Texto

Um fantasma em minha vida

Eu nunca fui um cara muito afortunado, pensando sobre a ótica da maior problemática da vida, o sexo. As mulheres para mim estavam num universo paralelo, mas ainda explico, parecia que eu tinha a chave para o sucesso nas mãos, mas eu não sabia como encontrar a fechadura... Como vêem, até para analogias eu não me saio muito bem, sei que soou meio cômico, mas venhamos e convenhamos, é difícil de admitir certas situações! Mas vamos direto ao ponto, aos trinta anos se o cara não sair do casulo, parece que a vida teimará em convergir para um desastre.

A verdade é que quando eu a vi e desde o primeiro instante, a mim, foi como um flerte com o desconhecido. Uma criatura tão bela, tão bem acabada, não poderia ser obra do acaso. Acho que em alguns momentos, Deus, em sua grandeza, trabalha feito um exímio escultor, criando obras de rara beleza e... Bem, por força de outra expressão, ela era a verdadeira Obra Prima! Sim, “Capolavoro”, meus caros, era a expressão certa para aquela Dona.

Seus olhos! Ah, os seus olhos! Pareciam dois faróis em brilho que iluminavam em todas as direções.  Os seus lábios, duas tochas ardentes, queimavam e ardiam onde mais doía, na minha direção. Seus cabelos, como nuvens fofas! Ah, como eu queria me embrenhar naqueles cabelos! E seus seios? Meu Deus, como dois montes de puro prazer, incrustados feito jóias na silhueta mais dadivosa; eram o convite ao proibido. Suas curvas eram tão bem delineadas, que trafegar por elas incorreria em morte súbita a qualquer transeunte que ousasse (Revelavam o quanto uma mulher podia ser aprazível, desejável e perigosa).

Percebi que a felicidade estava a cinco metros de distância e a milhões de anos-luz de ser alcançada por este pobre desprovido. Ela era uma visão, uma alucinação, era o que eu tentava repetir para mim mesmo todos os dias daquele ano de terríveis desastres em que me encontrei. Sim, pois depois que a conheci, minha vida virou do avesso, e o pior, eu nem sabia o seu nome.

A primeira vez que ela atravessou meu caminho... Acho que seria conveniente elucidar:

Como sempre, lá estava eu, devaneando, vivendo a corrida do tempo, fazendo o mesmo que todos os dias eu fazia na minha torpe vida, perambulando, era assim que eu vivia, perambulando pela existência; talvez, pensando nas perspectivas que estavam tão distantes de mim, e eu nem saiba ao certo precisar. Então ela aparece, linda, soberba, PERFEITA.

É certo que o mundo a minha volta nunca pareceu girar e ponto, só que naquele instante, algo diferente aconteceu. Bom, sem mais delongas, aquela bandida adentrou no meu mundo de desilusões e maculou a minha existência.

Eu a vi, e posso até descrever com riquezas de detalhes o que se passou. E assim, começou a minha história...

Pássaros cantaram uma sonata jamais ouvida, juro que um coral de anjos bradou também naquela hora e uma salva de palmas eu sei que eu ouvi, justo quando aquela Deusa invadiu o meu caminho. Amigos, como em câmara lenta, ela passou por mim, e então, soube, ainda que por um instante, que a existência fazia sentido. Os contornos da felicidade que eram algo tão sem forma, apresentaram-se e delinearam-se para mim.  Foi então que senti, pela primeira vez em anos, que a Alegria finalmente me sorriu!

Está bem, eu confesso, estou exagerando, claro, em se tratando de mim, já era esperado. Sinto por isso, mas devo admitir que estou romantizando os fatos.  A sonata de pássaros que eu ouvi, na verdade, se tratava de um casal de urubus que estavam na corte àquela hora do dia no céu.

Já o canto dos anjos, eu preciso segredar, assemelhava-se mais ao barulho da sirene do corpo de bombeiros. E a salva de palmas, essa, acho que eu só ouvi na minha mente mesmo. Agora, pensando sobre o assunto, fico até sem jeito de confidenciar, mas como eu não posso fugir dessa prerrogativa...

A verdade, pura, nua e crua, foi que tropecei e fui ao chão e em meio à passarela de pedestres. Também não precisava dizer que desmaiei por instantes, até que ela agachou-se ao meu lado e com a voz mais sedosa e aveludada que meus ouvidos jamais provaram, perguntou:

- Você está bem?

Eu não sei o que veio a seguir, pois o que sei;  ou melhor, o que eu posso jurar que sei é que o céu se abriu naquela hora. É, tenho certeza que sim, e a um abrir de olhos. Porém, e apesar disso, esse mentecapto, na iminência de estar na porta do paraíso, ainda teve a coragem de dizer:

- Sim, estou bem!

Logo para a minha desilusão, minha alucinação preciosa então proferiu:

- Que bom!  Desculpe-me, mas estou com um pouco de pressa, tome mais cuidado, mocinho!

É claro que eu só despertei mesmo quando da buzinada do carro que estava a ponto de já me atropelar para que eu saísse da pista... E foi ali, naquele instante, que se deu um novo ensejo a minha história...
     
continua...
Xande Ribeiro
Publicado no Recanto das Letras em 01/11/2009
Código do texto: T1899052

Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários
11/11/2009 14h45 - Suzana Barbi
Claro que estou indo correndo ler a segunda parte, né? Beijão
10/11/2009 02h33 - Alexandre Menezes
Reli o texto para chegar a segunda parte. Se há exagero nele é na magnifíca forma que foi conduzido. Bem vamos a segunda parte. Ah! Postei o texto para você continuar. Forte abraço.
03/11/2009 06h56 - Alexandre Menezes
Salve, Salve. Quase saindo o seu texto. Depois volto para comentar melhor. Estou morrendo de sono. Vou dormir um pouco. Forte abraço.

Sobre o autor
Xande Ribeiro
Ceilândia/DF - Brasil
50 textos (2347 leituras)
11 áudios (523 audições)
3 e-livros (30 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 07:58)

Como anunciar aqui?