Texto

Madeixas muito más. Mas... deixa!

Chegou o momento de Alfredo apagar as velinhas.
A partir disso estará finalmente liberado para cortar os cabelos.
Dez anos de vida em companhia daquelas longas madeixas.
Seu Dito não irá participar desse solene momento da vida de seu filho.
Hoje cedo todos participaram de sua missa de sétimo dia.
Na certidão de óbito ficou constando como “causa desconhecida”.
É chegado o momento, muita expectativa.
A promessa de seu pai foi comprida e agora será cumprida.
Agarra firmemente as suas madeixas.
Puxa o ar com uma força descomunal.
Finalmente, libera tudo aquilo.
Alfredo apaga todas as dez num só assopro.
É estimulado a fazer um pedido.
Também a ofertar o primeiro pedaço do bolo.
Foi ai então que Alfredo resolveu levá-lo pessoalmente ao pai.
O motivo não se sabe, ficou como “causa desconhecida”.
O que parece e pelo sorriso, é que Alfredo morreu contente.
Antes do enterro terá uma pequena solenidade de corpo "e" presente.
Quanto às madeixas...
João Azeredo
Publicado no Recanto das Letras em 11/07/2008
Código do texto: T1076222

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Comentários
19/07/2008 10h44 - Claudio G Almeida
Triste fim do Alfredo! Adorei lê-lo, sua narrativa nos prende de uma forma fascinante. Um grande abraço. Claudio
12/07/2008 20h29 - simone
Parabéns! O texto é ótimo! E vc genial! Palavras são mágicas e nos levam para onde queremos!
12/07/2008 20h07 - Adriana Santos
Gostei muito das imagens que seu texto nos traz; é como um filme, um jogo de muitas cenas.Adorei! E obrigadinha pela visita, seja bem vindo e sinta-se a vontade pra voltar ao meu recantinho. Forte abraço!!!

Sobre o autor
João Azeredo
Jacareí/SP - Brasil, 56 anos, Escritor Entusiasta
6 textos (373 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 29/08/08 18:42)

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