Texto

CRIME NA PRAIA FORMOSA
PARTE - III
_ Sobre o que?
_ É verdade. O doutor de nada sabe. Olhe, mas vamos deixar para outra oportunidade que com certeza eu mesmo contarei. Aquela moça está se aproximando, depois conversaremos novamente.
Desci uns degraus, senti naquele instante que aquele desconhecido poderia me contar alguma coisa e fora interrompido com a presença de Lucia. Fiquei irritado, mas tive que me controlar. Pois não tinha motivos para irritar-me com a presença dela. Apenas, naquele momento estava vendo aquele homem afastar-se. Abracei minha amiga e saí dali indo para a pousada. Ao chegar fui logo tomar um banho para tirar um pouco da maresia e daquela areia que me penetrava o corpo. Depois de ter tomado um banho, deitei-me espreguiçando-me quando Lucia apareceu carente pedindo-me alguns instantes para nós. Com seu corpo róseo, bronzeado pelo sol e num lingerie, mostrando-me seus seios e seu com um short que deixava seu bumbum provocante, fazendo-me querer possuí-la. Mas confesso que apesar de todas as tentativas eu não consegui controlar-me imaginando o que aquele senhor saberia daquela que não me saia do pensamento.
Terminei me envolvendo com Lucia e depois, virei para um lado e adormeci, só despertando noutro dia ás sete horas da manhã. Levantei, vesti um short de banho e sai querendo banhar-me no mar. Dei um beijo em Lucia, me despedi dela e fui a praia. Ao  voltar encontrei-a  deitada e dei-lhe uma fruta que trouxera. Ao que ela, com mestria me puxou para seus braços e nos amamos novamente. Logo depois desci para comermos algo quando ao chegar no pátio daquela pousada de longe avistei aquele homem caminhando e por causa de Lúcia não pude aproximar-me dele, tendo que aguardar uma outra oportunidade para saber o que ele teria para me contar. Mas, Lucia ao ver o homem aconchegou-se e disse sentir receios dele e ao mesmo tempo comunicava-me que estava prestes a partir para nossa cidade naquele mesmo dia. Pois se sentia aflita e teria que voltar ao seu ateliê para dar início a um dos seus trabalhos onde logo exibiria uma exposição de seus quadros numa cidade bem próxima de Recife. Onde ela passaria alguns dias pintando seus quadros.
Levei-a até a rodoviária local e desejei-lhe boa sorte nos negócios voltando de imediato para pousada onde deixara o mesmo quarto da pousada reservado. Cheguei, peguei as chaves e percebi que todos me olhavam. Falei com alguns dos criados e subi. Logo tomei um banho e deitei-me, acordando sobressaltado com o sonho que tivera. Levantei, peguei meu note book e comecei a escrever terminei adormecendo  novamente. Nisto, pressenti que naquele momento uma a jovem entrava no apartamento, pedindo-me para que eu a ajudasse e tomasse muito cuidado para que nada de mal vieste me acontecer. Ao começar, querer me contar algo, acordei com o interfone me chamando, um dos criados daquela pousada me chamava atendendo a um pedido meu, para chamar-me às sete horas da manhã.
Sobressaltado, e ainda sonolento atendi o interfone e logo fiquei imaginando o que aquela jovem queria me dizer em sonho, e porque não teria vindo pessoalmente. Pois com certeza queria tanto vê-la. Sai e fui à praia refrescar-me um pouco naquelas águas mornas e cristalinas da praia formosa, onde nadei e depois joguei uma pelada com alguns conhecidos que ali estavam. Quando vi aquele homem de barba negra, vagueando misteriosamente pela praia. Fui até ele e disse-lhe que gostaria de conversar um pouco, coisa que bruscamente ele me disse não ter nada mais para falar comigo.E que naquele momento se encontrava muito ocupado, sem tempo para nada.estranhei o porque ele me tratara daquela forma.
_ Não temos nada para conversar, doutor!
_ Mas o senhor disse que sabe de coisas que muitos aqui não sabem e eu quero uma explicação para tudo que está acontecendo.me ajude, estou ficando muito confuso. Darei qualquer coisa pro senhor.
_ Eu, de nada sei, não sei de nada!...
Falou tão áspero, que pensei que o mesmo queria me agredir, chamando a atenção de um dos colegas que estava batendo bola, vindo aproximar-se e querendo saber o que estava acontecendo.
_ O que está acontecendo? Esse cara está te perturbando?Vá! Vá embora vagabundo. Não venha nos incomodar aqui. O homem saiu deixando duvidas e eu mais uma vez fiquei sem explicação para meu tormento. Voltei para pousada, fui direto para o apartamento, tomei uma ducha e comecei a escrever pensando naquela mulher. Nesta altura não conseguia entender nada. Pensava também, muito nas palavras daquele estranho. Indagava a mim mesmo o que ele teria para me contar e porque de repente se recusará e agirá tão bruscamente comigo. Parecia-me estar ameaçado por alguém e não me poderia dizer nada, temendo sua própria vida.

Alexandre Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 12/10/2009
Código do texto: T1861739

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