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Rookie - Livro I - I folli muoiono prima? - Capítulo II - Segunda Parte 2/2

   Ao som dos embalos de Julles Sanio muitas bailarinas de diversas cores, compleições e feições diferentes cedem à festa um ar mais erótico ao fundo do belo espetáculo de luzes e cores, que expressam a cultura latina, tanto adorada pelo aniversariante. Delirando com o movimento das ancas das belas garotas, Mr. Quintella, um belo rapaz de porte médio, porém defeituoso por ser manco da perna direita, ignora a todos os conselhos médicos e esboça alguns passos, atraindo a atenção de algumas damas interessadas no importante coreógrafo de pelo dourado muito bem tratado, que agora aplaude a todas encostado sobre uma cadeira.
  Levantando-se outra vez com dificuldade após o grande esforço e apoiado em sua bengala, o coreógrafo segue rumo ao bar onde encontra sua belíssima noiva Sra. Garcia, que acabara de chegar ao recinto. Depois de analisar sua amada por completo comenta intrigado: — Demoraste muito querida, o que houve? — Brincando com uma das mechas de seu cabelo jambo, a bela dama responde entre inúmeros sorrisos aos convidados que a cumprimentavam: — Sabe como somos nós mulheres, nunca nos achamos belas o suficiente para nossos homens. — Sorrindo forçosamente Mr. Quintella a beija levemente os lábios e avisa que terá de voltar ao espetáculo em homenagem ao aniversário de seu amigo. Ignorando as informações do coxo, a bela retribui o desenhado sorriso e diz que se juntara brevemente a todos para uma social.
  Há mais de dez anos Quintella e Salvatore se conhecem, na verdade esta época Salvatore possuía outro nome, que apesar do tempo nunca fora revelado por seus fiéis tentáculos. Quintella que sempre chamara a atenção de seu amigo por sua impressionante e intensa maneira de desfrutar a vida, cresceu e transformou-se em um belo rapaz apaixonado pela cultura folclórica de seu país, então em pouco tempo já integrava uma pequena companhia de dança do Rio de Janeiro.
     Bastante reconhecido por seu talento e vivacidade, recebera algumas propostas de grandes indústrias da televisão, mas recusara com o medo de não completar seus estudos.
     Três breves anos passaram como horas, e Quintella lecionava em escolas públicas da região suburbana, no entanto sua felicidade e liberdade de locomoção foram marcadas quando se deparou pela primeira vez com a violência hominídea.
    O primeiro semestre do ano letivo havia chegado ao seu término, à escola estava praticamente vazia, apenas restavam alguns de seus alunos que ficaram em provas finais. Emolduravam um triste quadro aos olhos críticos de um mestre que os viam amontoados próximos à péssima infra-estrutura.
  Apesar de sempre ter sido extrovertido e generoso, como professor era muito exigente e desconhecia as normas do estado, pois deixará mais de um terço da sua classe em recuperação. A real culpa deste acontecimento não era de Quintella e muito menos dos alunos, e sim das escolas públicas da região, que como sempre muito mal organizadas e sucatadas expeliam alunos que mal conseguiam se expressar através da escrita. O docente não poderia aprovar pessoas analfabetas devido ao seu código de ética e assim o fez, contrariando em muitas vezes a meta do governo, que é expulsar os cidadãos da escola, assim o expurgando em um mundo competitivo que os transformariam em uma pequena célula do imenso corpo do exército de reserva, vulgo desempregados, assim podendo suprimir seus salários e ampliar a exploração devido a grande procura de vagas.   Através de tal postura ética, o profissional Jonas Quintella não era bem recebido por muitos dos alunos, até que um destes, outra miserável cria do governo resolveu intimidá-lo.
  O dia estava ensolarado, torcia para que permanecesse assim até o final de semana, havia semanas que não desfrutava de uma boa praia, e com este pensamento após soar o sino do educandário, saindo em direção ao seu carro popular, o desatento educador é surpreendido por um mancebo, na verdade um de seus piores alunos, que visivelmente entorpecido empunhava uma arma de alto calibre em suas trêmulas e negrumes mãos.   Assustado o professor suplicou por sua vida ao mesmo tempo em que pedia calma ao revoltado jovem, contudo com a frieza de um assassino, o narcotizado púbere desfere um explosivo ataque  na rótula de seu mestre, que atemorizado pela ação grita em desespero, antes de ser calado a incessantes coronhadas.Sua visão era turva, mal conseguira distinguir seu automóvel, entretanto seus ouvidos percebem que durante a evasiva, seu agressor alertara que caso este não o aprovasse, o próximo dispara seria no meio de sua testa.
   Totalmente perplexo pelo choque, o mestre permanecera estirado sobre o quente asfalto mal pavimentado em uma rua próxima escola. Recobrando levemente a razão Quintella se contorce em dor enquanto esvaiam-se os sentidos junto com seu viscoso sangue. Agora o educador, mais se assemelhava a um saco enorme de lixo atirado ao esmero.
    No dia seguinte ainda muito debilitado o ex-coreógrafo acorda com a forte luz da ala hospitalar e para sua surpresa encontra seu amigo de infância que agora com o nome alterado em sua identificação se chamava Salvatore. Observando o crachá de visitante do antigo amigo, Quintella pergunta: — Que palhaçada de nome é esse amigo, fez alguma besteira fora do comum? — Olhando friamente para o aliado em triste situação, Salvatore fuma seu cigarro de canela em área proibida e esclarece com sinceridade: — Proteção para os que me amam. — Intrigado o professor pergunta novamente: — Proteger de quem? — Ainda indiferente, e demonstrando uma significativa mudança em seu senso de humor, o visitante responde conciso: — Do que eu me tornei. — Contudo antes que Quintella tivesse oportunidade de formular outra pergunta, um médico local adentra a sala. Assustado Jonas debate seus magros braços, vira incessantemente seu pescoço para vários lados demonstrando desespero e por fim questiona onde está. Abismado com o acesso de nervos de seu paciente e respondendo rispidamente contra expressão histérica, o pedante médico solicita para que este diminua o tom de voz em respeito aos também enfermos ali presentes e alerta que será imediatamente transferido para o Copa D’OR.
  Estupefato com a fantástica notícia, o humilde professor alerta ao severo médico francamente: — Não posso pagar por isso. — Quando é interrompido por Salvatore que ágil alega: — Pois eu posso, e não quero saber se você se importa com isso ou não. — Então orgulhosamente mirando o amigo, Quintella agradece, enquanto segue sendo removido de maca até a ambulância que o aguardava ao lado de fora do hospital da rede pública.
