Texto

                               * DESTINOS
               
            E, FOI ASSIM...UM CONTO DE AMOR




               A cidade estava vazia, sem movimentos, aquele corre corre geral, pessoas retornando ao Lar. Alí estava eu! Frio, 
fome e ansiedade, no meio de todo aquele borburinho, esperando ela chegar. Você não chegou, esperei o tempo máximo, permitido. - Que será que ocorreu, perguntei ao meu coração. ao
meu pensamento.
Nenhuma sensação, nenhuma resposta, nenhuma justificativa, para a tua falta. Imaginei mil coisas. Meu celular tocou, atendi, e veio a terrivel noticia!...ela havia partido, noite a fora, com um destino, pré determinado. Eu não acreditei, no que me falavam.Triste destino!...
                Loucuras de momentos. Largou tudo, familia, amigos e, partiu, em busca do desconhecido e, do tão clamante amor.
O tempo passou, nunca mais, se ouviu falar dela. Se esqueceu de tudo e, de todos, até mesmo os irmãos, os pais faleceram, sem saber  noticia alguma. Cruél destino, esqueceu a própria identidade, mudou de nome e, se foi para sempre...Mas, diz o ditado, " As pedras rolam e um dia se encontram."
               Assim estava escrito! Um dia, bem longe das origens, num canto deste mundo perdido, encontrei-a. Não a reconheci de imediato. Estava bem diferênte,  daquela criatura doce, meiga, carinhosa, que um dia, em minha vida amei muito.  Me arrependi profundamente, tê-la encontrado. Quanta tristeza em meu coração. Não podia, mais uma vez, acreditar no que o chamado destino, havia aprontado.Triste sina, daqueles cujo o amor, um dia o abandonou. Melhor teria sido, pensar que você, havia simplesmente desaparecido, deste mundo.
                Mantive-me tranquilo, embora por dentro, meu coração doía demais! Na semi escuridão, daquele ambiente, aproximei-me de uma mesa, lá estava uma mulher, com grandes olheiras, semblante e olhos triste, copo de bebida na mão, um cigarro na outra, com falso sorriso nos lábios...pedi licença e, sentei-me numa cadeira, bem a sua frente. Iniciamos uma conversa fútil, foi aí, naquela penúmbra, que eu a reconheci. Meu coração saltava, a boca ficou sêca, pedi então, uma bebida forte. Era ela! Eu, não podia acreditar no que estava vendo. 
                 Me recusava, fechava meus olhos e, pedia a Deus, que não fosse isso. mas, era a realiadade...ela, não me reconheceu.Pedi licença, afastei-me daquela mesa, fui até o balcão e, de lá fiquei a observar, entre a fumaça e a realidade, daquele momento.Quanta tristeza senti! Minhas mãos trêmulas, o corpo e na mente um vazio só!
                 Passou tanto tempo e, o destino novamente, nos colocou frente a frente. Que fazer diante de tanta surpresas? Criei
coragem, para tudo enfrentar!... Aquele lugar, era uma prostibulo para encontros clandestinos.
Retornei à mesa, tomamos juntos, uma cerveja e uma bebida forte. Convidei-a então, para sairmos dali, para um lugar mais tranquilo, conhecedora daqueles ambientes, me conduziu a um hotel de segunda classe, onde morava, e seguimos para o quarto, onde recebia os seus "amigos desconhecidos". 
                 Entramos, naquele local obscuro, soturno, com cheiro de mofo. Em meu coração havia a chama do desespero. Até aquele momento, ela, não me reconhecera. Estava fora de sí, talvez em estado de embriaguês, ou, não sei, com a cabeça cheia de tóxico. Ela foi, até o banheiro, de lá retornou alguns minutos depois, de calcinha e soutien, com camiseta vermelha,transparente!                  Quanta crueldade, neste destino nosso, pensei.. em momento algum ela me reconheceu! 
                 Pediu uma bebida, peguei uma carrafa, dois copos, em cima de uma mesinha. Ela se jogou em cima da cama e, recostou-se na cabeceira. Me olhou estranhamente, e disse,
:- Você, já esteve comigo, aqui ou, em outro lugar? Sinto isso! Estou te reconhecendo... Eu, acabrunhado, respondi,
:-Não nunca estive aqui! perguntei, qual o seu nome?  Então, me respondeu, em tom sarcástico. 
:- Você, quer meu nome de guerra, ou, se me fizer bem, me der um carinho especial, te falarei meu nome verdadeiro!...
                 Só me faltava isso, a real confirmação, pois eu, ainda que estivesse ali, embora a reconhecesse, não acreditava em tudo aquilo. Sorri... Um sorriso amarelo mas, pedi que disesse seu nome, verdadeiro. Abaixou os olhos sofridos, e falou seu nome, 
:- Me chamo Maria!... Meus Deus, como pode ser isso? Assim pensei! Era o meu amor querido, Maria, a pessoa que mais amei na vida!...O que acontecera a ela, que loucura se passou em sua vida, nossas vidas!...Não me identifiquei a ela, não podia naquele momento.Ofereci a ela, um pouco de conhaque, e enchi o copo prá mim. Brindamos, chocando nossos copos... a batida dos copos, e o barulho feito, me trouxeram a realidade. Bebemos. 
                  Ela, carinhosamente, se aproximou de mim, eu estava sentado na beira da cama, me abraçou, senti seu calor, seus lábios tocaram o meu rosto, num beijo respeitoso, tomei suas mãos, com carinho, com respeito, senti o frio das suas mãos trêmulas, sem calor.Apertei-as entre as minhas mãos.Meu pensamento, voltára a alguns anos atrás. Exatamente ao local, onde eu havia marcado, o encontro com Maria. Pensei em tudo que me ocorreu. Pensei no que, ocorrera com ela, nesses anos todos. 
