UM SABIÁ SOZINHO NÃO FAZ VERÃO ...... Com Airam Ribeiro
Eu saí pur aí pra percurá
A minha quirida sabiá
Qui nas mata foi embrenhá
Pois a mutios dia eu num via,
Sintino u’a grande sôdade
Cum u’a dizinfilicidade
Num midinio dificurdade
Incrontá ela eu quiria.
A xuva tornô xuvê
O rio danô a corrê
As inundação foi pra valê
Mermo ancim eu fui pra lá,
Cum as pena toda moiada
Devido as xuvarada
Infrentei as revuada
Só para vê minha sabiá.
Larguei pur cá o meu nin
Pro ispaço vuei sozin
Cum a fé no Deus dos paçarin
Fui fazeno no vuá as oração,
Quando a mata eu avistei
Sem medo eu min embrenhei
Num pequeno nin a encontrei
A sabiazinha do meu coração.
Ancim sem mais imbaraço
E desfazeno o meu cansaço
Cum as aza dei uns abraço
Naquela quêu tava amano,
No meu bico u’a canção entuei
E para ela intão eu cantei
Daquela mata eu li tirei
E pro céu azú nóis foi vuano.
(Airam Ribeiro)
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UM SABIÁ SOZINO NÃO FAZ VERÃO
Seu cantu é feitu oração
Diretu du seu biquinhu
Pru meu pobri coração
Qui tem andadu sozinhu
Nas arveres dessi sertão
Pra modi incontrá um ninhu.
Quandu veiu a chuavarada
Trossi as inundação
Eu bati em revuada
Im busca di prteção,
Uma noiti inluarada
I u calor di uma canção.
Fui pras banda da Bahia
Im busca di um acalantu
Reincontrei as aligria
Quandu pudi ouvi seu canto
Tão bão qui até paricia
Qui tirava meus quebrantu.
Ó meu doci sabiá
Mi insprica qui coisa é esta
U’a vontadi di avuá
Pelu céu fazenu festa.
Vamus vivê a cantá
Na vida qui Deus impresta.
Vamus ajuntá nossas asas
Avuá entri us jardins
Levá aligria nas casas
Nóis feitu dois quirubins
I cum coração im brasa
Vamus construir um nin.
(Rose Tunala)
Rose Tunala
Publicado no Recanto das Letras em 04/11/2009
Código do texto: T1904699
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