    Algumas horas após a primeira visita, Salvatore reaparece novamente e trajado com um belo terno Armani, adentra a sala privativa onde o professor repousava. Mirando com mais atenção para o modificado companheiro de noitadas, o mestre olha estranhamente para a face deste e pergunta: — Você está diferente, seu nariz mudara, seu queixo também. Uma operação e tanto. Como conseguiu tanto dinheiro sendo um desconhecido publicitário? — Sorrindo para o enfermo, o imponente homem de respeito lhe corta a frase e revelando a segurança que a viagem de anos ao nordeste lhe cedeu, replica: — Não lhe convém, mas saiba que não tive de matar nenhum inocente. — Um pouco assustado o paciente consente devido ao devoto respeito: — Não irei pressioná-lo amigo. Sei de sua vida toda, sempre teve tino para estas investidas. Creio que seja inato. — Em seguida questiona novamente em tom paradoxal: — Duas visitas no mesmo dia, é algo ruim? — Após abaixar a cabeça com um triste semblante, Salvatore morde os lábios com severidade, engasga e profere com muita dificuldade: — O médico me informou seu prontuário, e soube de algo um pouco chato, por isso optei vir te avisar pessoalmente, melhor que um estranho qualquer. — Concordando com amigo, Quintella pergunta: — O que houve comigo? — Conciso Salvatore responde sem hesitar um segundo sequer: — Você teve sérias complicações em seu joelho e não poderá mais dançar. — Tendo os olhos inundados por lágrimas o dançarino altera sua cor pálida por uma bastante avermelhada e apertando com força seu lençol exclama: — Maldito macaco, como essa merda de moleque pode ter feito isso! Filho de uma puta desgraçado, queria torcer o pescoço dele como um galho! — Depois completa esbravejando seu real desejo: — Se eu pudesse o matava! — Encarando indiferente a desgraça do amigo, Salvatore assume um semblante maléfico e sorri com o canto da boca. Insultado com a postura do visitante, o indefeso professor exclama completamente envolto pelo ardor do ódio que lhe possuía: — Ta rindo de que seu filho da puta! Como pode achar isso engraçado e se dizer meu amigo? Por acaso continua cheirando aquelas merdas que derretiam seu cérebro?  — Deveras bruto, o musculoso Salvatore desloca seu braço e com sua enorme e pesada mão afunda a cabeça do antigo amigo na cama, enquanto sussurra no ouvido deste: — Seu desejo já fora concluído, esse merdinha ta dentro de um saco preto já faz horas. Depois que te resgataram recebi uma ligação dos contatos de meu superior, então fui pessoalmente cuidar do assunto. Ele sofreu tanto, que tenho absoluta crença que o sofrimento que você terá por toda vida não chegará aos pés do dele. — Recuperando o fôlego, e inflando novamente os pulmões, o efeminado arregala seus olhos ao perceber que no pescoço do possível executor estava o cordão dourado de seu ex-aluno e agressor, contudo antes de proferir qualquer palavra é interrompido novamente por Salvatore que alerta: — Quando você se recuperar irei convocá-lo para realizar seu sonho amigo. — Logo após a promessa, Salvatore toca sutilmente o ombro de Jonas, lhe deseja melhoras e se retira sem dar oportunidade de argumentação.
    Fora indescritível o encontro com o antigo amigo que agora se tornara um homem de respeito. Quintella seguiu uma escala ascendente como se Salvatore fosse o próprio Midas, pois em menos de um mês, ainda fazendo fisioterapia, Jonas fora chamado para ser coreógrafo de uma pequena, mas popular peça. Um sucesso extraordinário de bilheteria. Contando com um apoio fortíssimo dos sindicatos brevemente iniciara seu serviço nas grandes indústrias de televisão brasileira e aproveitando a oportunidade que tivera no especial denominado Latin´s Stars fora convocado para organizar a grande festa de Reveillon da maior emissora nacional. Nesta célebre data, seu talento fora divulgado para todas as partes do globo sendo considerado como o novo Émile Jaques-Dalcroze. (Suíço que desenvolveu o sistema que ficou conhecido como Dalcroze Eurhythmics de treinamento musical, transformando o sentido rítmico numa experiência corporal, físico).
    Salvatore realmente era influente, seu poder transbordava perante os mortais, e nesta época possuía poucas primaveras. Usando da influência de seu ilustre tutor Don Treviso fizera com que Quintella em contados anos fosse reconhecido como o mais importante e renomado coreógrafo nacional. Agora mais de oito anos passados, Jonas como uma simplória maneira de agradecimento planejara a comemoração do aniversário de seu ilustre parceiro, arquitetando um grande show com seu mais talentoso Star, Julles Sanio, entretanto não estava ali presente apenas para comemorar e sim trazer novidades as quais Sr. Cross esperava ansiosamente.
  À noite, junto a uma formidável lua ilustrada, que acompanhada por belas estrelas cintilantes molduravam um inigualável quadro do autor tempo. Igualmente embelezando o firmamento ao fundo e irradiando todo seu enorme poder diante a tal paisagem deslumbrante, Salvatore apesar da simplicidade que o fizera alcançar tal status, surge a páreo com tal força natural, enquanto cumprimentava inúmeros aliados de diferentes classes sociais.
   O anfitrião trajava um caríssimo terno de linho, feito sob medida, que custara a exorbitante quantia de cem mil dólares, e diante todo o público presente que há essa hora excedera o número de quinhentas pessoas, Cross que vestia branco em alusão aos santos renascentistas, pega o microfone, sobe elegantemente as longas rubras escadarias do enorme palco e abraça Julles em sua inevitável social.
  Diante dos vários holofotes que com suas fortes luzes feriam suas vistas, o modesto aniversariante revela que é um grande fã do cantor e saturado pela educada etiqueta, certeiro agradece a todos os presentes pelo respeito a sua comemoração. No decorrer de sua fala, manso como de práxis, o mestre da lábia reflete sobre sua vida agraciada pela companheira sorte, e explica entre mil sorrisos sinceros a origem de toda sua fortuna com uma descabida história sobre aplicações na bolsa de valores. Após, ainda se entretendo com as próprias calúnias, o boa-praça elucida que aos poucos fora montando seu negócio que hoje superara a marca de quatrocentos milhões de dólares em patrimônio, contudo o que poucos ali realmente sabiam é que sua ascendente conquista fora a largos passos, sobre a escada composta por amontoados cadáveres que de tão silenciosos nunca poderiam servir como testemunhas.
   Observando o público, o grande falastrão pára por um segundo, aponta para o céu e em mais uma manobra de cinismo explicita todo o seu carinho e respeito ao comentar que um dos grandes responsáveis por tal evolução fora Dr. Tomasso, seu eterno conselheiro financeiro, que devido à avançada idade não resistira a uma doença e viera a falecer meses antes.   Reflexivos a lua devido às lágrimas que os envolviam, os olhos de Salvatore rapidamente se dirigem para um cadeirante senhor obeso, possuidor de uma enorme cabeça oval de crista esbranquiçada. Este muito sério e inerte permanecia carrancudo sobre sua  companheira de duas rodas. Então mirando para tal, Cross amavelmente declara: — Tenho muito a agradecer a meu tutor Sr. Treviso. Aquele que ensinou como me portar em serviço. Um dos homens mais sensatos que conheci. O único que nunca cedera a pressões e sempre fizera o que realmente desejara. Um exemplo de força de vontade e determinação. — Com um sorriso gratificante, revela de coração: — Sei que hoje peco ao ostentar luxo diante aos meus semelhantes, mas na verdade não fora um erro e sim outra prova de humanidade, pois quero doar este terno a Fundação Riccardo Treviso. Terno este que será autografado em sua parte interna por Julles Sanio, o agora nomeado padrinho da campanha: Erradicando a Fome Nordestina. — Ouvindo as sábias e deliciosas palavras do ilustre aniversariante, todos os convidados o aplaudem avidamente e sugerem que este cantarole ao menos uma música com o padrinho da campanha. Assim, como sempre fizera devido à ciência de seu grande compromisso social, Sr. Cross opta por generosamente atender aos pedidos, dá outro fraterno abraço em Julles e inicia a com uma antiga canção chamada Corazón Partio, para delírio da massa que o acompanhava há todos os instantes.
