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Terror na floresta (Parte 3)

Marcão ao chegar, viu seu irmão sentado no sofá com uma cerveja na mão.
-Trabalha mais não vagabundo?
-Tô de folga hoje , Márcio te ligou , pediu para que ligasse de volta.
Respondeu seu irmão, após dar um gole na cerveja.
-Depois do banho eu ligo.
Balbuciou Marcão.
-Vai fazer a festa lá na antiga sede mesmo?
Perguntou Marlon seu irmão, Marcão respondia e em seguida perguntava:
-Sim, tem espaço suficiente naquela porra?
-Mais ou menos, mas dá pra fazer uma bagunça responsa. Quando caçava passávamos sempre a noite lá.
-Sabe por que desativaram aquela sede?
Indagou Marcão com uma curiosidade perigosa, temia ouvir algo que realmente o deixasse com a pulga atrás da orelha; algo sobre maldições ou alguma lenda que realmente tivesse acontecido.
-Papai nunca te contou a história?
Perguntou Marlon dando outro gole na cerveja.
-Bem... Se contou, não lembro.
Marlon pigarreou e disse algo que realmente Marcão não gostaria de ouvir.
-Parece que os caras enlouqueceram.
-Como assim? (outra pergunta cruelmente perigosa)
-Um matou o outro naquela porra, só sobreviveu uma pessoa, e o pior é que a polícia nunca achou os outros corpos. Ainda vai querer dar a festa naquele lugar amaldiçoado?
Um minuto de silêncio e uma expressão de seriedade no rosto de Marlon, a mesma expressão séria que o âncora do Jornal das oitos diz o boa noite. Logo em seguida, essa expressão foi desfeita por uma risada.
-Não fode cara, vou tomar banho nessa porra.
Disse Marcão meio irritado, meio aliviado.
E assim se retirou sob risadas do irmão.
-Alô Márcio? Ta onde cara?
“Pô Negão tô voltando pra casa, se liga cara: tava pesquisando os preços das bebidas, a galera vai ter que botar pelo menos uns 15 Reais a mais, senão vai ter pouca coisa.”
-Por mim já é
Assentia Marcão, pois 15 reais realmente não era nenhum problema para ele.
“Então demoro”
Disse Márcio do outro lado da linha.
-Se liga vai entrar no MSN hoje?
Perguntou Marcão mudando o rumo do diálogo.
“Vou sim cara por quê?”
-Tenho um lance pra falar contigo.
“Então beleza. Até mais Negão.”
-Falou cara.
Na casa de Rose...
-Boa tarde Mãe.
-Oi Rose boa tarde, como foi a aula?
-Chata como sempre.
-O diretor ligou... Disse que vocês cancelaram a festa, é verdade?
-Sim Mãe, mas na verdade ela vai rolar em outro lugar.
-É? Onde?
-Não sabemos ainda, provavelmente na casa de alguém.
Rose sempre cautelosa para contar qualquer coisa para seus pais.
-E por que vocês não querem mais fazer a festa na escola?
-Por mim até rolava lá, mas os meninos querem fazer as coisas longe do diretor.
-Hum... Olha lá ein mocinha, só espero que se comporte.
-Pode deixar Mãe, sabe que nunca lhe dei problemas.
-E espero que continue assim.
-Mãe... A senhora já esteve na floresta?
Rose mudou o assunto com um pequeno frio na barriga, a pergunta foi levemente perigosa, mas foi um risco calculado, de fato, Rose nunca causou problemas a seus pais, logo sua mãe não suspeitaria dela.
-Algumas vezes fui pescar com seu pai, mas por que essa mudança de assunto?
A indagação de sua mãe gelou sua espinha, a jovem não esperava por essa pergunta.
-Por nada, só uma curiosidade. E por quantas vezes a senhora esteve lá?
Dissimulou Rose.
-Não muitas, depois do incidente com seu tio nunca mais voltamos.
-O que aconteceu com meu tio?
Arlete coçou a cabeça e respondeu um pouco constrangida.
-Parece que numa caçada ele sem querer acertou um amigo.
-Mas como isso aconteceu?
Perguntou Rose (Indagação levemente perigosa)
-Eu não sei Filha, parece que ele viu alguma coisa, pensou que fosse um animal e acertou o companheiro, seu pai que sabe de todos os detalhes, mas ele sempre evita o assunto.
