Texto

O Caroço

O som rolante da porta de ferro que se abria inaugurava mais um dia. O ferrolho enferrujado que engripara mais uma vez anunciava que aquele dia seria como todos os outros: travado, enferrujado e difícil de lidar.

“Velho muquirana...” – resmungou - enquanto olhava de volta para a rua, ainda vazia nas primeiras horas da manhã.

Depois de irritantes tentativas mal-sucedidas, finalmente conseguira erguer a porta da loja. O ardume que o cheiro penetrante de mofo daquela pocilga ainda lhe causava náuseas, tornando mais desesperada a necessidade de um café. Ligou a cafeteira.

Sobre a mesa um porta-retrato com a imagem da esposa e filhos.
Depois ligou computador, o escaner e a impressora.
Na contraluz da porta percebe uma figura franzina.
“Já retocou a OS 257?” - perguntava o dono, ao entrar na pequena masmorra, que em outros tempos vivera seu glamour, mas agora jazia à Rua Álvares Penteado.
“Bom dia para o senhor também...” - pensou ele.
“Não senhor, o sistema travou perto das sete horas e ontem foi aniversário da patroa... o senhor sabe como é...” – justificou-se.
O sorriso desconcertado no canto da boca tentava disfarçar a raiva contida que sentia pelo “Seu Gonçalves”.

Cinco anos de faculdade não foram suficientes para que Antonio, já beirando os quarenta anos, conseguisse algo melhor: uma vaga de retocador de imagem, um simples e frustrado retocador de imagens digitais na mais vetusta loja fotográfica no centro da cidade.
“A fechadura da porta esta cada dia mais difícil de abrir” – lembrou ele, mas o velho não tirava os olhos do jornal.
“Faz logo ai a OS...o cliente vem retirar as onze horas” - retrucou o velho.
 
 Três horas é mais que o suficiente - ele pensou. Se tinha uma coisa que ele fazia bem era retocar imagens. Os velhos planos de tornar-se um grande artista dos pincéis tinham cedido espaço para a realidade do dia-a-dia: sustentar sua família.

Abriu o Photoshop.
Olhou para o relógio e viu que passava um pouco das oito e meia.
Freneticamente começou a trabalhar as imagens, dava mais brilho, contraste. Apagava uma sujeira aqui, reconstituía uma ponta rasgada ali. Ele sabia como deixar uma velha e rota foto de meio século parecer recém tirada.
A OS 257 não diferenciava em nada das demais. Sempre a mesma coisa. Mas ele fazia bem, tão bem que no último corte de funcionários apenas ele sobrevivera. Eram três, agora um.
Olhou para o relógio sobre a porta de entrada: dez e cinquenta e cinco.
“Pronto Seu Gonçalves, estão prontas”.
 Passava quinze minutos do meio-dia quando o cliente 257 entrou na loja. Ele era gordo, ofensivamente obeso para os padrões que Antonio julgava aceitáveis.
E “aquilo”, que seria um detalhe para a maioria das pessoas, fez com que Antonio prendesse a respiração por alguns segundos.
“Bom dia senhor” – murmurou Antonio, sem que conseguisse encarar a deformidade do cliente.
“Bom dia rapaz, acho que você tem algo para mim” – respondeu o gordo, enquanto entregava-lhe o canhoto da ordem de serviço.
Foi nessa hora que a paz de Antonio acabou, e uma angustia nunca antes experimentada tomou lugar em seu peito.
“Mas que coisa horrorosa é essa meu Deus?” – pensou – ainda sem fitar os olhos de seu obeso e ofegante cliente.

Como o cliente mantinha seus olhos fixos no balcão para a conferência do trabalho, Antonio tinha agora um ângulo privilegiado para observar a anomalia. Aos poucos foi tomando coragem e ergueu seu olhar em direção à testa daquele homem.
“Estão muito boas. Esta aqui ficou perfeita” – elogiou o cliente, olhando para Antonio.
“Que bom. Ficamos contentes com isso senhor”.

Antonio, no auge de seus quarenta anos, nunca conhecera alguém, ou mesmo tivera ouvido falar de uma pessoa que carregasse algo tão perturbador. Aquela verruga era enorme, preta, e sua circunferência não era menor do que uma moeda de um Real. Saltava da testa do infeliz proprietário sem a menor decência ou compaixão pelo sistema nervoso de Antonio.

Como “aquilo” tomara conta da testa do infeliz? – imaginou Antonio – e a danada da verruga não era apenas pecaminosa no tamanho, mas na forma e proeminência também. Tomando fôlego e um pouco mais de coragem, direcionou um olhar mais analítico para a famigerada.