   Ouvindo atentamente a performance musical de seu superior, bem confortados em suas privilegiadas mesas o quarteto de respeito composto por Hélio, Macedo, Shotz e Nascimento, descuidadosamente não percebem a chegada do problemático garoto Nazareno, que de mansinho aparecera estacionando pelas ruas  seu imponente automóvel Opalla Diplomata 92 preto.
    Avistando seu querido tutor Salvatore cantarolando pateticamente sobre o palco, o rapaz esguio de pele escura como mogno sai de seu implacável automóvel sorrateiramente, revela seu rosto escoriado e rapidamente em uma atlética trotada se aproxima de Dr. Moraes que pousava próximo ao emadeirado bar, onde desfrutava de uma descontraída e prazerosa conversa com a oferecida Sra.Garcia.
 Achegando-se ao local estrategicamente desprotegido e cumprimentando a famosa Boca da organização, o modesto púbere questiona educadamente sobre o paradeiro do influente Senhor Tupinambá. Mirando a inconveniente face do inoportuno visitante e afugentando-o com toda sua arrogância ébria, Dr. Moraes alerta em um tom esnobe: — Não sei garoto, agora se ponha para fora daqui. Não é permitida a sua entrada, está em débito com seu tutor e você sabe muito bem disto. Não quero ter de chamar os demais seguranças, você já apanhou o bastante. — Exasperado com a falta de consideração do inquieto advogado, Nazareno cerra seus rijos punhos e exclama em fúria: — Obrigado seu inútil! Se eu não quisesse a paz teria te chumbado todo agora e acho melhor você não me responder mais desta maneira, ou já se esqueceu de quem eu sou? Sou o maior pistoleiro desta merda de família e posso muito bem te foder todo alegando adultério. — Rindo após o forte comentário do púbere, a também ébria Sra. Garcia põe suas delicadas mãos envolta do corpo jovial de Nazareno o acariciando e após acalmá-lo pede para que este se vá antes que arrume encrencas maiores.
    Seguindo o conselho da atraente mulher, o improvável mancebo se retira esgueirando-se pelas sombras em busca do Braccio Sinistro, quando para seu espanto dá de frente com o implacável Dias, que ao notar a presença deste, saca sua arma direcionando o canhão metálico ao mulato frontispício do invasor. Letárgico pelo pavor da possível execução, Nazareno escuta taciturno a todo o sermão de que não é permitida sua presença no recinto, e que esta fora uma ordem direta do próprio Sr. Cross. Movendo-se lentamente após o susto e concordando com o pedido do eficaz segurança, Nazareno se afasta, todavia antes de seguir em retirada, e usando da falsa camaradagem que aprendera com seu mestre, pergunta de maneira carismática sobre a localização do Senhor Tupinambá.
    Mirando a escoriada face de seu antigo protegido, Dias recorda de todos os acontecimentos passados, e em uma inédita atitude opta por quebrar uma das regras do decálogo sagrado, então retribuindo de forma amistosa, o imponente segurança avisa discretamente com o manear dos olhos que este se encontra no estacionamento, entretanto deveras ocupado com uma das pequenas.
   Guiado pelas coordenadas de seu antigo companheiro de guerra, o atlético guri  muda seu aspecto brutalmente, agora assimilando-se a um vil assassino segue apressadamente até o estacionamento onde por infortúnio encontrara um enorme colosso branco de cabelos negros compridos, esse logo fora reconhecido como Douglas, a Boca Sangrenta da corporação, que inquieto negocia em seu celular. Escorado sobre a traseira de uma enorme pick-up Nazareno tenta afastar-se do perigoso homicida, quando travado pela curiosidade escuta a conversa de seu antigo aliado:  — Está tudo pronto, ele não passará desta noite Sr. Fiori. Amanhã o senhor terá boas notícias, pode estar certo disso. O homem já está em posição. Sei que tenho o seu respaldo. — Assustado com o teor da fúnebre conversa, o pequeno nordestino tropeça no para choques de um carro e cai revelando sua posição ao tentar partir em disparate. Percebendo concomitantemente a presença inconveniente, Douglas que sempre fora famoso pelo serviço extravagante empregado em suas missões, retira brutalmente seu revólver e furtivamente some com seu imenso corpo obeso entre as sombras.
       Desesperado por saber das atrocidades que Boca Sangrenta fazia com seus adversários, o alarmado mancebo corre com todas as suas forças até que no ápice do pavor se choca violentamente contra a lateral do corpo de Sr. Tupinambá que também é atirado ao chão.  Esperançoso por ver seu amigo, Nazareno bate com os braços no solo, se levanta de forma elástica e rapidamente segue até o caído Braccio Sinistro, no entanto ao perceber que este se encontrara desacordado pelo impacto, o fugaz tenta freneticamente uma nova fuga, contudo uma enorme e vigorosa mão branca o traga violentamente para dentro da escuridão do estacionamento.
   Alguns minutos se passam, a multidão prossegue entretida entre gritos e aplausos, e entregando-se totalmente ao amor que sempre tivera pela cultura latina, o educado empresário prossegue com seu repertório inesperado.
  Desajeitado e completamente mal apresentado, Douglas reaparece na festa de seu patrão usufruindo da inexpressiva face rotineira, logo após senta-se junto aos companheiros de serviço e manso comenta: — Vocês viram o Mudo? Acho que o ouvi gritando no estacionamento. — Analisando a inusitada situação em sua mente, e percebendo que nunca identificara qualquer sinal anterior de preocupação do Boca Sangrenta com quaisquer membro da família, intrigado, porém bastante preocupado com tal ocasião, o colega Macedo pergunta: —  Não sei sobre ele, há pouco partira para uma rapidinha no estacionamento, mas você tem certeza disto que nos informou? Não é do feitio dele gritar. — Inúmeras hipóteses são formuladas nas criativas mentes dos homens de respeito, até que encerrando prematuramente o assunto Tupinambá reaparece abusando de um frustrado semblante, enquanto limpava seu terno sujo de terra. Ainda surrando sua cara vestimenta empoeirada, o pálido homem afirma que fora atacado no estacionamento, possivelmente pelo execrado Nazareno, e prosseguindo com todo o seu cotidiano profissionalismo alerta para todos tomarem seus postos, pois este ataque pode ser alguma investida contra o Sr. Cross.
     Captando a educada ordem de seu imediato, e sem perder tempo algum, por intermédio de seus rádios Macedo e Shotz convocam todos os principais seguranças do fortificado condomínio e juntos ao hábil Dias saem em perseguição ao possível agressor infiltrado na vasta região.