                  Na penúmbra daquele quarto, cumprindo o seu destino, ela em carícias e afágos, tentou cumpir o seu dever de mulher de vida fácil. Eu, naturalmente não aceitei.Me desculpei, e falei, que gostaria de apenas conversar, pois estava ali sozinho, distante de casa, sem nemhuma pessoa conhecida. Que, não se preocupasse, pois eu a pagaria, o que me cobrasse. Logo, estavamos numa conversa amistosa. Perguntei se ela havia jantado, em sua resposta, a convidei para jantarmos fora, sem destino, sem hora para voltarmos, que ela, não levaria prejuizo,  seria remunerada, por me acompanhar. ela concordou, pediu um tempo, para se arrumar.
                  Entrou no banheiro, tomou um banho,  se recuperando, e  vestiu-se  divinamente, como se fosse aquela, a sua primeira noite de paz, depois de tantos anos, jogada na sarjeta. 
Saimos e caminhamos na orla maritima, tomando o vento frio vindo do mar, paramos, sentamos num Restaurante, numa mesa de pedra, num refinado ambiente. Escutamos as ondas quebrando nas pedras, nos rochedos...Senti em seus modos simples, a sutileza em pegar e segurar os talheres.Tomamos vinho, comemos peixe...seus modos educados, ela não esquecera, apesar da vida tão mesquinha e sofrida, que estava levando. Comendou meio encabulada, :- Quanto tempo não tenho, um jantar assim, seus olhos encheram-se de lágrimas.
Eu sorri, afaguei sua mão pequenina, e disse:- Penso, que depois desse jantar, virão outros mais, e você será feliz! Muito feliz!
                     Após  conversarmos, ela falou da familia, do noivo, do
cãozinho dela, sempre demonstrando saudades e emoções...passamos juntos alí, mais de duas horas.Paguei a nossa conta, e saimos,  abraçados, nos afagamos, nos beijamos, e novamente, caminhamos lado a lado...
O calçadão, estava com poucas pessoas. Até alí, Maria, em momento algum, deu sinal de ter me reconhecido...me abraçou, me beijou, com delicioso carinho, agarrou em minha cintura, e escorregou a mão em busca da minha,  entrelaçou os dedos aos meus dedos...Alí, naquele momento eu tremi de emoção! Senti, que Maria também estremecera, ao segurar dessa forma a minha mão, observei uma lágrima, escorrer em seus olhos. Ela passou a mãos enxugou as lágrimas e, disse-me, voltei a um distante passado, perdoa-me. Paramos, Virei-a de frente, olhei seus olhos e, a beijei profundamente na boca. Me emocionei naquele momento, também me veio lágrimas...ela então, passou os dedos em meus olhos, secando as lágrimas de tristeza e de saudade!...Abracei-a forte. O passado, alí estava presente. Eu tremia e, ela também, tremia de emoção! Novamente beijei-a com amor, com devoção e, ela correspondeu aquele beijo de amor, tão esquecido em nossas vidas.
                Maria, naquele momento, emocionada, me abraçou fortemente, falou, :- Quantas  saudades eu tenho, eu fui feliz, e não sentia...tudo abandonei, e segui uma aventura louca.
Chorou... de mágoa e de tristeza. Então falei emocionado,:- Maria, o que nos aconteceu, meu amor?... Eu sou... engoli em sêco, sou Mario, seu noivo, que você abandonou um dia, numa noite fria, bem longe daqui...
                Maria se afastou de repente, como se espantada estivesse. Me olhou de cima embaixo, e pode então, me reconhecer. Quiz, sair correndo, envergonhada... então, segurea pelo braço, e novamente a beijei com amor e paixão... e falei, :- te reencontrei meu amor querido, não vai mais sofrer e, nem fugir mais de mim!... Ela, chorando, pediu perdão. Queria me contar a sua desdita, a maldita história de uma paixão momentanea,  como fora abandonada, lançada num prostibulo. Eu nao permiti, tanta humilhação, em querer contar o que se passara. Não quis saber, nada do seu passado, só me importava o presente.Alí, novamente a Maria, que eu amava, ao meu lado, me amando novamente.
                 
                   Nos abraçamos,  seguimos por outro caminho, em direção ao Hotel, no qual  me hospedará, simplesmente, para descansar um dia...e seguir viagem, no dia seguinte, para nunca mais voltar por ali, pois não era, a minha rota como vendedor.
O mesmo destino, que um dia nos separou, nos levou a um novo encontro, nos unindo com muito mais amor... Seguimos enfim, novo rumo,  para iniciarmos uma vida, de amor, paz e, finalmente constituir  tão sonhada familia...




Robert Sheldon e Sophya May
Publicado no Recanto das Letras em 10/07/2008
Código do texto: T1074124

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Comentários
11/07/2008 01h14 - wendoline
hola amigo que linda historia de amor...me hizo viajar extraordinaria. soy enamorada del amor... un grande abraço

Sobre o autor
Robert Sheldon e Sophya May
Petrópolis/RJ - Brasil, Escritor Semi-profissional
1332 textos (96066 leituras)
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