E assim Rose se retirou dirigindo-se ao seu quarto onde passava a maior parte de seu tempo e onde compartilhava suas angústias e felicidades. Rose não estava em um momento agradável de sua vida, a paixão que sentia por Márcio era melancólica, a possibilidade de não ser correspondida, apertava seu coração. Estava entre um conflito de medos: o medo de que algo ruim pudesse acontecer, algo estranho relacionado à floresta e suas maldições; e o medo maior de ver Márcio com uma das amigas de Lincon. O medo de que algo ruim pudesse acontecer na verdade era apenas um respeito ao perigo.
Rose apesar de bonita não tinha autoconfiança, e por Márcio se dar bem com todos, sempre imaginava que jamais iria querer algo a mais do que amizade. Rose no entanto, estava curiosíssima sobre o incidente de seu falecido tio. (curiosidade levemente perigosa) Enquanto aguardava os amigos ficarem on no MSN , pesquisava sobre assuntos ocultos. Coisas sobre florestas amaldiçoadas e tudo relacionado. Estava lendo algo muito interessante quando a janela de seu Messenger surgia piscando na barra de tarefas de seu PC.
A necessidade momentânea de atenção fez com que fizesse uma leitura inspecional do assunto pesquisado... Fechou a janela sem terminar de ler.
Tomás diz: Oi moça td bem?
Rose diz: Oi querido, estou bem e vc?
Tomás diz: Bem tbm, o q conta d novo?
Rose diz: Vai rolar uma festa aki, e to meia preocupada.
Tomás diz: Com o q?
Rose diz: Com o menino q eu gosto, tenho medo q ele saia com outras meninas e não quero ver isso.
Tomás diz: Pô vc tava tão animada com a festa.
Rose diz: Pois eh, acontece q a festa mudou de lugar.
Tomás diz: Aff, e onde vai ser isso ?
Rose diz: Vai ser na floresta q tem aki perto, tem uma casa abandonada lá e esse é meu medo. Pois se fosse na escola ñ ia poder rolar pegação, já lá.... por isso q tenho medo q ele fique com alguma vaca por lá.
Tomás diz: To ligado, mas ñ fique assim não querida, afinal vc é uma gatinha devem ter outros caras interessados em vc. (Tomás que era Wellington , tentava amenizar a paixão que Rose sentia por Márcio)
Rose diz: Isso p/ mim tanto faz.(Essa resposta foi decepcionante para ele)
Tomás diz: Eu já acampei na mata uma vez aki na minha cidade, só q o lugar era meio sinistro, dizem q era assombrado, fiquei com o cu na mão.(Jogo psicológico apelativo de Wellington)
Rose diz: Hum. Sabe, queria tanto q alguém contasse ao diretor e assim ele comunicasse nossos pais p/ festa não rolar mais lá.
Tomás diz: Gosta mto dele não é ?
Rô diz : Sim.
Márcio voltara de ônibus para casa, horário de rush, condução lotada, tudo que pudesse irritar qualquer pessoa, exceto ele, que gentilmente cedeu lugar a uma senhora, mesmo após caminhar por horas pesquisando preços, foi capaz de cometer tal gentileza. Minutos depois, um cidadão levantou-se, pediu licença a senhora e deixou vago um lugar ao lado da mesma. Márcio então sentou ao lado da velha que havia deixado sentar minutos antes.
-Você é a cara de meu neto sabia?
Disse a senhora.
-Ele tem minha idade?
Perguntou Márcio em um tom cordial.
-Não, ele é mais velho que você, quantos anos tem?
-Tenho 17, mês que vem completo 18.
-Que bom, já é um rapaz.
Falou a senhora, em seguida iniciou uma tosse seca.
-Pois é.
Balbuciou Márcio um tanto encabulado.
-Pena que irá morrer logo!
Márcio arregalou os olhos e perguntou em um tom firme.
-Como é?
-Disse que não precisava ficar vermelho.
Replicou a velha após terminar de tossir.
-Ah sim... Por um instante pensei que a senhora tivesse me dito outra coisa.
-Como assim meu filho?
-Nada senhora, é que tô muito cansado.
-Eu desço no próximo ponto, se cuide meu jovem.
-Thau senhora, vá com Deus.
E assim a senhora estranha desceu em seu respectivo ponto, no entanto, Márcio prosseguia a viagem jurando para si mesmo que a senhora havia dito que ele iria morrer.

[CONTINUA]
Edu Berdague
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2009
Código do texto: T1910487

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Edu Berdague
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