    Descrendo nas hipóteses levantadas por seu fiel parceiro, bastante próximo ao ajuizado Tupinambá, o sempre confiante Hélio que permanecera inerte sobre sua cadeira todo o tempo indaga despreocupado: — Tem certeza que fora uma agressão?  Creio que se tivessem às intenções de um atentado você estaria morto, é o Braccio Sinistro do líder e poderia por tudo a perder com a operação. — Concordando com Hélio, Tupinambá assegura impávido: — Também penso nesta hipótese, creio ter visto Nazareno e não sabemos se ele está em outra crise, por isso não podemos colocar nosso amigo em risco. É melhor eles o encontrarem antes que o líder, assim quem sabe ele pode sair vivo desta cagada toda que se meteu. — Acrescentando com um sorriso no canto da boca, Hélio maneia a cabeça de maneira positiva e brinda com o antigo aliado em homenagem a saúde de Salvatore, enquanto seguindo as ordens de seu superior, Shotz parte por toda a alameda usando sua prontidão aflorada, e minuciosamente verifica todos os arbustos e árvores caso fosse necessário.
    A calada noite que sempre é a única companheira e testemunha silenciosa dos mais cruéis assassinatos conspira. “Qual é o real valor de uma vida? Como podemos destruir tal milagre? Uma probabilidade tão pífia de existência. Milhões e apenas um pode ser originado. Inferno esse chamado Terra, que desses milhões venha logo um cretino que poderia ter morrido em um escroto qualquer. Essa é a graça da vida. As famosas surpresas. Boas? Infelizmente, nem sempre”.
     No interior de uma das mansões do enorme condomínio e sem qualquer iluminação, um misterioso elemento coberto pela penumbra monta aos poucos seu potente rifle de caça em um dos quartos superiores. Exatamente trinta segundos depois de iniciada, a montagem já estava concluída. Tratava-se certamente de um experiente militar, quem sabe herói em farsas como as do Haiti. Com o rifle montado, o atirador calmamente manuseia um binóculo de máxima precisão com sua mão esquerda, e avista o alegre Salvatore ainda no palco cantando junto a Julles Sanio, enquanto com a outra mão ajusta milimetricamente sua poderosa arma de precisão que ao primeiro disparo derrubará instantaneamente a toda uma gigantesca família criminosa.
  Sobrecarregado com o ocorrido e deveras encafifado pela condição maquiada deflagradas por seu parceiro Douglas, o esforçado Macedo segue caminhando desorientado próximo ao local onde se encontra o atirador, quando por puro acaso do destino, ao olhar para os céus inflando seus pulmões em busca de paz e um pouco de ar fresco avista um pequeno reflexo vindo da terceira janela superior de uma das poucas mansões abandonadas. Redefinindo todo o seu mau pressentimento, o musculoso Caporegime avança com toda a sua perspicácia e experiência, assim sem pensar sequer duas vezes arranca seu rádio da cintura e desesperado se comunica em baixo tom delegando ao confiável Nascimento que este siga imediatamente até a caixa de força do condomínio para desligar as luzes do palco, enquanto explicava em parcas palavras toda delicada situação.
   Embora desesperado, Naldo evita ser notado, sabia que qualquer descuido poderia acarretar em um precoce disparo, e que em milésimos de segundo  toda a organização seria abatida.  Então calmamente adentrando a enorme mansão de três andares, Macedo também comunica Mudo e Hélio, pedindo que estes retirem imediatamente seu desprotegido patrão da possível mira.
  Metros a fora, bem distante de Macedo, e esquecendo o rádio na cintura devido ao nervosismo, Nascimento usa de toda a sua velocidade proporcionada pelo esguio corpo que possui e transpassa rapidamente todo os fundos do salão principal, enquanto absorto pelas sombras e protegido pela manta da covardia, o treinado  atirador, bem posicionado e com toda a mira ajustada se prepara para apertar o fatal e sólido gatilho.  Espreitando sua vítima cantarolar sua última canção, a cada segundo o habilidoso assassino respira profundamente. Tenso pela imensa responsabilidade, o notório suicida escuta o vento balançar as árvores a sua frente, mais exasperado permanecia, já que os arborizados galhos atrapalhavam seu certeiro tiro, contudo abusando da cautela após breves instantes o vento cessa, as árvores estáticas permanecem e este desliza seu dedo pelo o gatilho, tudo estaria terminado para o intocável Crossifixicio, no entanto antes do simplório movimento ser dado, às luzes do salão se apagam para a ira deste que atira desordenadamente, e se levanta colérico socando desorientadamente a parede ao seu lado, cavando sua própria cova.
   Frustrado ao entender que fora percebido, o criminoso guarda rapidamente seus utensílios e a passos largos tenta se retirar do recinto, porém ao lado de fora da mansão são visto dois flashes seguidos por secos estampidos.

   Repousando sobre uma parede a dois metros de proximidade da caixa principal de força do condomínio, coberto horrores por seu fétido suor, Nascimento se encontra bufando e contente admira seu preciso tiro no centro da caixa principal.   Recuando a metros de distância, Macedo tinha seus olhos esbugalhados, ainda suava frio e com presteza absoluta tenta identificar sua vítima, todavia devido aos grandes ferimentos não consegue fazê-lo. Sem perder tempo algum, o vigoroso Caporegime arrasta o corpo do inerme assassino para fora da residência, ao mesmo tempo em que passava um rádio ordenando a Shotz que trouxesse um dos carros mortuários para ser feita à devida comunhão.
   Recebendo na íntegra todos os dados sobre o acontecimento, Giovani que instalado confortavelmente em uma das principais cadeiras desfrutava de um seco vinho tinto a escura, altera seu semblante displicente por uma expressão total de angústia, e abandonando uma das mesas próximas ao palco, sobe rapidamente ao local pela imensa escada. Ofegante procura pelo irmão, porém o breu cobre toda a sua visão.

   “O homem que vaga pela a escuridão, leva consigo almas em pequenas contas de vil metal, anda despido não de luxo, mas sim de caráter e de qualquer sentimento amistoso, apesar de ser carismático. Este sim conhece a fome, mas não aquela que sacia seu corpo, mas sim o seu ego, é a famosa cede de sangue. É aquele que aprendeu a ser homem prematuramente, não viveu a infância, assim podendo bispar em seu fim, mais do que deveria, errando mais do que podia, não perdoando a ninguém, apenas conhecendo o ódio e abominando a idéia do homem irmão.”

     Passando ao lado do fraterno, o líder que entendera todo o ocorrido ao pronto instante em que escutara os ricochetes estalados dos projéteis explodirem próximos a sua cabeça, segue por outra direção a ágeis passos, perdido.
    Abismado pelo acontecimento e fora de forma devido à paz de longos anos, Salvatore segue trêmulo por um dos corredores de acesso ao nobre salão. Sentindo aos poucos que a escuridão começa a dominar toda a mal iluminada região como sombras vivas se contorcendo ao som de uma canção demoníaca, um enorme amontoado de vultos se aproximam do poderoso mafioso que perturbado parte para o ataque com vigorosos murros. Momentaneamente destemido apesar do choque, e embebedado pela coragem fornecida pelo pensamento da morte iminente, este compreende que seus demônios voltaram a persegui-lo.  Seus batimentos cardíacos estavam acelerados a mil, e sem controle algum de suas funções motoras devido ao álcool, o solitário andarilho tenta clamar por ajuda, contudo percebe que não passara de um leve susto ao ver os vultos se dissiparem com os faróis de um de seus magnos veículos que se aproximava.
