Confissão de Tabaroa
I
Maricota foi a igreja, pros pecados confessar.
Seu padre ouvia, pasmado; incrédulo - assustado.
A matuta lasciva, falando de forma incisiva
Naquele local tão santo.
- Seu padre: em tudo que é canto.
O meu Severino, tarado, busca prazer prá me dar.
II
E continua a matuta, o seu relato a fazer. - Seu padre o homem é um perigo.
Já não sei se é certo, ou errado. Só sei que é bom por demais.
Minha filha, isto é pecado; diz o pároco compungido. - Mesmo sendo teu marido.
Seu padre! O senhor não faz idéia – não quero parar! Nunca mais.
III
Vou te receitar água benta; pros teus pecados lavar.
Seu padre, o homem me tenta – não consigo segurar.
A periquita me esquenta. Minha filha, teu caso é danoso.
IV
Reze muito Padre-Nosso, Ave Maria também.
Seu padre – eu vou-me é embora, fazer o que é gostoso.
E que o senhor, piedoso, certamente diz Amém.
Relato fidedigno, feito por um vaqueiro (o tal Severino) a este escrevinhador, sob o testemunho inconteste de uma fogueira, de uma história ocorrida lá pras bandas da Fazenda Pau Preto, que pertencia ao meu tio Joãozinho Curvelo.
Vale do Paraíba, primeiro domingo de Novembro de 2008.
João Bosco
Aprendiz de Poeta
Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2009
Código do texto: T1911212
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