Berimbau de Sete Cordas
BERIMBAU DE SETE CORDAS
Inventaram na Bahia
Berimbau eletrizado
Um som que já é sucesso
Até fora do estado
Para quem quer conhecer
Representando o saber
Da África foi herdado.
Nosso povo brasileiro
É uma grande mistura
Ninguém pode aqui dizer
Que há uma raça pura
E dessa grande panela
Saiu mais rica e mais bela
Do país nossa cultura.
Quem vem à Bahia admira
Sua riqueza cultural
É o som do atabaque,
O agogô e o timbau
Os capoeiras nas ruas
Som das notas pobres, nuas
Da corda do berimbau.
Muito grande é o poder
Desse humilde instrumento
Vejo em sua melodia
Muita dor e sofrimento
O cruzar do oceano,
O chicote vil, insano
Que não cai no esquecimento.
Porém sua melodia
Não só lembra dor e dó
É o retrato de uma gente
Que não teme dor pior
Traz na sua singeleza
Da cultura a riqueza
Mesmo numa corda só.
Mas agora inventaram
Pras bandas da capital
Que esse instrumento é ralé
(preconceito bestial)
Fizeram então arrogantes
Sete cordas de brilhantes
Para o pobre berimbau.
A primeira representa
O luxo e a intolerância;
A segunda, o preconceito;
A terceira, a arrogância;
A quarta é a prepotência;
A quinta, a segregação;
A sexta, a escravidão;
A sétima, ódio e ganância.
Mas o berimbau humilde
Que de uma corda ficou
Representa a saudade,
A unidade e o amor
Não é de ouro nem prata
Pra não servir de gravata
A presunçoso doutor.
Zé Poeta
Publicado no Recanto das Letras em 10/05/2008
Código do texto: T983366
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