la para seus grandes feitos.
CONTINUA - CAPÍTULO VII >>>>>>>
The Crazy Joker
Publicado no Recanto das Letras em 28/06/2008
Código do texto: T1055582
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