Texto

O sertanejo

  A terra sulcada de seca.
  Capa amarelada, o rosto de Zé Amaro sulcado de sol, a faca na bainha, sem reluzir. Nem uma casa em vista; calangos largados à beira das estradas ausentes.
  Tu olha pra cima e só vê o sol, olha pra baixo e só sente o sol, olha em frente e vê um anjo; um anjo empunhando uma espada de fogo, no meio das veias...
  Zé Amaro abriu um sorriso, com ainda menos branco à medida que o sol ia invadindo.
  O anjo estático, a lâmina trêmula, e o homem vinha vindo...
-  Ô Enoque! Viu lá o meu jabá?- Zé inquiriu na direção do anjo.
  Zé Amaro não chegava nunca...
  O anjo escancara as asas, apaga o fogo, levanta vôo e se extingue no céu; o sol fica.
Marcello Salvaggio
Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2009
Código do texto: T1902873

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Sobre o autor
Marcello Salvaggio
São Paulo/SP - Brasil, 26 anos
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