Pelejando até o fim da guerra
Tentei apenas me defender e sobreviver enquanto durou a batalha. Depois de algumas horas o barulho da refrega foi diminuindo, o som metálico de espadas se entrechocando se ouvia ainda, distintamente, de vez em quando. Os gritos selvagens da luta se transformaram em gemidos. O chão estava cheio de corpos caídos nas mais estranhas posições, e a combinação do vermelho do sangue sobre o metal das armaduras parecia natural, como o azul do céu e o branco das nuvens.
Eu me batia contra um vulto negro, mal conseguíamos empunhar as espadas. Gritei para o meu oponente:
-A luta já acabou!
Estava de joelhos e ofegante. Meu oponente sentou-se. Olhamos em volta o campo destruído.
-E agora, o que vamos fazer?
Meu oponente disse:
-Algum dia um sábio, desses que usa óculos e colete, vai explicar o significado da batalha. Por enquanto, a única coisa que eu sei é que aqui viemos para pelejar. E vamos pelejar até o fim.
Tive o secreto desejo de atingi-lo com um pequeno punhal que trazia escondido. Depois achei que pudéssemos encerrar ali aquela luta.
-Certo, disse eu, mas primeiro vamos descansar um pouco.
Um cavaleiro se aproximou galopando. Gritou:
-A luta já acabou! Nós perdemos, perdemos. As tropas já recuaram. Vamos voltar para casa!
Meu oponente me encarou sorrindo. Palpei o punhal enfiado na bota.
Jacques Levin
Publicado no Recanto das Letras em 14/12/2006
Código do texto: T317795
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O final podia ser o descarregar da tenção, mas não: um sus_pender!...
Vou publicar em:
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Jax, esse é o espírito bélico, um dos mais terríveis. Um dia vi um documentário em que eles estudavam se esse espírito está nos animais pois tem um grupo de macacos que, de vez em quando, pega um para Cristo. Do nada, eles começam a encarar um deles e perseguem até mata-lo brutalmente ! Já, um outro grupo era completamente passivo. Curiosamente, eles fazem sexo todo o tempo...uma loucura..rsr...conclusão: Faça amor, não faça guerra !
ótimo conto,
beijos,
Valéria
É isso aí, Jax, seu conto é o que há! Bjs!