   Dirigindo-se despreocupadamente até os radiantes faróis, Sr. Cross se abisma ao ter a visão ofuscada com o aumentar das potentes luzes, e sente um enorme  calafrio ao ouvir o ronco do motor a sua frente que aumenta constantemente.   Prevendo o pior, Salvatore saca sua pistola e espera alguns segundos em vão, tentando reconhecer o possível agressor, contudo não obtendo resposta dispara inúmeras vezes em direção a luz, no entanto para seu azar o motorista não fora sequer alvejado prosseguindo com o mortal acréscimo de velocidade.
    Extenuado pelos acontecimentos e cego pelos faróis altos, o grande líder ao ouvir que as rodas do veículo automotivo já trituravam os pequenos galhos secos ao seu redor, decide unir os resquícios de sua força e corre em direção oposta à luz, em seguida salta girando seu corpo no ar arremessando seu pesado dorso contra a frágil vidraça de uma das casas da vizinhança, assim a fazendo em pedaços, contudo ninguém o escutara já que sua queda fora completamente abafada pelo som de uma violenta colisão.
   Próximo ao seu líder, e segurando o ensangüentado corpo do franco-atirador, Macedo é consumido pelo asco ao perceber que o pegajoso sangue lhe manchara a blusa, nota em seguida a chegada de Shotz e exasperado questiona aos berros: — Passou o rádio para Gio? — Dentro do carro responde: — Sim, mas ele ainda não conseguiu encontrar o chefe! . — Retrucando Macedo elabora outra questão: — Tentou passar um rádio para o chefe também, porra? — Ao aproximar o carro de seu capitão, Shotz angustiado avisa que sim, porém não houvera nenhuma resposta. Desassossegado com a conturbada situação de seu amigo, o Caporegime joga o inerte corpo dentro do carro e ordena que Shotz faça a comunhão no triturador de lixo do condomínio. Logo em seguida, correndo em demasia saca sua pistola automática e freneticamente segue em direção ao salão de festas visando o resgate.
   Desvairado perante o breu que consumia todo o imenso salão, o ébrio advogado da família Crossifixicio ainda cambaleante segura firmemente as delicadas mãos de Sra. Garcia e demonstrando ser um cavalheiro protetor, pede para esta esperar dentro do bar que em breve ele retornará com reforços. Obedecendo ao influente amigo, Sra. Garcia agacha seu maravilhoso corpo, e engatinhando como uma criança que ainda não aprendera a andar segue vagarosamente até debaixo da bancada, onde se esconde aos sons da gritaria de todos os convidados que exigem a volta da iluminação.
   Andando apressadamente e por pouco não sofrendo uma queda devida à troca constante das pernas desengonçadas, Dr. Moraes colidi bruscamente contra o obeso peito de um transeunte desorientado, e furioso pergunta autoritariamente de quem se tratava ao acender a lanterna de seu celular.  Recebendo as fracas rajadas de luz azul, o brutamonte se revela Douglas. Sobressalto, o afetado advogado gesticula demasiadamente revelando seu temor, ao mesmo instante balbuciando pede perdão pelo grito que soltara em outrora. Sem expressões como de costume, o imenso e aterrorizante Boca Sangrenta adverte que Nascimento está procurando as luzes de emergência para acioná-las. Ainda recuperando o fôlego, e tomado pela humildade e prudência que apenas o medo fornecia, o antes exaltado Dr. Moraes agradece em tom delicado antes de seguir com suas pernas cambaleantes, rumo ao escondido bar.
      Enquanto todos interagem de diferentes formas no salão em busca das luzes de emergência, ainda procurando por seu desaparecido irmão, Giovani caminha pela penumbra cautelosamente tocando levemente a arma fixada em sua cintura.  Destemido, o rapaz atravessa todo o salão apenas acompanhado pelo gélido frio abdominal, desviando de alguns convidados perdidos, e garrafas derrubadas que poderiam lhe proporcionar um belo escorregão, até que em sua mente flashes do passado traz a tona toda a sua conturbada vida no submundo.
 Os feixes memoriais fazem-no lembrar de quando fora resgatado do mundo ilegal da jogatina por seu presente irmão mais velho, contudo suas memórias são interrompidas bruscamente quando este se detém ao encontrar dois estranhos homens seguindo em sua direção. Abusando da ligeireza Gio compreende os movimentos destes e opta por sacar sua arma, quando os possíveis invasores também sacam as mesmas fazendo com que dois feixes avermelhados, acertem suas vistas. Amedrontado pelo ocorrido, o antes corajoso Giovanni sente seu trabalhado corpo paralisar pelo pânico, suas pernas estão travadas, seus braços não conseguem mover-se ao comando dos olhos ofuscados e seus dedos congelados não puxam o gatilho. Sentindo a morte tocá-lo e compreendendo o fim eminente, quase desmaia em alívio ao notar que os estranhos abaixaram suas armas, e confortado permanece ao ser amparado pelos vultos que se revelam Tupinambá e Hélio.
  Extremamente aliviado por rever os aliados, embora bastante tenso devido ao terror que a pouco passara, o jovem explica a situação ao dizer: — Recebi o rádio de Shotz sobre o atentado, mas não encontro meu irmão em lugar algum e sei que a pouco Macedo alvejou o atirador. Imagino que algo possa ter ocorrido. Ainda bem que encontrei vocês dois, toda a ajuda será necessária — Ainda amparando o sobrecarregado rapaz, Hélio o conforta com perfeitas e sábias palavras lhe dando uma grande lição de experiência: — Seja calmo, o nervosismo não trará seu irmão para perto de nós. Neste ramo em que vivemos, manter a postura é questão de sobrevivência. Já sabemos sobre tudo, também estamos o procurando, acompanhe-nos e seguirá a rota certa. — Seco como de costume Tupinambá manda um rádio para Nascimento e pergunta a situação das luzes de emergência. Respondendo ainda ofegante Nascimento informa: — Já as encontrei senhor, tive alguns problemas devido ao breu geral, porém vou ligá-las agora. Espere só um instante e cerre bem os olhos caso não queira ficar cego. — Assim logo após o câmbio final uma forte rajada da luz clareia todo o local cegando momentaneamente todos os convidados que antes começavam a se apavorar.
    Próximo a Quintella, reclinado em sua moderna cadeira de rodas Don Treviso que auxiliado por seu medonho e antigo guarda-costas Francesco de Creta, vagarosamente se dirige em direção ao moderno palco, que para sua felicidade era adaptado por uma pequena rampa. Algo apenas existente em ficção ou em mundos desenvolvidos, ao contrário do nosso que após as eleições menospreza e abomina a sofrida e persistente população de cadeirantes, ou qualquer outro tipo de população portadora de deficiência.
   Subindo graciosamente ao palco e demonstrando toda a fragilidade de sua avançada idade, o poderoso Don agarra com suas enrugadas mãos o pomposo  microfone e com sua trovejante rouca voz ordena que todos mantenham a calma como os seres civilizados que o são, e completa inteligentemente elucidando com uma exagerada dose de sarcasmo que o suspense também faz parte de um grande espetáculo. Manipulando a multidão com a graça que aprendera durante todas as décadas que mediara inúmeros negócios, o idoso de enorme cabeça esbranquiçada pede para que a recomposta banda toque famosas marchas carnavalescas, assim entretendo momentaneamente a todos os queixosos do recinto.
