Texto

Idílio não proibido

Meu idílio eu comecei
Numa tarde ensolarada
No momento em que falei
Que não tinha namorada
Eu ali também fiquei
Sozinho e sem fazer nada.

Era um amor suave
Como a relva da manhã
Do meu coração sem chave
Preparava o amanhã
E não tendo quem o salve
Evitava todo afã.

Comecei de madrugada
Minha noiva enamorar
Era linda e enfeitada
Como um raio de luar
Por alguém foi escalada
Vir à terra pra brilhar.

Seu olhar é uma estrela
Dando luz ao firmamento
Se acaso puder vê-la
Um sorriso é o pagamento
Se acaso conhecê-la
Verá seu conhecimento.

Sua voz é sempre doce
Como mel de muitas flores
E acaso assim não fosse
Gozaria os meus louvores
Mesmo se fosse agridoce
Teria muitos valores.

O seu passo é como a pluma
Que caminha em pleno ar
Vence a espessa bruma
Somente com o olhar
Eu não sei onde ela arruma
Tanto pra me enfeitiçar.

Ela é apenas uma
E só nasce no jardim
Não existe mais de uma
Ou sequer bonita assim
Também não é qualquer uma
Ela nasce e não tem fim.

Ela é a flor do lago
Cuja semente eu plantei
Recebi o seu afago
Quando sozinho eu fiquei
Por isto eu não a apago
Do lugar que coloquei.

Ela está bastante velha
Pensa mesmo em desistir
Mas pra mim é sempre bela
Insisto pra resistir
Para mim é sempre aquela
Que mostrou o meu porvir.

Eu lhe dei confinamento
Ela deu-me uma lição
Mesmo sem conhecimento
Sempre deu educação
Eu jamais ouvi lamento
Ou qualquer imprecação.

Nunca soube prometer
E depois nada cumprir
Sabe que cumpre o dever
Quando faz alguém sorrir
O que faz é por prazer
O que quer é dividir.

 Ela vem devagarzinho
Sorrateira, disfarçada,
Sempre dá um sorrisinho
Quando sabe que é notada
Seu passo, pequenininho,
É menor que a polegada.

Poucos sabem quem é ela
Ela sofre humildemente
Sempre oferecem a ela
O que passa pela mente
Mas nem sempre é para ela
O laurel do competente.

Ela é presidiária
Na prisão dos sentimentos
Paga por sua diária
Apagando os sofrimentos
Não escolhe indumentária
Para ouvir nossos lamentos.

 Só reflete o que pensamos
Sem jamais interferir
Sabe se não acabamos
Nunca fica a insistir
Se um pouco consertamos
Fica melhor para ouvir.

Ela faz na nossa vida
Uma pausa na agonia
Diminui a nossa lida
Vence a nossa antipatia
Só quando dá a partida
Diz seu nome - poesia.


 

 



Renato Lima
Publicado no Recanto das Letras em 03/11/2009
Código do texto: T1902306
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Comentários
03/11/2009 09h38 - Juli Lima
Bom dia! APLAUSO! Ela tem em si toda magia! Bj poesia
03/11/2009 09h23 - Roberto Pelegrino
Muito bonito o seu cordel, parabéns e tenha sempre muito sucesso!

Sobre o autor
Renato Lima
Vitória/ES - Brasil, 62 anos
117 textos (2791 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/11/09 08:22)

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