Terror na floresta (Parte 1)
- Eu não lhe entendo Jean, por que não vamos a um motel como pessoas normais?
Disse uma jovem a seu namorado.
- Ah! Qual é Josi, vai dizer que não é mais excitante? Além do mais não temos grana pra ir lá dessa vez.
- Mas precisamos ir naquela casa abandonada há essa hora no meio da floresta?
- E por acaso tem idéia melhor? Conhece outro lugar?
Respondeu Jean em um tom mais rústico.
-Não, mas esse lugar me dá arrepios, você conhece as lendas dessa floresta? Dizem que é má assombrada.
- Ah, não fode Josi, vai dizer que acredita nessas besteiras?
- Na verdade não... Mas sei lá, dizem que 12 pessoas já entraram nessas matas e nunca mais foram vistas.
- Lenda Urbana Josi, e as outras centenas que já entraram e saíram dessa floresta sem que nada lhe acontecessem.
Jean deu uma suspirada e continuou dialogando, dessa vez em um tom firme:
-Quer saber Josi, se não ta a fim de transar beleza, eu te levo de volta pra casa agora, mas para com esse papo de Bruxa de Blair que me irrita ok?
No entanto, Josi era que ficara irritada, explodiu:
- Vai se foder seu grosso estúpido, não precisa me levar de volta, eu mesmo volto sozinha daqui mesmo.
Sentindo que sua noite iria de água abaixo, O rapaz tentava contornar a situação:
-Ei! Josi espera, por favor, não vá, me desculpe. Não quis lhe magoar... Esquece isso vai, estamos a poucos minutos da casa não vamos parar por aqui.
E foi assim que Jean conseguiu convencer a namorada a ficar e prosseguir, pondo fim ao pequeno desentendimento do jovem casal. De fato estavam a poucos minutos da casa abandonada, mais ou menos 20, porém, quando chegaram à metade do caminho que lhe faltavam...
- Calma ai Josi, preciso dar uma mijada.
- Mas agora Jean?
- É, agora, é rápido, espera ai.
E Jean adentrou na escuridão, longe do alcance da lanterna de Josi e da iluminação natural da lua cheia. Eis que a rapidez que fora prometida a Josi não estava sendo cumprida. A moça estava preocupadíssima.
- Jean anda logo... Não estou de brincadeira.
Alertava Josi.
A preocupação já dava lugar a um singelo desespero, Jean não respondia os chamados de Josi, que não percebia que alguma coisa sorrateiramente se aproximava.
Uma fria gota de suor corria nuca abaixo de Josi. Aquilo arrepiava os minúsculos pêlos de sua pele, foi quando algo a agarrou.
- SEU FILHO DA PUTA! Que brincadeira escrota, não tem graça porra!
Foi exatamente isso que Josi disse a seu namorado após ele lhe dar esse susto.
Por sua vez, Jean ria tanto que mal tinha forças para ficar de pé.
-Tire as mãos de mim seu babaca, não quero porra nenhuma mais.
Dizia Josi afastando o namorado, que minimizava:
-Ah! Vamos Josi, para de show, é que não pude resistir à brincadeira.
Enquanto Jean seguia e discursava tentando convencê-la a ir para a tal casa, algo chamava sua atenção.
- Ein Josi, já que estamos aqui, vamos prosseguir, foi uma Brin...
- Silêncio, você ouviu isso?
Interrompia Josi ao notar que tinha alguém mais além deles na escura mata.
Atônito e olhando para a esquerda e direita, Jean questionava:
-Ouvi o que? Não ouvi...
E fora interrompido outra vez.
-Psiu, escutou agora?
Contudo, Jean não aquiescia, disse com um sorriso nos lábios:
- Ah! Qual é Josi, quer me pregar uma peça agora?
Porém, dessa vez o ruído estalado de galhos quebrados e plantas sendo pisadas foram audíveis a Jean.
-Que merda deve ser isso? Um animal?
Perguntou assustado.
-Eu que não fico aqui pra descobrir o que é. Melhor voltarmos Jean.
Replicava a sensata Josi.
E então, do meio de toda aquela escuridão um vulto surgia bem na frente de ambos. Sem tempo de reação, Jean fora atingido por um pedaço de madeira no meio dos joelhos, caindo com eles no chão e ficando incapacitado naquele instante. Sentido que não poderia fazer nada além de gritar ou esperar o golpe que sacramentaria seu destino, Jean optou pela primeira opção.
-CORRA JOSI, CORRA!
Foi isso que gritou antes de perder a consciência após levar um chute no queixo, Josi gritava em vão, ninguém a ouviria ali, correu e havia tomado o caminho para o interior da floresta, enquanto o tal sujeito ou a tal coisa começou a persegui-la. Olhou para trás e não vira nada além do caminho percorrido tomado pelo negrume. Já avistava a velha casa, no entanto, percebeu que o agressor a seguia por fora da trilha, fazia um caminho paralelo a ela e, provavelmente conhecia muito bem aquela floresta. Josi fora alcançada facilmente, tentou se defender com a lanterna, mas seu oponente mostrava mais destreza e tenacidade, acertou Josi com um potente soco, deixando-a desfalecida no chão.
Dois meses depois...
Um grupo de jovens conversava pelo MSN.
Marcão diz: Ai galera tive uma idéia genial p/ nossa festa.
Rose diz: Diz ai Marcão.
Márcio diz: vc tendo idéia? Kkkkkkkkkkkkkk.
Marcão diz: Pô, nossa festa podia rolar lá na floresta.
Rose diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Márcio diz: PQP, ta fumando mto esse negão hahahahaha.
Lincon diz: hahahahahaha.
Marcão diz: Porra Fdps prestem atenção.
Marcão: ACABA DE ENVIAR UM TOQUE.
Marcão diz: porra nossas festas acontecem sempre a mesma coisa, já to de saco cheio de beber refri, aquele puto do diretor marca em cima qdo a festa rola na escola, fiquei sabendo q na floresta tem uma casa abandonada, é só seguir a trilha, ñ tem erro.
Lincon diz: Cara t falar q a festa do ano passado foi uma merda mesmo, nessa casa ai podemos enxer a cara da cachaça e embebedar as minas hehehehe.
Marcão diz: Esse é o pensamento.
Rose diz: Ah sei lá gente, dizem que aquela floresta é sinistra.
Márcio diz: Perfeito então, ainda rola toda uma mística em cima, por mim fechou.
Lincon diz: Por mim tbm.
Rose diz: Jah q vcs querem né.
Marcão diz: Amanhã na escola agente conversa melhor sobre isso, tenho que ir dormir agora. Rose já desmarca a quadra com o diretor, to sentindo que essa festa vai ser de arromba. Bjos Rose, abração pessoal.
Rose diz: Bjos.
Lincon diz: bjundas.
Márcio diz: vlw galera abração.
[CONTINUA]
Edu Berdague
Publicado no Recanto das Letras em 31/10/2009
Código do texto: T1898282
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