   O piso era gelado, seu sangue quente, poucas vezes havia sentido seu coração tão próximo ao chão, um pouco ferido na cabeça e coberto por inúmeros fragmentos de vidro. Fraco e fora de forma, Salvatore percebera o quanto fora descuidado com o passar dos anos, mas ignorando a todo o ocorrido decide aproveitar o prazer, o silêncio e a adrenalina que se diluía em seu sangue. Avistando o dissipar das sombras ao se escorar em uma das paredes da casa vizinha, Cross municia, destrava sua pistola e espera tranqüilamente pelo possível adversário. Fazia anos que não disparava, a arma voltara a ser um metal gelado, sentia-se alheio a aquela máquina, contudo ao sentir o sangue escorrendo pelos seus olhos notara que abrira a cabeça, e sem desviar sua atenção procura atento por seu rádio, no entanto infelizmente percebe que o havia perdido.    Então furtivamente o grande empresário que se encontrava mais disposto, abandona o local com sua arma em punhos, e vagarosamente se aproxima do automóvel, que completamente avariado se encontrava estático sobre um enorme canteiro.
    Seu passo era lento, quase despreocupado, percebia o pára-brisa estilhaçado e salpicado de sangue, ali não havia resistência alguma. Cauteloso apesar da certa segurança, chega vagarosamente até a porta do veículo. Mirando o rasgado estofado, notara que o ocupante fora arremessado, e prontamente se assusta ao bispar um ferido a balas se rastejar para longe de sua presença antes de desmaiar. Recuperado do grande susto, o líder da família Crossifixicio infla seu peito com os ares de Perseu e aproxima-se do ferido. Virando o corpo do homem alvejado com um dos pés, Salvatore se assusta novamente ao perceber que por engano ferira seu segurança Dias, e arremessando seus confusos olhos ao companheiro nota que apesar de inconsciente, este não está contuso em gravidade.
   Segurando a face avariada deste, o líder da família liga os fatos e crê que o impacto da colisão danificara a consciência de seu protetor parcialmente. Então seguro de seus atos locomovendo-se rapidamente, segue até o automóvel em buscas de rádios transmissores. Calmo em excesso apesar da densa ocasião, o insensível escolhe por seguir seus instintos, pega o comunicador, passa um rádio para seus outros prestadores de serviço informando sua exata posição e urgentemente solicita o comparecimento imediato de uma ambulância no local indicado.
   Estava deveras distante, contudo avistara perfeitamente seu imponente chefe ereto sobre a sombra de um corpo, sua tensão aos poucos desaparecia e o doce sopro noturno o contemplava. Seguindo despreocupado, assim como seu líder aparentava estar, Macedo que tinha seu blusão coberto de sangue impuro é o primeiro a chegar ao local, e solucionando de maneira agradável as inúmeras  hipóteses que formulara durante o trajeto, encontra seu superior agora sentado próximo ao inconsciente soldado Dias.
   Ameno por ver que seu Chefe se encontrava protegido, o Caporegime se aproxima lentamente bufando em busca do precioso ar. Bispando por completo o ferido companheiro, e mesmo tendo certeza da acertada escolha de seu líder, Reginaldo torce seu pescoço em direção ao seu líder, que astutamente compreendendo a dúvida de seu antigo parceiro, menciona impassível que o explicará mais tarde sobre todo o estranho ocorrido.
    Tentando repor as energias, Reginaldo Macedo estende o braço, aperta com rigidez o ombro de seu querido chefe, e com abundante tranqüilidade comunica a Salvatore: — Por muito pouco você não fora assassinado, Tupinambá salvou sua vida. Na verdade o mancebo Nazareno esteve por aqui, creio que viera avisá-lo de algo. Sei que não devo me meter, mas tente rever a situação do garoto. — Apreensivo com a gama de informações, contudo em questão de segundos as absorvendo e ignorando a todo o ocorrido, atendo-se apenas a curiosidade da sucessão dos fatos, Sr Cross pergunta esboçando um sorriso: — O que se sucedeu? Explique-me em definidas etapas. — Articulando suas falas com apertura devido ao cansaço, o bravo Macedo abusando da sensatez responde resumidamente: — Tupinambá fora agredido no estacionamento por Nazareno e pediu para que fizéssemos uma varredura no local, e por muita sorte estava por perto e avistei o reflexo da mira telescópica do atirador, então consegui avisar Nascimento a tempo para que este desligasse as luzes do condomínio e salvasse sua vida. — Ajuizado Salvatore parabeniza o amigo pelo ótimo serviço prestado, e completa com um sorriso mais visível: — Então se o Mudo não tivesse sido agredido e se o atirador estivesse em uma posição mais próxima onde pudesse usar uma mira laser, eu estaria morto. Muito interessante! — Um estranho sorriso sombrio surge, em breves segundos se torna uma estrondosa gargalhada, e recompondo-se o experiente Salvatore afirma embasbacado: — Ainda tenho muita sorte. Definitivamente não chegou a hora de minha aposentadoria. — Incrédulo com humor negro do amigo, Reginaldo responde surpreso com o fato: — Isso é verdade, mas o que me preocupa é saber quem programou esse ataque. A sorte nem sempre estará do nosso lado. — Logo depois ao lembrar-se afirma irado, ao mesmo tempo em que soca a sola da mão: — Foi o viado do Fiori. Tenho certeza! Está se vingando de Treviso por seu exílio. Não tem outro capaz de tanto atrevimento. — Demonstrando não crer nesta hipótese, Salvatore maneia a cabeça opondo-se a resposta do fiel escudeiro e indaga: — Nunca avistara em outro local o atirador? — Estressado com toda a situação Macedo replica: — Estourei a cara dele toda, alvejei-o na nuca duas vezes com a 45. Tive que catar os olhos na escada, tamanha foi explosão. — Aparentemente dominado por uma sombria calma, Sr Cross raciocina por breves instantes e disserta sobre a insinuação anterior: — O Fiori tem rabo preso com o Don Treviso, por isso veio negociar comigo até minha casa. — E conclui: — Fora outra pessoa, que não é o Fiori e nem o católico do Meirelles. — Desassossegado Macedo elabora outra questão, assim tentando desembaralhar suas hipóteses: — Quem poderia ter sido então? Meirelles, eu também duvido. O cara é um santo. No momento a cabeça dele vale mais que a sua para a corregedoria. O Fiori tem todos os motivos desde a nossa infância, porém como o senhor disse que ele tem o rabo preso, então o descarto. Pensou em alguém da família querendo o poder? — Interrompendo o amigo e cortando o perigoso assunto, Salvatore elabora outra polêmica visando sua maior compreensão: — Quantos sabem que o atirador fora morto? — Macedo revela: — Somente eu e o Shotz, os demais sabem que ele fora alvejado. — Demonstrando astúcia Sr Cross ordena: — Até segunda ordem, o atirador está vivo e seguiu na ambulância, gravemente ferido.
“A desconfiança molesta o respeito, é um sentimento de plena impotência diante aos fatos, como algo que se quebra e dificilmente será reposto. Na verdade é quando você perde o chão e nem a razão é capaz de encontrá-lo. É o instante que apesar de toda a sua força, sente-se desamparado, sozinho e confuso. A desconfiança é uma das piores mazelas ao coração do homem, é o instante em que ele deixa de pensar no “nós” e passa a viver do eu forçosamente, é quando ele abdica da condição do afeto, já que para ser um traidor, seu inimigo um dia já contou com sua amizade.”