“Aquilo” tinha pelos!
“Pelo amor, pague e vá embora senhor” – é o que diria se fosse dono, mas não era.
O mal-estar foi tomando conta do corpo de Antonio, aos poucos o suor de calafrio molhou sua camisa numa larga faixa de suas costas. Então veio o tremor de mãos.
Antonio relutava em encarar seu pesadelo, mas não poderia destratar seu cliente.

“Ok. Vocês realmente operaram verdadeiros milagres nestas daqui”. – Semana que vem trarei outra foto para ser retocada” -  elogiou o homem da verruga.
“Pois não senhor, é só trazer. Por favor, pague no caixa”.
Enquanto o cliente se arrastava até o velho Gonçalves, o coração de Antonio disparou, pois sabia que a semana por vir seria terrível, teria que esperar angustiantes sete dias até o retorno do gordo. A promessa de um novo trabalho implicava em novo confronto, e isso o desesperava. Se tivesse sorte ele viria na hora do almoço, quando invariavelmente Antonio amargurava um prato feito no Largo do Café. Desejou até ficar doente, nada sério, só para não encarar novamente aquele destrato da natureza entestado na cabeçorra do pobre gordo.

“Obrigado e volte sempre” – automatizou o dono, enquanto o cliente saia pela porta.
Sem nenhuma OS em vista, Antonio não pensava em outra coisa. O gordo com o caroço na testa agora povoava sua mente e, como pulsos de um sonar, a lembrança da verruga trazia um arrepio contundente e incessante desde os pés até o último fio de cabelo de Antonio. Ele precisava aliviar tamanho sofrimento.

Vasculhou as imagens da OS 257 até encontrar o que procurava.
“Aqui está você caroçudo, aqui está” – murmurou olhando para o velho no caixa.
Ampliou a imagem, arrastou para a direita e centralizou na tela. Ali estava “aquilo”, tomando uma grande porcentagem da área visível da tela, gorda e peluda. Não sabia se era uma verruga, ou caroço. Preferiu intitulá-la como caroço.jpg, verruga seria muito comum para tamanha excentricidade.
“Vou exterminar você meu amigo, já já. Quer ver?” – dialogava com o objeto de sua angustia.

Aos poucos foi apagando o caroço. Na foto, uma situação corriqueira: o caroçudo, uma mulher - talvez sua filha - e duas crianças. Seria o caroçudo avô? Todos pareciam felizes, com exceção da criança menor, a única retratada que estava distante do gordo. Imagine só, uma criança obrigada a encarar aquela monstruosidade sabe-se lá com qual freqüência. Que pesadelos verrugais ela não deveria sofrer?
“Pronto. Bem melhor assim, não acha gordo?”
Uma estranha sensação de alívio tomou conta de Antonio.
E a semana passou.

É verdade que naquela fria manhã de julho Antonio já não se angustiava tanto pensando no caroço.
Mas ele veio, e a angustia voltou para o peito de Antonio tão rápido quanto um soluço.
“Bom dia senhor” – cumprimentou o velho Gonçalves enquanto o gordo entrava na loja.
“O que houve com sua testa?”
“Um pequeno acidente, nada sério” – respondeu o cliente.

Antonio discretamente inclinou seu corpo para enxergar “a coisa”, mas o cliente posicionara-se de costas para ele.
A ansiedade foi aumentando, visto que cliente e chefe trocavam amenidades.
Antonio reclinou-se mais e sem perceber entornou a xícara de café sobre o teclado.
“Merda!” – graniu.
“Pelo amor de Deus homem, mais um teclado pro lixo!? Esse vai sair do seu salário Antonio” – esbravejou o velho.
“Velho muquirana, quer que eu pague uma nova tranca de porta também?” – imaginou responder ao seu chefe, mas não. Preferiu permanecer no emprego.
“Calma gente, trouxe um novo trabalho aqui pra vocês” – interferiu o gordo – “Afinal, o rapaz não fez por mal, não é?”
“Bom dia senhor” – cumprimentou-o Antonio, desviando o olhar para o balcão.
“Bom dia rapaz. Quero que você restaure essa foto para mim. É de muita valia, pois é a única recordação impressa que guardo de minha mãe” – relembra o cliente, lançando um tenro olhar sobre a foto.
Antonio levanta os olhos e encara a fera. “Aquilo” não estava mais lá. No local antes habitado pela fera cabeluda existia agora apenas um curativo. Teria ele caído e auto-amputado a anomalia? Ou teria extraído-a em procedimento cirúrgico mas mantinha-o em segredo? Ficou curioso, mas não perguntou o que acontecera com o caroço.

“Ok senhor, pode vir retirar em 2 dias” – combinou Antonio.
“Perfeito. Quinta-feira venho retirar” – e lá se foi o gordo, cambaleando pela porta afora.
“Senhor! Senhor! O canhoto!” – Antonio correu até a porta e entregou-lhe o canhoto, aproveitando para dar uma última olhadela e certificar-se que “aquilo” não estava mais lá mesmo.

