Texto

Turista de cemitério IV (miniconto)

UM TABEFE NO MEIO DA LATA


Não eram nem seis da manhã e a Polícia atendia mais um caso. Um cadáver foi encontrado em um terreno baldio e levado ao necrotério. Ao chegar, devido à posição em que o corpo estava – todo enrijecido –, os auxiliares de necropsia tiveram dificuldade para colocá-lo em um dos compartimentos do local. Foi preciso forçar muito para que o corpo chegasse à posição correta, mas o braço ficou um pouco fora de lugar.
Minutos depois de concluídos os trabalhos, chegou Tonhão, o turista de cemitérios. Não se sabe como, mas ele já sabia de tudo. Ele era muito bem informado. Como de costume, foi até Alberto, o administrador do local e pediu para ver o mais novo hóspede. Por ser velho conhecido da casa, não houve nenhum problema. Alberto levou-o até o necrotério e Tonhão foi logo ver quem era e se conhecida o mais novo morador da "casa".
Após virar de um lado para o outro, sem obter resultados satisfatórios, Tonhão encostou-se na gaveta para facilitar sua inclinação. Ele queria ver o rosto do morto. Bastou apenas encostar... A mão do defunto escapou e (aberta) acertou bem no meio da cara do xereta. Alberto não se conteve e caiu na gargalhada. Já, Tonhão, naquele dia não teve como revidar o tabefe que levou por causa de sua curiosidade doentia. Acredite se quiser... Isso aconteceu mesmo!!! Os nomes verdadeiros eu não conto.
Fiore Carlos
Publicado no Recanto das Letras em 28/06/2008
Código do texto: T1055906

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Comentários
02/07/2008 00h48 - Tânia Souza
Ah, estou gostanto destes causos de cemitérios, tem um ar das narrativas que nascem meio sem querer e acabam se tornando parte do imaginário popular, gostei!
28/06/2008 20h28 - Pablo Ribeiro
Curioso o conto do colega. Não querendo ser indelicado podíamos substituir o termo moribundo por cadáver ou morto, já que o fulano não respirava mais. Um leitor me corrigiu pois escrevi em Os doze signos do zodíaco a palavra compreensão com Ç. Estamos aqui para nos ajudarmos. Vou ler mais trabalhos do amigo. Quando puder leia os meus. Abração! http://recantodasletras.uol.com.br/autores/pabloribeiro
28/06/2008 20h15 - Sunny Lóra
Deixo-lhe um abraço grandãoooooooooo! Não deixe nunca de escrever, Fiore. Você é um dos melhores que conheço. Saudade, Sunny

Sobre o autor
Fiore Carlos
Limeira/SP - Brasil, 47 anos, Escritor Profissional
566 textos (37009 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/09/08 20:25)

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