Olhos de Tigre- Parte Três
Tiros bombas morteiros, o inimigo invisível, na selva há muito não se via tamanha violência e na cadencia intermitente dos disparos do M16 sente-se atirando em algo invisível!
Mas em meio ao combate ouve-se o barulho dos aviões que jogam napalm no campo de batalha, gasolina gelatinosa que queima e torra.
Ouvem-se os gritos de dor dos soldados, e o inimigo vai à desforra!
Em uma selva há muito esquecida combates são freqüentes, mas ele tenta sobreviver, não cair diante dos olhos de tigre!
Olhos de tigre na escuridão, em meio ao fogo do napalm ele vê um tigre branco correr, vê soldados morrerem, vê sua sorte diminuir, pois estaria ele tendo visões, estaria ele já morto?
"a guerra é um inferno mesmo"
Não, não estava, eram coisas de batalha, não existe nada de glorioso em guerras, no final todos perdem, é uma verdade.
Mas ele dentro de sua trincheira, mirava e derrubava vários inimigos, granadas eram jogadas, explosões eram ouvidas. Vidas eram ceifadas, e o tigre ainda estava lá correndo em meio ao combate. Do outro lado na mata ouve-se a fúria dos tiros intermitentes das AK47, armas perfeitas para aquele dia de combate não falham nunca.
O soldado acuado com seu fuzil dentro de sua trincheira luta desesperadamente, sabia ele que seu fim seria violento, uma morte violenta o aguarda, ele sabia que teria de matar o tanto que fosse de inimigos antes de morrer, então se fosse morrer que seria assim! Ele olhava o tigre no meio da batalha e pensava.
“será que é assim que vou morrer”
Não, não adiantava pensar nisso era lutar, por instantes os inimigos avançaram mais e mais, e mais violenta ficava a batalha, mais vidas eram ceifadas, o ódio era grande, o instinto de sobrevivência maior ainda!
Mas na relva na mata olhos de tigre o observam e em meio ao combate desenfreado ele vê um tigre que surge do nada no meio do fogo cruzado, pula sobre ele, e com suas garras sobre o peito do soldado perfura o tórax jovem com seu peso, o soldado da um grito de dor, mas na batalha em volta ninguém parece se importar, cada um que cuide de sua vida, por instantes o tigre encara o soldado, o tigre com seus grandes olhos vermelhos de uma áurea que mais parece ser demoníaca, o espírito da batalha.
Por instantes ele se levanta, torna-se homem, um samurai, que com muita força crava sua espada, próximo a cabeça do soldado, levantando poeira, ele não matara o soldado, mas dera uma chance.
O combate acaba e o soldado levanta, corpos pelo chão ele percebe sua farda rasgada no peito e se pergunta foi real, ele olha para o fundo da trincheira vê uma espada!
Lembra-se de olhos de tigre na escuridão, que em meio à selva na relva deu-lhe uma chance de sobreviver...
Já no helicóptero ele chora de espada em punho o horizonte ele olha... Um belo por do sol!
A guerra é assim, perde-se um soldado e logo outro ocupará seu lugar!
Por
Cristiano
Cristiano Wellington
Publicado no Recanto das Letras em 07/11/2009
Código do texto: T1910715
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