Voltando-se para a loja, limpou a sujeira do café. O velho Gonçalves certamente o cobraria pelo teclado, mas no fundo ele sabia que seria merecido. Aquele fora o terceiro teclado que Antonio mandara para o lixo só naquele ano.

“OS 298. Senhor Rodrigues. Telefone para contato 852 7656. Restauração total. Entrega prevista quinta feira 17 de julho” – completou o formulário enquanto ansiava conhecer a progenitora de seu ex-verruguento cliente.
“Vamos ver, vamos ver...hum...será que a mãe foi a culpada?...ou teria sido seu pai?” – abriu o envelope.
Na foto apenas uma senhora sentada numa confortável poltrona, e a seu lado uma figura magra, muito magra, que apoiava a mão sobre o ombro esquerdo da mulher.
 “Olha só, quem será esse...rapaz!...é ele. Magro como pau de virar tripa, mas é ele” – conclui Antonio analisando de perto a verruga na testa do coitado.
“E o danado do caroço já vivia em sua testa! Mamãe caroço com seu filho carocinho”.
Percebeu que o tamanho da verruga era reduzido, mas a forma horrenda já deixava sua assinatura na testa do rapaz.

Virando a foto e olhando seu verso notou a data do retrato: janeiro de setenta e dois. Ele aparentava vinte e poucos anos, magro, muito magro. Como teria ganho todo aquele peso? – imaginava Antonio, já digitalizando a fotografia.

Abriu o photoshop.
O primeiro passo seria retirar o tom amarelado da foto, algumas manchas maiores e um vinco muito forte no canto superior direito. Depois, com a foto mais ampliada na tela, foi cuidadosamente eliminando as sujeiras menores. Duas horas mais tarde o trabalho estava pronto. Mas uma curiosidade quase que mórbida percorria-lhe a espinha.

Abriu a foto anterior, aquela, intitulada caroço.jpg.
“Prefiroro o senhor mais magro...Vamos ver... Retiro um pouco de barriga aqui, diminuo bastante esses pneuzinho... Isso, bem melhor.” – divertia-se Antonio com seu boneco virtual.

Mas a brincadeira logo perderia a graça.
Passada a quinta feira, visto que o senhor caroçudo não viera retirar a tão estimada fotografia, Seu Gonçalves resolveu dar um telefonema para efetuar a cobrança. Mas algo acontecera, algo de ruim acontecera.
“Sei, sei. Entendo. Olha, eu sinto muito pela sua perda senhora... 30 quilos...Jesus. Vamos fazer o seguinte: envio o retrato pelo correio, no máximo em dois ou três dias a senhora deve recebê-lo em casa.” – prontificou-se o velho – “Sei que essa foto era de valor inestimável para seu marido, preciso devolvê-la” – completou.
“Por favor, senhora, me passe o endereço de entrega”.
Enquanto o velho Gonçalves anotava o endereço, Antonio permanecia pálido, mudo e inerte com a conversa que ouvira.
“Coloca a OS 298 num envelope e despacha pra este endereço aqui” – ordenou o velho.
“O que... que aconteceu? Algum problema?” – as palavras quase que não saiam de sua boca.
“Ele bateu com as dez Antonio, e nem pagou adiantado” – resmungou o velho.
“Nossa, e como foi?” – Antonio suava frio com a possibilidade de ouvir o que não queria.
“A esposa disse que na semana passada, depois de voltar do centro, sentiu-se mal, deitou-se e não mais levantou. Perdeu mais de 30 kilos em apenas 4 dias. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu. Nem médico, nem ninguém” – relatava o velho – “ Daí, não aguentou e morreu”.

Um calafrio sem precedentes subiu pelo corpo de Antonio. Era coincidência demais para uma mera casualidade. Primeiro o caroço, que apagado na fotografia digitalizada, sumira realisticamente da face do defunto. Agora o defunto, ex-gordo, tivera trinta quilos de sua estimada banha evaporados em apenas quatro dias, após ter sofrido uma lipoaspiração digital pelo mouse amaldiçoado de Antonio.

“30 quilos!? Como alguém perde 30 quilos em 4 dias? Isso é loucura!” – duvidava Antonio em voz alta enquanto no seu íntimo tinha certeza agora da maldição que criara.

Pegou o envelope da OS 298 e deu uma olhada no endereço.
“Seu Gonçalves, este endereço fica bem perto da minha casa, eu posso levar e entregar em mãos para a família... Não vale a pena arriscar um extravio, o senhor não acha?”
Antonio não podia acreditar. Queria ver de perto, sentir o estrago que causara apenas com o leve toque de seus dedos.

