A Sopa
Não estava entendendo muito bem o que acontecia naquele lugar.
Fora chamado para fazer parte de uma equipe de degustadores. Não sabia o que iria degustar. Na realidade, eu pensei que comeria até tijolo com maionese, tamanha a fome que me consumia. O dinheiro acabara e fiquei, até sem comer! Maldito emprego vagabundo.
Já estava pirando por tudo, quando veio aquele convite. Degustar um produto novo e ainda receber cem reais! Cara, caiu do céu!!
A única coisa que achou estranho, foi o fato de ficarem somente dois degustadores por gabinete. Ah, estava chegando algo pra comer...
Cinco pratos depois, de algo que para ele era um sopão bem saboroso, olhou para seu companheiro gordão e o achou esquisito. Fazia movimentos involuntários, emitia sons esquisitos, pipocou-se todo e, pasmem... começou a dissolver diante de meus olhos!!!
Quis sair, fugir dali, mas estava preso. Agora entendi a estranha almofada, na qual o cara estava. O cara dissolveu completamente...
Estranhas criaturas entraram sem nada dizer e o retiraram. Fiquei pasmo... Fiquei só, esperando dissolver também...
Hoje, um mês depois, ainda me encontro no mesmo lugar, experimentando sopão - não há como resistir - já havia engordado vinte quilos, sabia que minha hora estava próxima.
E ele também se transformaria em caldo de carne humana, enlatada e distribuída para não sabia onde...
Agora sabia como se sentiam os animais que iam para o matadouro, servir de alimento para outros seres...
Triste fim...
(outubro de 2009)
thera lobo
Publicado no Recanto das Letras em 29/10/2009
Código do texto: T1893592
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