Texto

RUBRO ZORRO CAP. II "O CASARÃO E A CHEGADA"

        O Reformatório Rita de Cássia ficava meio distante da cidade, já propositalmente para que os internos mais velhos quisessem fugir do internato, ficava longe e de difícil acesso a uma estrada onde pudesse conseguir algum tipo de transporte ou carona.
O internato tinha sido fundado há algum tempo por um grupo de irmãs de caridade que estavam enviada por missões na cidade, perceberam o alto numero de crianças abandonadas e crianças que a cidade abrigava e resolveram dar um lar decente aquele que não tinham nada e ninguém por eles.
Não era um lugar bonito nem considerado habitável pelos cidadãos da vizinhança, historias de maldições antigas rodeavam o lugar, fantasmas e assassinatos sem lógica alguma rodeavam o casarão, todas as hipóteses de existência de seres sobrenaturais no local se confirmavam com o fato de que nenhumas das famílias que desejavam a compra do lugar conseguiam se estabelecer definitivamente ali. Geralmente problemas envolvendo mortes misteriosas e desaparecimento sem explicação eram o fator superveniente das continuas mudanças das famílias, que voltavam sem mal conhecer a “nova” vizinhança.
Tantas foram as tentativas de venda do imóvel pela empresa responsabilizada pelo ato que o consorcio que era obtinha a escritura da construção resolveu por demoli-la para a tentativa da venda do terreno, porém no dia da assinatura do contrato de demolição apareceu por lá um homem de identidade não revelada trajando um tipo de roupa suspeita aos olhos críticos da sociedade. Resolveu por compra o casarão e realizaria a transação efetuando o pagamento em dinheiro no mesmo dia, após um tempo analisando a proposta e procedência do sem identidade resolveu-se pela venda do imóvel, mesmo não tendo coerência a explicação de sua procedência a empresa aceitou a proposta do desconhecido e efetuou a venda.
Meses depois do negócio efetuado, um grupo de freiras em missão na cidade resolve por fundar um abrigo no local e escolhe o casarão como local apropriado para a instalação do orfanato.
Anos se passaram, lendas e mitos continuavam a rondar o casarão, porém o que mais impressionava era que as situações estranhas continuavam a acontecer com frequencia. Portas que abriam sozinhas, vultos vistos em alta madrugada, ruído de passos e correntes, enfim vários eram os acontecimentos que faziam as freira realizarem um tipo de exorcismo toda semana no antigo casarão. Porém, certa noite tudo parecia normal ate as três da madrugada. O calor até então era intenso, os ventiladores da casa estavam ligados com toda sua potência ativada, no céu havia uma quantidade imensa de estrelas. Com badaladas secas, o suntuoso relógio italiano feito em mogno puro parado no canto da sala desde da fundação do abrigo avisa que são três da manha, a hora do demônio. Acontece o inesperado, no jardim do casarão as arvores, até então firmes como concreto, começam a dançar como se estivessem embaladas por alguma musica sensual ou coisa do tipo, uma chuva densa e furiosa toma conta do local, barulho era assustador, até que a madre resolve, depois de um longo debate interior, levantar e averiguar o acontecia, definitivamente havia algo de errado. Conforme o ritual imposto pela rotina diária, ela se levanta traça sobre si o sinal da cruz lentamente, toma em suas mãos o rosário, beija a cruz em meio a penumbra do quarto e levanta-se em direção a janela do quarto, apavora-se automaticamente ao chegar e observar a cena satânica.
A imagem do presente acontecido ia de contra a todas as leis naturais e Divinas. Em meio a uma densa chuva velas acesas formavam um circulo perfeito dando a idéia de algum tipo de culto satânico. A Madre, aflita, apega-se ao rosário, depositando toda fé desenvolvida em sua longa caminhada cristã, ela não sabia o que clamar, mas tinha fé...
Na manha seguinte, todas as crianças tinham no rosto uma estampa clara de medo, porém nenhuma das irmãs comentava o acontecido. O suspense durou, e aumentou, ate quando abriram a porta e encontraram num cesto negro uma criança, que mesmo não demonstrando ainda tinha vida.
Amil Ney Junior
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009
Código do texto: T1909260

Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários

Sobre o autor
Amil Ney Junior
Itaocara/RJ - Brasil
18 textos (786 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 10:08)

Como anunciar aqui?