“Esta bem Antonio, hoje eu fecho a loja. Saia quinze minutos mais cedo e leve esta recordação para a infeliz da viúva” – “Se pintar uma oportunidade, cobre a dívida do falecido”.
Como um ser podia ser tão sovina quanto Seu Gonçalves? - pensou Antonio. E lá foi ele, admirar sua obra.
Antonio desce da lotação e, decidido, ruma para a casa de sua vítima, enquanto tenta imaginar o que diria para a viúva, ou filha, filho, alguém que viesse receber o envelope de suas mãos. Na verdade ele mesmo não sabia o que estava indo fazer naquela casa, talvez pura e mórbida curiosidade do algoz que delira em ver sua vítima caída. Mas o gordo já fora sepultado... O que ele realmente desejava indo até lá?

Chegando à porta do número 35 da Rua Xavier, Antonio toca a campainha. Logo aparece uma mulher de expressão cansada, triste, como se não dormisse há pelos menos uns dois dias. Aparentava trinta e poucos anos.
“Pois não?” – perguntou logo a mulher.
“Boa tarde senhora. Me chamo Antonio, trabalho na IMAGEM AZUL, uma loja de fotografia lá do centro onde o senhor Rodrigues encomendou um trabalho” – apresentou-se.
“Olha meu filho, pela vontade do Senhor o patrão morreu há dois dias... Então?”
“Não, não, eu sei. Infelizmente ficamos sabendo do ocorrido lá na loja” – explicou-se Antonio.
“Esse é um dos motivos pelo qual estou aqui. A senhora Rodrigues está? Ela esta esperando essa encomenda, que digo, é muito valiosa para a família, seria entregue pelos correios. Porém, como minha casa fica perto daqui, resolvi trazer pessoalmente e entregá-la em mãos, para que não haja imprevistos” - concluiu Antonio.
“É só entregar?” - perguntou a mulher.
“Sim senhora, por favor, entregue este envelope à senhora Rodrigues”.

Nesse momento Antonio percebe que alguém se aproxima por de trás dele. Tratava-se de uma mulher alta, aparentando quarenta anos, cabelos compridos e morenos, olhos escuros e uma pele que mais lhe parecia uma louça, daquelas que só se via em novela mesmo. Junto a ela empuleirava-se um rebento inquieto, incontrolável e muito mal educado.

“Pois não? O que o senhor deseja?” – indagou a jovem viúva enquanto tentava desembaraçar seu pequeno rebelde dentre suas pernas.
E Antonio pacientemente explicou o motivo de sua presença num momento tão inapropriado. Encerrava a narrativa quando que, subitamente, foi paralisado pela sensação que iniciara toda sua angustia há duas semanas atrás. O Monstrinho herdara “Aquilo” do pai.

Como se fosse um tipo de mutação clonada, o caroço vivia forte e virtuoso na testa do menino. Só não tinha pelos, ainda.

Antonio suava. Suas mãos agora formigavam, tamanho era o incômodo que o caroço juvenil lhe causava.

Ele precisava fazer alguma coisa.
Respira fundo e, num ato de bravura, pede que a viúva lhe entregue uma foto onde a família estivesse reunida, para que pudesse realizar se não o último, o derradeiro desejo do falecido.
“Dona, pode confiar. Seu Rodrigues era nosso cliente há anos, e na última vez que esteve lá (Deus o tenha) comentou que traria uma foto de vocês juntos para que pudéssemos fazer o trabalho artístico”.
“Mas que tipo de trabalho o senhor se refere? O que ele queria que você fizesse com nossa foto?” – desconfiou a mulher.
“Ora dona, se eu contar, a surpresa perde o sentido...”

Relutante e ainda desconfiada, a viúva entrega-lhe um retrato onde pai, mãe e filho verruguento posavam numa alegre e ensolarada tarde no Ibirapuera. E Antonio sorriu, ao ver que lá estava “aquilo”, disforme, um pouco mais pontudo que seu predecessor, mas imponente, horroroso e amórfico caroço na testa da criança.
“Por favor, devolva logo, esta foto é muito querida, ainda mais agora”. – recomendou a mulher.

Antonio foi para casa e, entre passos e rápidas espiadelas na foto, planejava sua ação.
“Amanhã é sua vez criança... amanhã é sua vez.”



Richard Zuppa
Publicado no Recanto das Letras em 02/07/2008
Código do texto: T1061778
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Comentários
05/07/2008 19h08 - Puetalóide
Zé do Caixão deixará um grande número de seguidores. Parabéns.
03/07/2008 12h17 - Daniela Monteiro
Incrível!!! Adorei! Muito bem escrito. Quando vem o próximo? Parabéns!
02/07/2008 17h10 - Moacir Silva Papacosta
Richard, estreiou magnificamente bem. Parabéns e seja bem vindo ao Recanto das Letras. Abraços

Sobre o autor
Richard Zuppa
São Paulo/SP - Brasil, 37 anos, Escritor Amador
1 textos (152 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/10/08 06:46)

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