Texto

Rookie - Livro I - I folli muoiono prima? - Capítulo I

Dia: 09/12/2012

" Homem, substantivo simples, definido por inúmeros pronomes de tratamento extremamente ligados aos seus méritos financeiros, indiferentes por sua capacidade de amar ao próximo, apenas selecionados por seus adjetivos rentáveis.
Homem, palavra de cinco letras que de forma subestimada define o criador de todas elas.
O homem, o único presunçoso ser racional de tamanho átomo denominado universo, onde podemos ser o centro de tudo ou meras partículas que residem em elétrons chamados planetas, que giram em torno do núcleo sol.
Quem somos? Quantos somos? De onde viemos?
Perguntas antigas, sem respostas, que na verdade deveriam ser substituídas por estas de muito maior relevância: O que podemos ser? O que nos dão condição de ser? O que precisamos fazer para sermos alguém?
Essas perguntas, eu respondo, simples e facilmente: - O que seu destino mandar. Comigo não foi diferente e com você não será, pode estar certo disto. O homem não foge de seu destino, mesmo que lute contra ele.
 Nessa vida tão capitalizada, sempre buscamos mais poder e a suma perfeição, assim esquecemos de voltar ao primordial e viver os sentimentos mais antigos, como: a amizade, o amor e especialmente a liberdade, que a cada segundo nos é mais privada, forçando-nos a viver em grandes jaulas chamadas de apartamentos ou condomínios fechados, que nos protegem de nossos próprios irmãos mais desafortunados.
Infelizmente hoje vivemos á determinantes impostas por nossos semelhantes, que com suas idéias evolutivas fazem o homem morrer das formas mais arcaicas possíveis. Por este motivo, sou livre, talvez um dos poucos entre seis bilhões de pessoas. Criei meu próprio mundo, minhas próprias regras e meu próprio povo.  Por esta liberdade, a cada dia que passa enterro mais amigos e sou noticiado como o criminoso do século, apenas porque estou sendo guiado pelo mesmo destino que me retirou da alienação moral da sociedade e me forneceu a verdadeira liberdade que nem todo o dinheiro do mundo poderia comprar: A deturpada e maquiada loucura da marginalidade."

Ass: Sr Cross


Capítulo I

Segunda - feira, dia 10 de dezembro de 2012;
Sentado envolto as sombras de seu quarto, Tupinambá, ou o Mudo como sempre fora conhecido, lustra sua bela Cougar Magnun totalmente indetectável, e se prepara para a sangrenta e agitada noite que estava por vir.
Vestindo vagarosamente sua calça, em seguida abotoando na mesma velocidade seu belo paletó e por final minuciosamente ajeitando seu cabelo, o pálido indivíduo que possuía seu um metro e setenta e cinco de altura, e um robusto porte físico, pega o telefone. Com sua fala monossilábica avisa que está esperando apenas o aval para iniciar o serviço, enquanto do outro lado da linha uma forte voz avisa que em breve retornará.
   Há alguns quilômetros de distância, os pequenos feixes de sol transpassavam com severa dificuldade as frestas irregulares da única janela de uma das salas do putrefez cativeiro. Os seus persistentes raios iluminavam os recantos sombrios da fétida localidade, assim revelando sobre uma cama quase deteriorada um menino de pele leitosa que repousava em decúbito dorsal.  Ao despertar com o som de alguns estampidos, o miúdo possuidor de verdes safiras oculares, rompe as fitas adesivas que o prendia, e desce as escadarias da aparente morada desabitada.
   No térreo, encontra toda a região vazia e sem pestanejar atravessa o pesado portão principal forçando-o com suas frágeis mãos.  Chegando a garagem a tensa criança avista Sr. Hélio com arma em punho próximo ao corpo de dois conhecidos capangas que sangravam demasiadamente. Aproximando-se, o confiante atirador alerta que veio salvá-lo, então esboçando um belo sorriso pela segurança que seu protetor lhe passava, o guri estende as pequenas e brancas mãos pedindo colo e com severo custo agradece a presença deste, no entanto friamente o Sentito da organização ignora o carinhoso gesto e aponta para fora do ambiente revelando que há uma Mercedes prateada estacionado em frente ao cativeiro. Não dando tempo para a ação do azar, Hélio projeta o infante sobre seu magro ombro e adentra o automóvel, que parte em alta velocidade seguindo a via expressa.
Ainda em seu escuro quarto Tupinambá desmonta sua arma, a verifica, nota que está pronta para funcionar e a monta novamente, quando o telefone toca. Atento, o pálido ser eleva o fone até seu ouvido esquerdo e questiona: — Cara você está certo disso? — Do outro lado da linha vem à resposta: — Pelo que sei você nunca perguntou nada em missões, algum mau pressentimento? — Mudo responde — Não, apenas precaução Sr. Cross.
Após um minuto de silêncio a resposta chega: — Também estou um pouco preocupado, ainda mais no dia de hoje, mas tem de ser feito algo, o que eles me tiraram não possuía preço, é agora ou nunca! — Ágil na resposta Mudo confirma: — Ok. À noite tudo estará pronto, mande o Marques me encontrar na Praça da Bandeira. — Cross retruca: — Perfeito. Siga com Deus amigo. — Mudo ceticamente revida: — Competência, apenas isso.
Após desligar o telefone, Régis Tupinambá veste um exótico chapéu, verifica as horas no relógio, guarda sua arma na cintura e segue rumo ao desconhecido, com um olhar extremamente inexpressivo, que mesmo para ele, nunca antes fora visto.
Turi Scaramella
Publicado no Recanto das Letras em 18/10/2009
Código do texto: T1873496

Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Indique para amigos
Denuncie conteúdo abusivo

Comentários
05/11/2009 00h22 - David Nadotti
cara, MUITO bom!! Estou acompanhando sua história, estimo que não desanime, e desejo que as ideias continuem a fluir. Porque não quero perder esta trama por nada. ^^ Seu modo de escrever eh magnifico. Isso não foi umaa leitura, mas um filme que vi em minha mente. Parabens ^^

Sobre o autor
Turi Scaramella
Rio de Janeiro/RJ - Brasil, 23 anos
3 textos (153 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 09:29)

Como anunciar aqui?