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Uma Noite de Arrepiar

Lá do alto, a pequena Agnes, observava as casas enfeitadas com abóboras iluminadas, esqueletos e outros adereços macabros. Para a mãe, falou que iria pedir doces nas casas vizinhas, mas na verdade saíra para brincar de outra coisa.

Somente Bel, sua boneca, conhecia seus poderes, que estranhamente funcionavam apenas na noite das bruxas.

- Vamos, hora de brincar! - falou, com uma voz de dar medo.

Sobrevoou o quarteirão, procurando algo. Logo avistou a suntuosa mansão cor de pêssego. Ali morava o esnobe e odioso menino chamado Tony. Não conseguia varrer de sua memória as palavras dele, no dia em que o encontrou no setor de guloseimas, quando entediada fazia compras com a mãe. - “Vai ficar redondinha, cuidado, hein, Agnezinha!” hahaha!

Que ódio! Que ódio!

Fez a volta até encontrar uma janela aberta. Entrou. Escutou a voz dele em aposentos próximos. Ótimo! Ele estava em casa! Falou alguma coisa baixinho no ouvido de Bel.

Bel saiu do quarto e seguiu pelo corredor, entrando na segunda porta à esquerda. Aberta, para sua sorte. Tinha bom faro para achar pessoas.

Cantarolando, ajeitando a camisa em frente ao espelho, o garoto nem reparou nos dois olhinhos diabólicos que o observavam à distância.

A boneca agiu rápido. Do bolsinho do vestido, tirou um vidro com ácido, jogando em cima dos pés de Tony. O menino gritou desesperado, dando pulos, sem saber como e nem porquê e nem de onde tinha surgido aquele líquido destruidor.

Bel retornou depressa para o outro quarto, falou algo baixinho no ouvido de Agnes, subiram na vassoura e desapareceram as duas no meio da noite enluarada.

                                      * * *

Dois dias depois, durante o café da manhã, a mãe de Agnes lê estarrecida a notícia no jornal. Tony havia sofrido um acidente misterioso em sua própria casa e encontrava-se hospitalizado, mas fora de perigo.

- Que horror! - disse a mãe - pobre menino.

Agnes, com seus olhinhos pequenos e frios, nada falou.

- Querida, onde está sua boneca? Andam sempre juntas.

- Ela era muito malvada, mamãe. Vou fazer outra.

- Filha, todos os anos nessa época, você troca de boneca! Estou começando a achar isso muito esquisito. E de agora em diante não sairá mais sozinha, a cidade está ficando perigosa. Ouviu bem?

O rostinho de Agnes se fechou. Assim que a mãe se afastou, falou baixinho: - "Já sei do que vou brincar ano que vem".
Rosa Mattos
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904278

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Comentários
16/11/2009 08h21 - Flávio de Souza
Olá Rosa! Uau, que perversa, hein! Tenho medo delas... Bjs, Flávio
10/11/2009 23h20 - Leandro de Araujo
ARREPIEI!!!! Gostei muito do seu conto.
09/11/2009 17h29 - J Cobain
Amei sua história, tambem já do que ela vai brincar ano que vem , só não conseguir captar por que ela sempre faz outra boneca.

Sobre a autora
Rosa Mattos
Porto Alegre/RS - Brasil, 49 anos
19 textos (2172 leituras)
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