   Manuseando o celular de Macedo, o poderoso Capo de Tuti i Capi (Chefe dos Chefes) exige asperamente pressa aos demais aliados, e os ordena a buscarem Nascimento que esgotado precisa reforço para sua volta. Ainda com o rádio de Macedo em posse, efetua outra chamada e comenta com Shotz: — Soldado! Fez a comunhão? — Ágil responde: — Sim, está no mar senhor. — Retrucando Salvatore questiona se alguém, além dele sabe sobre a morte. Shotz categoricamente menciona que Macedo apenas. Frustrado Salvatore fala rispidamente: — Porra, quem matou é claro que sabe estupidez a sua soldado! São por burrices como essas que minha cabeça quase estourou hoje! — E completa: — Até segunda ordem ele está gravemente ferido e seguindo em uma ambulância sob a escolta de Macedo e Dias. — Do outro lado do rádio, como de costume certeiro e obediente: — Entendido senhor.

    A ambulância, subindo e descendo entre os inúmeros declives dos enormes jardins do condomínio velozmente atravessa toda a região não pavimentada. Complicado era manter-se constantemente equilibrada entre tantas dificuldades naturais, o que assim representava, a agonia do motorista que as pressas fora chamado para a ingrata missão de coletor de corpos.
   Quando a ambulância chegara, sua sirene estridente ecoa por todos os planos  alertando a todos os presentes que algo de errado havia acontecido. Ouvindo tal incomodo som a minutos, o coração do audaz líder diminui de tal jeito que antigas lembranças atingem sua mente. Era demasiadamente doloroso assistir tal cena, um incomodo tremendo, novamente sentira o sangue pulsar mais rápido e a imagem de um de seus maiores algozes estoura em sua mente.
    Defronte a imensa viatura branca, impressa em seu capô com letras vermelhas garrafais ambulância, sem dar tempo para o azar, Salvatore põe o inconsciente  Dias em sua caçamba, contudo ordena que o cubram, para que sua identidade não seja revelada para nenhum dos possíveis transeuntes presentes na festa.  Após admirar toda a ação que fora feita pelo aniversariante dentro da ambulância, um dos médicos, um típico burguês idoso de barriga saliente, bochechas rosadas que não expressava sequer algum respeito por seus atendidos, utiliza o tom pedante que durante toda a vida o acompanhara pela simples ilusão da importância de ser um homem que salva vidas: — Parado aí, o que acha que está fazendo? — Ignorando a presença do robusto ser, Salvatore fala brevemente ao ouvido de Macedo. Este por sua vez segura violentamente as duas mãos do médico e esmigalhando lentamente seus ossos, alerta com cautela: — No interior da viatura tem um homem ferido, te peço com estima que o ajude e não mencione nada sobre o ocorrido anterior, e amanhã será recompensado. — Demonstrando toda sua altivez, o médico puxa seus gordos punhos e direciona seu dedo a face de Macedo exclamando, devido ao tamanho insulto: — Eu tenho meu código de ética, você não manda em mim! Não passa de um macaco mandado! Um gatilho nervoso! O único que ordena coisas assim, é o anfitrião, e creio que ele será reportado sobre a sua atitude, e a de seu parceiro! — Assustado com a reação do estudioso, o caporegime novamente lhe segura os punhos, contudo os torcendo levemente impedindo sua reação, e mirando profundamente em direção aos trêmulos olhos o intimida de maneira decidida: — Este é um pedido do próprio, ou não consegue reconhecer quem lhe paga os ordenados? — Engasgando com a própria saliva ao perceber de quem se tratava o parceiro de Macedo, o médico despista sua ousadia amolecendo os antes rijos pulsos e consente perante o temor: — Desculpe, não sabia da gravidade do caso. Não passo de um tolo. Os senhores têm toda a razão! — Então atuando como um experiente membro da academia de artes, o obeso “consertador de pessoas” parte completamente atemorizado para assistir ao ferido.
   Pensativo Salvatore permanece inerte perante todo o tratamento inicial que seu segurança recebe. Segundos depois marcha até a companhia de seu íntimo Macedo, abaixa a enorme cabeça até o ouvido deste e pede emanando placidez: — Desejo que você vá à ambulância e durma em uma sala qualquer fingindo escoltar o atirador, pois amanhã pedirei para que Shotz retire você de lá. — Concordando e revelando toda a sua fidelidade para com o amigo, o musculado Reginaldo, retira sua camisa manchada pelo sangue do atirador, exibe seu enorme peitoral e adentra a ambulância, enquanto os enfermeiros junto ao temeroso médico tratam o guarda-costas no mesmo local.
  Sentado sobre o mesmo canteiro em que o automóvel de seus amigos colidira, Sr Cross que já se encontrava tratado e medicado, observa as luzes vermelhas da ambulância se distanciarem, quando interrompendo sua profunda reflexão ouve estridentes buzinadas. Dentro do veículo a sua espera, seu jovial irmão estava acompanhado por Tupinambá e Hélio.  Examinando o meditativo fraterno, Giovani solicita em demasia manso, que este se levante e entre no veículo para que possa efetuar a cerimônia de encerramento da problemática festividade. Consentindo com a solicitação do irmão, Salvatore caminha vagarosamente como se estivesse esgotado, abre a porta do carona e senta-se tranqüilamente a espera de retornar ao agora odioso salão.
    Durante o rápido percurso, no interior do veículo Gio avista o ferimento que ainda um pouco sangrava na cabeça de seu irmão, e bispando-o pergunta o que houve. Não dando a mínima para o fraterno, Salvatore explica que bateu com o carro em um canteiro vizinho e ferira a cabeça. Ouvindo a conversa, Hélio que estava situado no banco dianteiro estica o pescoço, traspassa a lateral do banco, se aproxima e pergunta: — Onde estão os outros membros da organização? — E completa: — Ouvi seu rádio. — Direto Sr Cross responde sem delongas: — Mandei o Dias na ambulância para vigiar o ferido atirador, e Shotz deve estar com os outros seguranças rumo a localização de Nascimento. — E alfineta levemente o ego de seus subordinados: — Algo que vocês já deveriam ter feito. — Ainda estranhando a situação de seu fraterno, Giovani questiona outra vez: — E Macedo, você não falou sobre ele? — Seco Salvatore responde laconicamente: — Fora junto com Dias e o atirador que fora contratado para me matar. Ele irá interrogá-lo esta noite no hospital. — Entrando na conversa, Tupinambá ignorando a visível impaciência de seu chefe também profere uma dúvida: — Qual hospital? — Salvatore retruca demonstrando que não tinha ânimo para conversar: — Em um hospital conveniado. — Compreendendo agora realmente à vontade de seu chefe, Tupinambá cala-se, enquanto Giovani ainda persistente indaga: — Qual o motivo de tanto suspense? — Preparando-se para responder asperamente ao querido irmão, Salvatore desvia o pensamento ao ver o carro de Shotz e faz sinal para que este pare. Também parando o veículo, Régis Tupinambá destrava a porta traseira para que Salvatore saia, contudo este apenas abre a janela e avisa para Shotz deixar Nascimento em sua casa fazendo a proteção do pequeno Lucca. Ouvindo o amigo, Shotz opina sem a autorização de seu superior: — Creio são ser necessário senhor, já possuímos mais de cinqüenta homens protegendo o local. — Censurando o subordinado, Salvatore menciona impaciente: — Me obedeça, por favor, quero Nascimento lá agora! Você não é pago para pensar, apenas agir! — Após o breve diálogo, o líder cerra sua janela blindada e pede para que Tupinambá siga com o trajeto, enquanto observando a toda cena, Gio opta por se calar.
