Texto

Anna

Anna vivia num mundo verde. Esse era seu grande problema. Porque todos ao redor (quando ela ainda estava do lado de fora) viviam no cinza. Então ela sofria muito, por não compartilhar da mesma realidade.
As coisas eram feias e tristes na metrópole onde ela morava. As ruas eram escuras e sujas, cheias de becos e mendigos e animais abandonados e crianças famintas. O céu sempre estava encoberto pelos edifícios enormes e cinzentos e a fumaça cinzenta. Não havia árvores, nem grama, nem flores. Apenas concreto armado. Mas Anna não pertencia àquele mundo. Ela era verde. Sua vida interior borbulhava como um caldeirão de caldo verde fervente.
Talvez tenha sido por isso que ela foi presa.
Anna foi mandada por sua família para uma prisão branca e cinza. Havia algumas árvores, um pouco de mato, mas continuava sendo uma prisão cinzenta.
Até que ela se cansou da realidade. Parou de comer, de conversar, de conviver. O verde já havia se apagado dentro dela. Anna se tornou um cinza muito mais sem graça.

Anna viveu até os 52 anos num hospício na Áustria, até morrer. Provavelmente suicídio. Ninguém sabe.
Bárbara Rocha
Publicado no Recanto das Letras em 06/11/2009
Código do texto: T1908698

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Comentários
06/11/2009 16h23 - Junior Antonio
Anna não era verde, era colorida. E ainda que ao derredor houvesse cor insossa e palidez. No peito,sempre havia beleza e cor. Mui bueno Poetisa

Sobre a autora
Bárbara Rocha
Divinópolis/MG - Brasil, 19 anos
17 textos (285 leituras)
1 e-livros (11 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 27/11/09 05:05)

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