Maníaca do lotação
Hoje acordei meio Schopenhaueriano, Niilista, Byronista, ou quem sabe, com um quê de Augusto do Anjos. Encontro-me num turbilhão de pessimismos e negatividades.
Pode ser pela falta de grana, descontentamento profissional e pessoal, uma descrença a tudo e a todos, um NÃO que persiste ferozmente nos meus pensamentos.
E pra criar uma narrativa aos estilos acima, trago-lhes mais uma estória tosca que aconteceu essa semana e que denominei, pela falta de criatividade e bom senso, A maníaca do lotação.
Andar de ônibus em plena segunda-feira, lotado, com chuva, retornando do serviço cansado é pra qualquer ser normal ficar puto da vida. Eu que havia amanhecido revoltado com o sistema e com o mundo, entrei em surto. Logo de cara comecei a discutir com uma velha que não queria abrir os vidros do ônibus; tudo abafado, apertado, um cheiro de peido violento, duas gordas a me espremer contra um banco, um sujeito com um casaco fétido, cheirando a mofo, inúmeros guarda-chuvas molhados esbarrando em mim, o maldito ônibus que não andava, um esbarrão daqui, apertão dali... Um inferno! Eu já estava quase cotovelando uma bicha que, volta e meia recostava em mim, mediante as freadas que não ajudavam em nada ... Até que, uma gostosa resolve dar lugar a um deficiente visual que subiu dois pontos atrás e tateando, chegou até ao acento preferencial.
Era muito gostosa! Usava uma calça jeans justinha, uma blusinha mais justa ainda, calcinha enfiada, cabelos soltos e uma maquiagem super carregada. Ficou lado-a-lado comigo, ou melhor, um centímetros à frente, o que fez minha perna roçar em seu glúteo empinado. Primeira vez fiquei meio encanado com a situação: - Desculpe moça! Ela sorriu: - Não foi nada! Outra freada, um encostada mais brusca, ela empinou e passou a esfregar-se em mim. Fiquei rijo imediatamente, ela também percebeu o volume e abriu as pernas levemente deixando uma fenda, onde eu pude sentir com maior nitidez seu calor e seu tesão.
Levantei os dois braços, segurando a barra de apoio de mão para deixar o corpo mais solto, mais envolto, enquanto ela, ficou nas pontas dos pés, tentando alcançar minhas mãos, nivelando nossos sexos mais aquosos do que nunca.
Nessa hora o ônibus parou numa praça e metade dos passageiros desceram, os outros que continuaram, fitaram-nos, vendo a cena da dança do acasalamento. Desgrudamo-nos rapidamente. Olhei fulminantemente para aqueles curiosos desgraçados e pensei: Bando de povinho filho da puta!
Pra disfarçar minha ereção virei para o outro lado e encostei num ferro próximo à porta de saída, ela veio atrás e disse:
- Vou descer na próxima parada, você também?
Podia ser o quinto dos infernos... Eu desceria com ela.
Saltamos. Chovia mais embaixo daquela cobertura do que ao relento. Beijamo-nos em êxtase. Nossos poros saiam fogo de desejo. Nossas mãos procuravam as intimidades encharcadas de chuva e baba e, olhamos numa mesma direção, como num cinema mudo, uma velha construção e pra lá fomos cheios de tesão.
Arriei as calças e deixei-a cair de boca no material. Estava com muita fome. Degustava em nacos depois por inteiro. Enchi sua boca de creme. Ela saboreou, porém queria mais e eu, imediatamente arranquei suas roupas úmidas e introduzi fundo, uivando feito lobos. Estocava forte, rápido, de baixo pra cima. Ela mexia os quadris, rebolava, e gritava ... A chuva apertava e a água suja começou a invadir aquele recinto. Subimos num andaime... Que perigo! Deitou-se de ladinho e pediu que eu tirasse seu selinho traseiro. Passei saliva e tentei uma, duas, na terceira a entrou, como era apertado, quase me estrangulou, mas entrou tudo. O entra-e-sai foi amaciando o caminho e, a partir daí, foi só bombar. Ela com as nádegas abertas, meus dedos beliscando seu clitóris, minha língua percorrendo seu pescoço, seu sangue fervilhando contraindo cada músculo do seu 1,70 de beldade e gostosura, até que... Mais um jato forte e quente inunda aquele orifício faminto, e no descompasso do nosso gozar, cair de lá de cima, bati a cabeça nos tablados e lá fiquei desacordado. A putana me depenou, levou todo meu dinheiro que pagaria o aluguel e algumas prestações das Casas Bahia. As roupas, os mendigos levaram. Fiquei só de cueca e meia, que vexame! Pensei naquele verso do Augusto dos Anjos:
“...Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!”
E já de manhã do outro dia, cheguei em casa, enrolado no cobertor imundo que tirei de outro mendigo a tapa.
Não quero e não consigo acreditar que fui mais uma vitima da maníaca do lotação. Bem feito pra mim! Quem manda seguir as vontades emocionais... Segundo Schopenhauer, “...A vontade não se manifesta como um principio racional, ela é o impulso cego que leva o homem a irracionalidade[...] constitui, igualmente, a causa de todo sofrimento que provoca dor [...] um prazer que consiste apenas na supressão momentânea da dor...”
Aos adeptos de busão, cuidado! Você pode ser a próxima vítima!
Russolini
Publicado no Recanto das Letras em 03/07/2008
Código do texto: T1062879
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