    A noite que antes soprava sua gélida corrente de ar mortal, escoltada pelo sereno apaziguador, que mais se assemelhavam a pequenas lágrimas das vítimas ocultadas por sua penumbra, agora muda completamente junto às luzes que surgiram, tornando-se uma noite agradável e de temperatura terma.  Retornando ao palco e novamente se apresentando ao público, Salvatore que agora exibia a enorme cabeça coberta por uma faixa de gaze, beija carinhosamente a calva superfície craniana de Don Treviso, agradece seu esforço, empunha o microfone habilmente e também desvenda sua ampla sabedoria na arte da manipulação com um sorriso debochado estampado no rosto: — Digo a vocês, a companhia de luz não respeita datas e contas bem pagas, milagrosamente conseguiram estourar todos os meus reguladores de energia. Uma guerra civil dentro de meu aniversário. Sorte deles que não sou o mafioso que dizem que sou, senão estariam dormindo com os peixes. — Mantendo o semblante jocoso: — Não satisfeitos somente com o susto ainda me fizeram dar de cabeça em uma dessas inúmeras parafernálias. — Rindo de toda a situação e as expressões engraçadas que Salvatore premeditadamente forçara, o grande público controlado em demasia olvidam os pequenos momentos de pânico e continuam a desfrutar da magnífica festa como se nada realmente tivesse ocorrido.  Acompanhando o prazer do público rindo e desfrutando de toda a sua hipocrisia, o hábil anfitrião que se sente esgotado por todo o esforço de outrora se retira para a mesa do vistoso Quintella tendo a ciência de que este havia algo a lhe falar, e depois ordena que suas dançarinas continuem o show, enquanto tratava de negócios com o antigo amigo.
    Puxando uma das pesadas cadeiras de madeira maciça, e sentando-se ao lado do estimado Jonas, o poderoso Capo aperta a mão  deste, e cortês pergunta sobre a belíssima Sra. Garcia. Desviando o olhar ao ouvir a pergunta, Quintella desgostoso desabafa enquanto bicava seu copo abarrotado de uísque: — A mesma merda de sempre, mas fazer o que Turi, ela tem as próprias opções. — Sério Senhor Cross repudia a aparente embriagues do aliado e com os olhos inquietos o analisa completamente e menciona questionador: — Se separe dela então. Sabe o que eu acho de tudo isso, nunca aprovei seu casamento. Os membros de meu regime não podem possuir família, esta os torna fracos, veja por mim mesmo.  — Negando ao efetuar gestos com a cabeça, Jonas alterna de assunto, revelando sua insatisfação com o tema e prossegue: — A deixe, também pulo minha cerca, e sabe que faz anos que não trabalho pra você, apenas lhe repasso informações, nunca fui um Crossifixicio. — Utilizando sua prática sabedoria ao perceber um desânimo superior ao normal em relação ao assunto, Sr. Cross questiona o que ocorrera com o amigo neste período em que não mantiveram contato freqüente. Aceitando, e evitando se despistar de um dos poucos que ainda sentem preocupação com sua pessoa o coreógrafo revela abalado ao mesmo tempo em que atirara despropositalmente o copo ao chão: — Creio que ela esteja saindo com o almofadinha do Dr. Moraes, e isso me perturba bastante. Ela é uma puta que trabalhava no seu bordel, é digno de sua natureza, mas o Moraes, depois de tantos anos de parceria. Isso sim é um crime. — Analisando o fato com extremo repúdio, um estranho rigor físico possui o corpo exausto de Salvatore que estoura uma garrafa em punhos e irado conclui severamente: — Caso isso seja verdade um dos dois será punido, isto aqui é uma família, não tolero traições! — Levantando a mão como que ordenando o cessar do forte ímpeto de seu aliado, Quintella finda o polêmico tema inesperadamente: — Fodam-se os dois! Tenho uma boa notícia, algo que vai mudar completamente seu animo meu grande amigo. — Alterando completamente seus traços, e agora com os olhos brilhando iguais ao de uma criança que esta prestes a receber um presente, assim revelando seu temperamento inusitado, o desvairado Salvatore solicita os fatos. Sucinto Quintella que agora emanava uma confiança superior a outrora, explica calmamente o maravilhoso achado: — Fundamos uma nova cidade na região sul, repleta de lindas garotas loiras de olhos claros e de jovens bem educados possuidores de boa índole. Um achado e tanto, quanto para novas pequenas, quanto para novos soldados. Soube através da família que El Dorado já não conseguia mais produzir mão de obra, creio que esta seja a notícia do ano. — Explanando toda a sua felicidade com o comentário, Turi repete seu corriqueiro gesto ao afagar o ombro amigo para gratificá-lo, e demonstrando porque se tornara o influente de hoje, exclama: — Perfeito! Essa será nossa segunda cidade e como homenagem ao seu belo trabalho, você poderá ser prefeito caso o queira, assim podendo ajustar sua vida novamente fora deste antro de perdições que são as metrópoles. — Intuindo a admirável sensatez do amistoso superior, Quintella de maneira afortunada aceita a proposta, mas alerta sobre fatos importantes: — Precisaremos de uma enorme soma para ajustar essa pequena cidade, construindo escola, delegacia, hospital e creio também que sejam importantes máquinas e empresas para a exportação, talvez de trigo, grãos de soja ou óleos de soja, similar como fizemos na região nordeste. Precisaremos de grandes investimentos, porém creio que a Fundação tem como arcar. — Atento à solicitação do funcionário, Salvatore concorda plenamente com as demandas e detalha como irá proceder: — Vamos realmente retirar a verba da Fundação Treviso, é para isso que ela foi feita, e depois vamos transformar a infra-estrutura desta cidade como fizemos com El Dorado. Agora os financiamentos serão aceitos prontamente, faz uma semana que detenho a porcentagem geral da fundação. — Abraçando Quintella amistosamente, apronta com o mesmo e cínico sorriso cotidiano: — Tenho fé em seus cálculos, pegue o quanto for necessário que depois acertamos todas as bases com o governo federal na isenção de impostos. — Contente pelo voto de confiança, Jonas se despede do amigo que se afasta educadamente para exercer o seu compromisso social em outras mesas de convidados da grandiosa celebração.
Turi Scaramella
Publicado no Recanto das Letras em 18/10/2009
Código do texto: T1873506

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Comentários
18/10/2009 15h13 - edson gonçalves ferreira
Quanta fertilidade na sua imaginação. O enredo está impecável e a trama também. Pena que só li esta parte. Você é mesmo um escritor. Parabéns. Quanto lirismo.Convido você para ler POema feliz, na minha página e, por favor, comente. Um abraço, Edson

Sobre o autor
Turi Scaramella
Rio de Janeiro/RJ - Brasil, 23 anos
3 textos (153 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 04:16)

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